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Tudo
predeterminado absolutamente? 1º)
LEIS METAFÍSICAS E MATEMÁTICAS —
Jean Jacques Rousseau chegou a pôr na boca da sua personagem “inspirada” esta
espantosa tolice: *** “A razão nos mostra que o todo é maior que a
parte; mas eu posso vos afirmar em nome de Deus que é a parte que é maior que o
todo”7. Tal extravagância seria o
milagre! Pelo milagre o verdadeiro poderia ser falso, existiriam circunferências
quadradas, dois mais dois poderiam não ser quatro, etc. — Só na cabeça de um racionalista o milagre seria
isso. Fingem supor que o milagre subverte tudo, até o metafísico! Contrapor o
milagre ao determinismo absoluto, como pretendem os racionalistas e modernistas,
é no mínimo piada bufa. Os racionalistas fingiram — e os modernistas
repetiram com tanta irreflexão como o eco — confundir a natureza física
precisamente com o que não tem nada de físico: a metafísica e as matemáticas. O
milagre refere-se às coisas físicas, observáveis, do nosso mundo. Só as leis
matemáticas ou metafísicas estão dentro do determinismo absoluto, não admitem
exceções, postas as premissas o resultado não pode ser diferente. Aqui na Terra
como lá no Céu, para o homem como para o Criador, dois vezes dois não podem ser
sete, a parte é menor que o todo, no círculo todos os pontos eqüidistam do
centro, Deus não pode deixar de ser Deus etc. etc. E raciocinando com o
princípio de contradição vão-se sucedendo deduções
infalivelmente. 2º)
LEIS FÍSICAS E MORAIS — Mas o
fenômeno supranormal é um acontecimento no campo do físico e do
moral. *** Os racionalistas dizem que ciência é a
faculdade de predizer infalivelmente os efeitos dos agentes da natureza por seu
determinismo absoluto. — Então, e para começar pelo campo das leis
morais, nem homens nem animais estariam englobados nos “agentes da natureza”!
Nem pertenceriam à ciência! Porque qualquer um pode fazer uma lista enorme de
possíveis comportamentos do homem, mesmo das criancinhas, e inclusive dos
animais, que nem todos os adivinhos e racionalistas-”cientistas” do mundo juntos
conseguirão predizê-los todos infalivelmente! 3º)
COLIS. DE LEIS — Por lei física
se entende a inclinação que cada
causa do mundo exclusivamente material, ou enquanto material, tem para produzir os mesmos efeitos próprios.
Isto objetivamente. Subjetivamente, leis S. as formulações dessa relação constante ou
tendência entre as causas e seus efeitos. É evidente que o milagre não nega as leis. Mas as
leis constituem um determinismo relativo. Toda lei física admite
exceções. Isto é, a lei, a inclinação, permanece a mesma, mas o efeito não se
realiza. Outra causa pode impedir a realização daquele efeito. Os objetos
pesados tendem a cair se alguma outra força não os segurar; os perais tendem a
produzir peras e não ameixas, mas o frio pode impedir a floração e o fruto; os
gases tendem a se expandir, mas podem ser comprimidos mecanicamente etc. etc. A
soma de duas causas de movimento pode dar como resultado a
imobilidade. É freqüentíssimo no mundo físico que a intervenção
de outra força impeça ou modifique o
efeito a que tende esta ou aquela causa. Cada força física não age
independentemente de todas as outras. As leis físicas haveria que formulá-las
sempre condicionadas ou em dependência umas das outras8. Não é possível que os racionalistas “científicos”
sejam tão ignorantes a ponto de ignorar tudo o que acabamos de resumir.
