MACHADADA NA PERNA — Em 1579 foi canonizado S. Francisco de Paulo. No processo foram ouvidas as testemunhas e aprovado como confirmação por Deus das virtudes heróicas do santo (pois em ordem diretamente às beatificações e canonizações não servem os milagres realizados em vida), dentre numerosos outros milagres, o seguinte:

Francisco, um jovem monge da Ordem de Santo Agostinho, foi enviado com outros confrades a cortar árvores na floresta. Infortunadamente Francisco, errando um golpe, alcançou violentamente com o machado seu próprio pé direito. Sem que soubessem como contê-la, havia perigosa perda abundante de sangue pela ferida verdadeiramente muito séria.

S. Francisco de Paulo, que no momento estava também na floresta, acudiu imediatamente junto aos outros confrades que inutilmente assistiam ao ferido. A intimidade dos santos com Deus! E como eles têm certeza de que Deus os atende bondosamente! Sem pronunciar uma palavra, S. Francisco simplesmente passou sua mão sobre a grave ferida, e esta rapidamente foi se fechando e se recompondo imediatamente. Tão perfeita foi a cura e cicatrização, que o jovem Francisco voltou ao trabalho como se nada lhe houvesse acontecido15.

SOBRE O TÚMULO DE S. FRANCISCO DE SALES Completarei este assombroso caso no volume 3 desta coleção sobre os milagres. Agora só o aspecto cicatrização imediata.

Jerônimo Genin, de 14 anos, caíra no rio e fora arrastado durante bem mais de quatro horas pela enchente, batendo contra o leito do rio, contra rochas, contra troncos de árvores… Segundo testemunhos concordes das numerosíssimas testemunhas, seu corpo ficou “disforme e horrendo”, “tão disforme e horrendo que era impossível reconhecê-lo”, “achei-o com tais feições, que se não houvesse tomado conhecimento do infortúnio, de nenhuma maneira o haveria reconhecido”, “completamente golpeado”, “podia-se ver que ele estava ferido em vários lados”, “fizeram-lhe vestir outra camisa e observei que em diversos lugares, nos quadris, nas pernas e nos braços havia pontos roxos de sangue coagulado”, “de noite se queixou de horríveis dores nos quadris, braços e pernas; e o pe. (Cláudio) Puthod (o pároco, de Olliéres, Genebra) e eu (o irmão, Francisco Genin, de 13 anos) vimos as feridas”.

“O pe. Puthod nos levou a Annecy (…) junto ao túmulo do Servo de Deus (Francisco de Sales). Quando chegamos à Igreja da Visitação, o pe. Puthod ordenou a meu irmão que se deitasse no túmulo do Servo de Deus. Após ficar lá uns quinze minutos, levantou-se com um impulso não habitual, dizendo que haviam desaparecido como por encanto (?) as dores horríveis que antes sofria.”

“O pe. Puthod mandou levantar a calça de uma das pernas e descobrimos que todos os ferimentos estavam curados. Quando regressamos ao restaurante, o pe. Puthod lhe ordenou que se despisse, e verificamos que não lhe ficara qualquer traço em nenhum dos lugares que antes estavam roxos de sangue coagulado. O corpo estava tão saudável e ileso como antes da queda.”

E o próprio cônego Puthod acrescenta ao depoimento de Francisco Genin: “Desejei eu observar as pernas, quadris e braços, que no mesmo dia (…) vira absolutamente pretos e azulados. Por isso lhe mandei que levantasse um lado das calças e vi que a perna estava sem qualquer ferida ou ponto negro. Agradeci ao Senhor por este favor. E ao voltarmos ao restaurante inspecionei outra vez o corpo e encontrei-o tão saudável como antes da queda no rio”16.

S. CAMILO DE LELIS. — S. numerosos os motivos pelos quais S. Camilo de Lelis, fundador da congregação dos camilianos, é o padroeiro dos hospitais e enfermeiros. Um desses motivos pertence ao tema que agora nos ocupa.

