NADA CONTRA OS MILAGRES — A respeito dos casos supranormais, será que alguma pessoa equilibrada ou ao menos não completamente louca pensará na objeção racionalista do “movimento browniano” ou das “probabilidades estatísticas”?

Há muitos monoblocos que aplastram, como todas as outras, também esta “curiosa” objeção do indeterminismo. A título de exemplo e por simples associação de imagens com as quedas de muralhas e com a recém-empregada imagem “monoblocos que aplastram”, escolho o monobloco “derrocada de ídolos e altares”:

NA BÍBLIA. O ÍDOLO — “Assim que os filisteus se apossaram da Arca de Deus, levaram-na de Ebenezer a Azoto. Os filisteus pegaram a Arca de Deus e a introduziram no templo de Dagon e a depositaram ao lado de Dagon. Quando os azotitas se levantaram na manhã do dia seguinte e vieram ao templo de Dagon, eis que Dagon estava caído, com o rosto em terra, diante da Arca de Iahweh”.

“Tomaram Dagon e o puseram novamente no seu lugar. Mas quando se levantaram muito cedo na manhã seguinte eis que Dagon estava caído com o rosto no chão diante da Arca de Iahweh, e a cabeça de Dagon e as duas mãos, cortadas, jaziam à entrada. Só o tronco de Dagon restava no seu lugar. Por isso é que os sacerdotes de Dagon e todos os que entram no seu templo não pisam no limiar de Dagon em Azoto até o dia de hoje” (1Sm 5,1-5).

NA BÍBLIA. O ALTAR — “Jeroboão refletiu consigo mesmo: ‘Desse jeito, o reino pode voltar à casa de Davi. Se este povo continua subindo ao Templo de Iahweh, em Jerusalém, para oferecer sacrifícios, o coração do povo se voltará para seu senhor, Roboão, rei de Judá, e matar-me-ão’.”

“Depois de ter pedido conselho, fez dois bezerros de ouro e disse ao povo: ‘Deixai de subir a Jerusalém! Israel, eis o teu deus que te fez sair da terra de Egito’. Erigiu um em Betel, e o povo foi em procisS. diante do outro até Dã. Estabeleceu o templo dos lugares altos, e designou como sacerdotes homens tirados do povo” (…)

“Jeroboão celebrou uma festa (…) à semelhança da que se celebrava em Judá, e subiu ao altar. Assim fez ele em Betel, sacrificando aos bezerros que fizera e estabeleceu em Betel os sacerdotes dos lugares altos que instituíra. Subiu ao altar que tinha feito (…) no mês que ele escolhera arbitrariamente; instituiu uma festa para os filhos de Israel e subiu ao altar para queimar incenso.”

“E eis que um homem de Deus chegou de Judá a Betel, por ordem de Iahweh, no momento em que Jeroboão estava de pé diante do altar para queimar incenso, e por ordem de Iahweh gritou contra o altar (…) Ele deu um sinal dizendo: ‘Este é o sinal de que Iahweh falou: Este altar vai se fender e se espalhará a cinza que está por cima dele’. Quando o rei ouviu o que o homem de Deus bradava contra o altar de Betel (…), disse: ‘Agarrai-o!’” (…)

“O altar se fendeu e as cinzas do altar se espalharam, conforme o sinal que dera o homem de Deus, por ordem de Iahweh. Então o rei tomou a palavra e disse ao homem de Deus: ‘Aplaca, eu te peço, Iahweh teu Deus’(…) O homem de Deus aplacou Iahweh (…) O rei disse ao homem de Deus: ‘Vem comigo a minha casa para refazeres tuas forças e te darei um presente’. Mas o homem de Deus disse ao rei: ‘Mesmo que me desses a metade de tua casa, não iria contigo. Nada comerei nem beberei neste lugar’ (…) E ele voltou por outro caminho” (1Rs 12,26-13,10).