Admirável é que os modernistas e que o ambiente culto hajam se deixado arrastar
por tamanhas tergiversações e imbecilidades. Tão disparatado é querer modificar
uma lei matemática ou metafísica como querer equiparar a elas as leis físicas e
morais. Quem o pretender é louco ou usa de vergonhosa má vontade. Como
qualificar os racionalistas? E os modernistas? E as pessoas cultas que se
deixaram arrastar pela correnteza ambiente? 4º)
NATUREZA FECHADA É APRIORISMO —
Ora, dado que continuamente causas meramente físicas, como também os animais e o
homem, intervêm na aplicação ou não da tendência ou efeitos das leis da
natureza, só um louco ou um mal-intencionado pode pretender negar essa
possibilidade precisamente à Causa Primeira. O milagre. Como escreve o “Mestre
das Escolas”, S. Tomás: “Assim, pois, se uma causa criada, sem que afete à
(Divina) Providência como tal, pode fazer que a ordem natural cambie do que é
freqüente ao que é raro, com muito maior razão, sem afetar à (Divina)
Providência a potência divina pode operar alguma vez fora da ordem imposta aos
agentes naturais”9. Em plena efervescência dos racionalistas,
reclamava contra eles e os ensinava a filosofar, a partir dos fatos, um escritor
inglês muito estimado pela profundidade e imparcialidade do seu raciocínio: “Se
(apesar) da natureza ser uniforme (nas suas tendências ou leis), o
livre-arbítrio do homem é verdadeiramente uma força (que pode intervir quando
quiser), é necessário reconhecer (com muito mais razão) a existência de uma
Força Sobrenatural agindo sobre a matéria, da (regularidade da) qual (Ele) é
essencialmente independente”. “Porque todo (pensador) lógico que admite o poder
de tal vontade (livre), deve admitir não somente a possibilidade dos milagres,
senão também a realidade da sua ocorrência atual, nos nossos dias. Todo ato da
liberdade humana (agindo na natureza; e mesmo considerado em si mesmo, na
própria liberdade) é, a rigor (contra o “argumento” racionalista do determinismo
absoluto), um verdadeiro milagre (intervenção de outra força). Só que este
milagre (no que se refere à liberdade em si mesma) tem lugar no estreito
confinamento do crânio. As moléculas do cérebro estão arranjadas, dispostas de
uma maneira especial pela influência sobrenatural (do Criador que assim as
organizou; ora, no ato livre humano), seus movimentos automáticos naturais S.
suspendidos, uma força diferente (anímica, espiritual) intervém para
imprimir-lhes uma direção”. “Sem dúvidas, na linguagem comum a palavra milagre
é mais restrita, mas com referência à natureza é essencialmente a mesma coisa.
Isso a que se chama comumente milagres S. atos, não da livre vontade do homem
que altera os movimentos automáticos do cérebro, senão da livre vontade de Deus,
que altera os movimentos automáticos da matéria fora do crânio, da mesma maneira
que a livre vontade do homem altera os movimentos automáticos do cérebro dentro
do crânio. Uma vez admitida a livre vontade do homem, a impossibilidade e
inclusive a improbabilidade do milagre se desvanecem”. “A Ciência (ao demostrar o livre-arbítrio) tem
projetado sobre esta questão (do milagre) uma luz imensa e insuspeitada. Se a
realidade é como penso, quando afirmo que lanço uma pedra porque escolho
lançá-la, ou que detenho uma pedra que rola porque escolhi detê-la, introduzo no
universo material, ao agir assim sobre a matéria, uma alteração de natureza
exatamente igual, salvo pelas dimensões, à que produziu Josué (se houvermos de
interpretar este milagre ao pé da letra) detendo a lua sobre Aialon”10. “Josué
falou a Iahweh no dia em que Iahweh entregou os
amorreus aos filhos de Israel. Disse Josué na presença de Israel: ‘Sol, detém-te
em Gabaon, e tu, lua, no vale de Aialon!’ E o sol se deteve e a lua ficou imóvel
até que o povo se vingou dos seus inimigos” (Js
10,12). Como escreveu meu saudoso professor pe. Riaza,
grande físico e filósofo: O cientista que admita que tudo tem de ser natural “o
admitirá sem demonstração, a priori,
pois nunca demonstrará no seu campo científico que o Criador não possa intervir
no desenrolar dos acontecimentos do mundo. Admite (pior que) como um dogma (só
que o dogma tem fundamento) a impossibilidade do milagre: ‘Examinar os fatos que
se apresentam como milagrosos? Para que perder tempo!’”11. Mas essa posição do racionalista
”cientista” é hilariante e anticientífico apriorismo. O menos que cabe esperar
de quem se apresenta como cientista é que examine os
fatos! 5º) A
CIENCIA É ESPELHO — Continuam
babando os racionalistas: *** Ora, aceitando a possibilidade da intervenção
de um ser sobrenatural, acabaria toda capacidade de previS.. Acabaria a ciência
se as leis da natureza não fossem absolutamente imutáveis. Portanto, o milagre é
impossível! — Isso é fazer da ciência um molde, ao qual deve
adaptar-se o conhecimento e tomar a forma preestabelecida… aprioristicamente
pelos racionalistas! Mas a ciência não é um molde, é um espelho puríssimo que
deve refletir a realidade com a maior exatidão possível. Em tanto quanto se
acomode à realidade é que há ciência. Em tanto quanto a “ciência” distorce a
realidade é erro. Se há ou não intervenção de Deus na natureza é a ciência que
deve refleti-lo. Nem a afirmação nem a negação podem ser simplesmente
pressupostas. Esta objeção racionalista contra o milagre tem
muitos pontos de contato com a seguinte, e podem ser refutadas também
conjuntamente. * Centro Latino-Americano de Parapsicologia - Portugal®: http://www.terravista.pt/Mussulo/1287/ ******************************************************************* |