No outono de 1600 terminou uma epidemia que assolara Nápoles, e “o Anjo da Caridade” regressou ao seu Hospital do Santo Espírito, em Roma. Aconteceu então que Domingo Romito, empregado do cardeal Jorge, foi horrivelmente mordido por um cavalo numa mão. A mão estava quase inteiramente despedaçada, ao ponto que os cirurgiões nada podiam fazer senão amputá-la imediatamente.

O pe. Camilo pediu então que deixassem a cirurgia para a manhã seguinte, ao que os cirurgiões acederam só pelo enorme respeito que o santo lhes inspirava. S. Camilo passou toda aquela noite em oração, interrompendo só por uns minutos para trocar as faixas e para colocar na mão do ferido simplesmente um pouco de pó de tijolo.

Claramente, como em outras ocasiões, o santo queria desviar a atenção. Mas é claro que nenhum dos médicos e enfermeiros duvidou nem por um instante que se tratava de um milagre com que Deus confirmava a santidade do “Anjo da Caridade”, quando na manhã seguinte viram que a horrível ferida estava completa e perfeitamente cicatrizada, se é que se pode falar em cicatriz onde a pele está absolutamente normal17.

É O “EFEITO BUMERANGUE” — Ou “e os casos modernos confirmam os antigos, e vice-versa”. Constituem um “continuum”. Não S. acontecimentos isolados, e que por isso, cada caso isoladamente, a críticos apressados, sem olhar a outros fatores, poderiam parecer discutíveis.

Não se atreveria o profeta a usar precisamente tal comparação e desafiar os ouvintes e os leitores de sempre, se não constasse que Deus fez, faz e fará, como em todas as espécies ou classificações de milagre, também neste tipo de cicatrização instantânea: “Porque Eu te trarei o remédio, curarei as tuas feridas. Oráculo de Iahweh” (Jr 30,17).

Por exemplo no século III

1) SANTA MARTINA — Ano 226. O imperador Alexandre Severo, vendo o que Santa Martina fizera no dia anterior com a estátua, o altar e o templo de Apolo — será descrito com outros milagres do mesmo tipo no capítulo 10 —, irritadíssimo mandou que a trouxessem de novo ao templo. “Se não queimares incenso em honra de Apolo — ameaçou o imperador —, farei arrancar pedacinho por pedacinho de tua carne até os ossos.”

Continuando firme a mártir, arrancaram-lhe as vestes, jogaram-na de bruços em terra, ataram as duas mãos e os dois pés a quatro postes, e oito homens fortes açoitaram-na até a fadiga. Incompreensivelmente a santa não morreu. Nem sequer perdeu o conhecimento, nem por um instante. E continuou firme a proclamar que não adoraria a nenhum outro deus senão ao único Deus verdadeiro, Jesus Cristo. Eumênio, pai do tirano Alexandre Severo, mandou dizer ao imperador que jogasse óleo fervente sobre as inumeráveis feridas da jovem, assim morreria… de dor. Mas no mesmo instante que o óleo fervente caiu sobre o corpo de Santa Martina todos viram um clarão, ouviram uma música sacra (ninguém poderá sensatamente negar que foram no mínimo especialmente providenciais fotogênese e psicofonia!). E imediatamente todas as feridas sararam sem nem deixar a mínima cicatriz!18.

2) MUITO PARECIDO — Também no século III. Já falamos de Santa Restituta, no capítulo 1. O motivo pelo qual os guardiães se converteram ao cristianismo e pediram o batismo ao padre S. Ciril foi precisamente todos terem visto como, em meio a uma imensa luz que a rodeava, Santa Restituta sarou imediatamente de todas as violentíssimas feridas que afiadas unhas de aço, numa roda dentada, lhe infligiram profundamente por todo o corpo.

Os carcereiros recém-convertidos ao cristianismo, por ordem de Agácio, foram decapitados. S. Ciril e Santa Restituta foram lançados na fogueira, da qual saíram ilesos. E novas conversões entre os carrascos. Por fim, S. Ciril e Santa Restituta, junto com os antigos carrascos, foram decapitados.