— A telecinesia natural, além de não ser controlável, não conseguiria derrubar a enorme estátua de Dagon, nem quebrá-la ao meio, nem cortar-lhe a cabeça e ambas mãos. Também não poderia despedaçar um altar de pedras.

*** Os modernistas, perante estas descrições, imediatamente e sem provas acodem ao refúgio de “lendas bíblicas”.

— Quando não se pode “esquecer” alguns fatos — estão descritos nas Escrituras mais divulgadas do mundo —, é muito cômodo negar um por um cada fato que não se pode explicar naturalmente.

— É ainda mais cômodo desconhecer, ignorar, fechar olhos e ouvidos a todos os outros fatos supranormais de fora da Bíblia ao longo da história. Mas tal preconceito é sinônimo de mente obtusa ou doente. Perante qualquer pessoa ao menos um mínimo racional, as negações e disquisições dos racionalistas e modernistas nada valem. Neste determinado tipo de fenômenos supranormais —”derrocada de ídolos e altares”— ou em todos e cada um dos que chamamos monoblocos. Mesmo que só fosse pelo “efeito bumerangue”:

Século I

O APÓSTOLO DA ÍNDIA — O apóstolo S. Tomé foi conduzido por um marajá ao templo do deus Sol em Meliapur. O marajá mandou ao apóstolo adorar a imensa estátua metálica. Santo Tomé, dizendo que só adorava ao verdadeiro Deus, caiu de joelhos e em voz alta pediu a Jesus Cristo que destruísse em pedaços o ídolo, para que o povo soubesse quem era o verdadeiro Deus. E imediatamente a estátua de metal caiu do seu pedestal e se desfez em limalhas. Grande número de pessoas converteu-se ao cristianismo. Os sacerdotes do deus Sol, porém, decidiram matar o santo. Em Meliapur, enquanto pregava, Santo Tomé foi lapidado e por fim atravessado por uma lança deu a vida por seu Senhor21.

O COMPANHEIRO DE S. PAULO — Após a morte do apóstolo S. Paulo, seu companheiro o bispo S. Tito (+ 94) viajou à ilha de Creta para pregar a fé cristã. Mas encontrou muita oposição dos sacerdotes da deusa Diana.

Diante da multidão, S. Tito em alta voz pediu a Deus que fosse Ele testemunha da Sua Doutrina, e nesse mesmo momento a imensa estátua de Diana, a mais venerada deusa em Creta, ruiu por terra desfeita em pequeníssimos pedaços. Quinhentos cretenses, testemunhas do milagre, converteram-se ao cristianismo.

Numa outra oportunidade S. Tito, passando pelo local, viu consternado que os cretenses haviam reedificado o templo de Júpiter, que antes, ao converter-se ao cristianismo, eles mesmos haviam derrubado. S. Tito, invocando diante dos sacerdotes de Júpiter o nome de Jesus Cristo, provocou um terremoto com o qual o altar, a estátua e parte do prédio ruiram.

O procônsul Secundus, humilde e respeitoso pelo milagre, acudiu a S. Tito expondo-lhe que o imperador haveria de responsabilizá-lo, como máxima autoridade na ilha, por tão grande perda do templo que fora edificado com ajuda imperial.

S. Tito aconselhou ao procônsul que confiasse em Deus, e que inclusive reedificasse o templo, até mais solene, mas que o dedicasse a Jesus Cristo. Ao menos a parte artística estaria salva…

E assim foi feito, sendo o próprio procônsul solenemente batizado no novo templo cristão22.

Século II

O ENVIADO DE S. PEDRO — Era o ano 117. S. Julien, primeiro bispo de Mans, havia sido enviado pelo próprio apóstolo S. Pedro.

Sendo rodeado por um grupo de idólatras junto ao templo pagão, e sabendo que pretendiam matá-lo, corajosamente entrou no templo deles. Em desafio em nome de Cristo fez que o enorme ídolo com o altar ruíssem por terra, despedaçando-se pouco menos que em pó.

