Prezado Afrânio,
 
O novo imposto sobre gasolina que discutem, de verde só se for a alusão à cor do dólar.  É, na verdade, uma antecipação de um novo tipo de imposto, defendido por alguns, o imposto seletivo.  Penso que para se poder chamar um tributo de "verde", teria ele que ter nítido viés extra-fiscal, de indução ao uso racional ou à mudança nos padrões de consumo.
 
Lamentavelmente, o que parece é que teremos um "imposto preto", cor de asfalto, pois se destinará a dar dinheiro ao Min. dos Transportes para construir estradas....
 
GUSTAVO AMARAL
-----Mensagem original-----
De: [EMAIL PROTECTED] [mailto:[EMAIL PROTECTED]]Em nome de Afranio Nardy
Enviada em: Quinta-feira, 11 de Março de 1999 23:55
Para: [EMAIL PROTECTED]
Assunto: [DTOAMBIENTAL] Imposto Verde

 
    Caríssimos amigos da lista,
 
    Em recente artigo publicado no "Environmental Forum", Frank Arnold definiu os impostos sobre consumo de combustíveis fósseis como a musa dos economistas ambientais que nunca, entretanto, conseguiu sair da plancheta.
 
    Parece-me que toda essa cortina de fumaça ao redor do novo imposto sobre conbustíveis, acabará por nos obrigar a refletir com um pouco mais de seriedade sobre o papel dos mecanismos economicos de implementação de políticas ambientais.
 
    É certo que de verde este novoo tributo não tem absolutamente nada, pois nenhuma proposta séria de ecotributação poderia ser formulada sem vinculação com estudos de alternativas e metas pre-estabelecidas de indução de condutas ambientalmente adequadas (e.g. indicativos do nível esperado de adoção de fontes "limpas" de energia), além evidentemente de um conjunto de medidas de política setorial destinadas a reforçar os resultados esperados.
 
    Neste contexto é de se perguntar: Sem as premissas que permitiram se considerar o proposto tributo como um imposto verde, valeria a pena lutar para que a destinação de parte dos recursos a programas ambientais? Haveria efetivo ganho? O efeito positivo não seria diluido por futuros cortes de outras dotações orçamentárias, enquanto  a destinação nominal de recursos legitimaria a exação como "ambientalmente adequada"??
 
    Abraços a todos
 
    Afrânio

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