Agácio mandou jogar secretamente as cabeças de todos os mártires no rio. Dias depois o venerável bispo Amâncio, em sonhos, conheceu o lugar exato onde estavam todas juntas dentro do rio Carnelo, apesar de jogadas no rio em diversos momentos e em diversos locais. E as enterrou em Sora junto com os respectivos corpos que os cristãos haviam recolhido logo após os martírios19.

— Também neste caso, como no de Santa Martina, ninguém sensato poderá deixar de considerar como, ao menos, especialmente providenciais, a “casualidade” ou a telecinesia para ficarem todas juntas as cabeças dos mártires, a fotogênese que envolveu Santa Restituta quando milagrosamente cicatrizaram todas suas feridas, e no sonho do bispo Amâncio a telepatia sobre mandantes ou executores ou testemunhas, ou a clarividência sobre a realidade final.

3) No mesmo século, concretamente no dia 5 de fevereiro do ano 254. O tirano foi Quintino, cônsul romano em Sicília. Durante a perseguição do imperador Décio.

Agata foi acusada de destacar-se no proselitismo cristão, negando a divindade do imperador. Quintino mandou prendê--la e trazê-la ao seu tribunal. Quando o juiz viu a linda jovem, esqueceu o crime de que a acusavam e propôs-lhe levá--la à sua casa. Agata recusou firmemente.

Por fim, Quintino chegou ao tema da acusação. Exigiu que renunciasse ao cristianismo e reconhecesse a divindade do imperador Décio. De modo algum. Agata então foi despida e suspendida pelos braços perante uma roda com unhas de ferro incandescentes. Enquanto a roda girava, ia se aproximando cada vez mais. Assim infligiram à jovem Agata dolorosíssimas e profundas arranhaduras, rasgões e queimaduras pelo corpo todo. No fim, arrancaram-lhe um dos seios. E assim lançaram-na ao cárcere.

No dia seguinte, enquanto Agata orava e meditava na perseguição sofrida pelo menino Jesus e no cárcere sofrido por S. Pedro, ficou completamente curada. Quando foi levada ao tribunal de Quintino, todos ficaram admirados: Santa Agata recuperara o seio, e todas as feridas e queimaduras haviam desaparecido, sem deixar nenhuma marca.

Começando o povo a amotinar-se, o tirano teve de mandar a santa de novo à priS., de onde durante a oração passou à felicidade indescritível e eterna com Deus20.

Por exemplo no século IV

UM CASO QUASE IDÊNTICO — Os imperadores Diocleciano e Maximiano incumbiram a Riciovaro erradicar da França o cristianismo. Mas seu primeiro fracasso foi perante a constância de uma jovem, Macra de Reims. Apelando ao “Único Divino e Eterno Imperador”, Macra desafiou o juiz, garantindo que “nenhum poder humano pode me fazer abjurar minha fé”.

Então o juiz mandou que a despissem completamente e a jogassem na fogueira. As queimaduras foram horríveis e generalizadas por todo o corpo, mas Macra não deu sinal algum de sofrimento. Espantado o juiz por essa “magia” de insensibilidade, mandou ao carrasco arrancar pela raiz os seios da jovem. Após este cruel castigo, mandou-a de novo à priS. para que pensasse o que lhe haveria de responder no dia seguinte…

Na manhã seguinte Riciovaro ficou atônito: Que “magia” tão poderosa havia conseguido devolver à jovem toda sua beleza, devolver-lhe ambos os seios e curar as queimaduras, de forma que não ficasse a mínima marca? “Foi Jesus Cristo, meu Senhor” — respondeu Macra — , “a quem eu obedeço, e jamais em oposição a Ele obedecerei a outro imperador.”

Exacerbado ao máximo de seu sadismo, o juiz mandou então que a fizessem rolar nua sobre cacos de louça. Santa Macra não deu sinais de dor alguma. Anelava dar a vida pelo único Divino Imperador, que antes dera Sua vida pelos homens. Riciovaro mandou que a rasgassem toda com ferros incandescentes. Até a morte. E assim morreu Santa Macra, no ano 305, e os cristãos aprenderam a defender heroicamente sua fé, e seu número aumentou consideravelmente na França21.

[continua]
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