Milagre reconhecido pelos Bolandistas23.

O DISCÍPULO IMITA OS MESTRES — Em Senlis, a 38 quilômetros de Paris. Ano 130. S. Régulo entrou no suntuoso templo que os gaulenses pagãos levantaram a muitos dos seus deuses. O templo estava cheio de pessoas. S. Régulo pediu licença para falar e, em vez de exaltar, como todos esperavam, os deuses lá venerados, exortou os presentes a adorar o único verdadeiro Deus, invisível, onipotente, criador de todas as coisas, e Seu único Filho Jesus Cristo…

Houve consternação e estava começando o tumulto. Então, S. Régulo, como chamando a atenção de todos os supostos deuses, gritou contra eles o nome “Jesus!”, e imediatamente todas as numerosas estátuas de ídolos caíram por terra quebrando-se completamente e causando grandes destroços no templo.

A consternação, agora, e o pânico de todos chegou ao máximo, o que aproveitou S. Régulo para continuar a pregar com grande oratória a doutrina cristã.

O prefeito com sua esposa, centenas de pessoas e, o que é mais, todos os sacerdotes dos ídolos converteram-se ao cristianismo.

Após três dias de reformas, o magnífico templo estava transformado e dedicado à Sma. Virgem, e desde então chamado “Nossa Senhora dos Milagres”.

Em outra oportunidade S. Régulo repetiu a mesma cena derrubando e reduzindo a pedaços, só com o sinal-da-cruz e o nome de Jesus, a enorme estátua de Mercúrio no templo abarrotado, em Louvres, a 20 quilômetros de Paris. Também nesta oportunidade a multidão em bloco converteu-se ao cristianismo24.

Século III

* De Santa Martina já falamos no capítulo 8, e falaremos ainda dela no volume 6.

Foi no ano 226. O imperador Alexandre Severo, durante uma das suas perseguições aos cristãos, mandava à virgem Santa Martina, apesar ou talvez precisamente por ser filha de quem fora cônsul de Roma por três vezes, que oferecesse incenso no templo de Apolo. A santa em atitude desafiante primeiro negou-se a obedecer ao imperador, voltou-se depois com a mesma atitude desafiante à estátua de Apolo e fez contra ela o sinal-da-cruz. Imediatamente, num tremor de terra, o altar e as partes do templo ao redor do altar ficaram destruídas, e a estátua de Apolo caiu em pedaços ao chão25.

* Poucos anos mais tarde. Ano 250. Santa Eugênia, também filha de uma autoridade romana. Também durante uma perseguição imperial. Desterrada à ilha de Licaônia, lá o juiz romano mandou que oferecesse incenso a Júpiter, ou morreria. Em alta voz, de forma que todos os presentes no templo a ouvissem, exclamou Santa Eugênia: “Meu Deus, glorifica agora Teu nome e confunde todos os que adoram os ídolos e põem sua verdade em imagens fabricadas”. Também num terremoto, toda a área destinada aos sacrifícios, o altar e a estátua de Júpiter desabaram em pedaços26.

* No fim do século III, durante as perseguições sob a associação dos imperadores Diocleciano e Maximiano, Santa Lúcia saiu ilesa de brutais e sucessivos tormentos a que a submeteram. Já o vimos no capítulo anterior. Vem agora ao caso acrescentar outro milagre:

Santa Lúcia estava sendo levada de volta à priS., após um dos fracassados tormentos. As testemunhas e os próprios imperadores estavam impressionadíssimos com a “magia” cristã. Ao passar diante do ateliê de Germiniano, famoso construtor de estátuas, Santa Lúcia voltou-se para lá e fez o sinal-da-cruz: imediatamente os numerosos ídolos que estavam em exposição ruíram em pedaços por terra. Germiniano lá mesmo proclamou que dali em diante ele também era cristão.

Fez-se batizar. Poucos dias depois alcançava a coroa do martírio decapitado junto com Santa Lúcia27.

[Continua] 

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