Olá Christian, não sei se foi essa a mensagem sobre Porto
Primavera que você recebeu, em todo caso transcrevo para seu
conhecimento.
Claudia Rocco
Uma Campanha do Instituto Ambiental
Vidágua
enviada a 1.200 formadores de opinião
Hoje será inaugurada a obra que causou o maior desastre ambiental ocorrido em todo o Brasil !
Hoje, dia 23 de fevereiro, o Governo Federal e o Governo do Estado de São Paulo inauguram o maior desastre sócio-ambiental dos últimos tempos em todo o Mundo: a Usina Hidrelétrica de Porto Primavera.
O Instituto Ambiental Vidágua, entidade civil, sem fins lucrativos,
vem a público pedir a todos os ambientalistas, pesquisadores e
cidadãos conscientes, que enviem mensagens de repúdio a esta
inauguração, um símbolo de corrupção e de
destruição do meio ambiente !
Conheça o desastre ambiental de Porto Primavera !
O governo gastou 19 bilhões de reais, em vinte anos, para construir a Usina Hidrelétrica de Porto Primavera, recém batizada de Sérgio Motta, situada no Rio Paraná, no município de Rosana, divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul. Vale ressaltar que com todo este dinheiro a obra ainda está incompleta, pois apenas 3 turbinas estão instaladas.
Este dinheiro dava para construir 35 estádios como o Maracanã
ou cerca de 400.000 escolas públicas de médio porte. Porém
o que mais chama a atenção é o tamanho do
reservatório de água (o maior reservatório artificial do
país), ocupando uma área de 2.250 quilômetros quadrados, 250
Km de comprimento, área equivalente a 7 Baías da Guanabara e 3
vezes o Reservatório de Itaipu, porém produzindo energia em
quantidade extremamente menor. Este reservatório é ocupa
aproximadamente 25 % de toda a área que já havia sido inundada no
Estado de são Paulo, pela CESP em seus outros 19 reservatórios.
Com esta obra. Milhares de espécies ameaçadas de
extinção desapareceram para sempre.
Produzirá com todas as suas turbinas instaladas um aumento de apenas
9 % de energia firme, ou seja, 900 megawatts. Se começasse a ser
construída hoje, esta obra nunca teria sido construída em virtude
da baixa produção de energia e dos altos impactos
ambientais.
Seu enchimento no final do ano passado, só foi possível
após uma grande batalha judicial. A CESP - Companhia Energética do
Estado, conseguiu derrubar a liminar da Justiça Federal de Presidente
Prudente - SP que impedia o enchimento e assim às pressas, em 7 de
novembro de 1998, inundou esta gigantesca área, abrigo de milhares de
espécies. A grande maioria acabou morrendo afogada, em virtude da
gigantesca área e do fracasso que foram as tentativas de captura
realizadas pela Companhia Energética, em virtude da região formada
por áreas alagadiças, matas fechadas e muitas ilhas de
difícil acesso.
Nesta região, submersa viviam milhares de Cervos do Pantanal, mais
de uma centena de Onças Pretas e Pardas e tantos outros bugios,
macacos-prego, jaguatiricas, tamanduás, gambás, cuícas,
pacas, cutias e tatus, que foram deixados à própria sorte,
desaparecendo para sempre. Milhares de espécies vegetais, muitas em
extinção, também nunca serão mais vistas ou
observadas.
Cerca de 118 sítios arqueológicos que eram símbolos da
passagem do homem pela região a milhares de anos, desapareceram submersos
no reservatório.
Muitas Unidades de Conservação sumiram do mapa sem deixar
qualquer vestígio, como a Lagoa São Paulo, um dos ecossistemas
mais ricos do Planeta. Além disso tudo diversos município foram
totalmente submersos, obrigando a comunidade fugir do enchimento do
reservatório.
Conheça o descaso da CESP - Comapanhia Energética do Estado de São Paulo para com o meio ambiente !
No dia 13 de agosto de 1998, o Instituto Ambiental Vidágua, entidade civil sem fins lucrativos, com a finalidade de desenvolver projetos e programa ambientais, protocolou no Centro de Apoio das Promotorias do Meio Ambiente, Ministério Público Paulista uma representação contra a CESP - Companhia Energética Paulista, com fortes denúncias de crimes contra o meio ambiente, contra o consumidor e de improbidade administrativa.
Cópia foi enviada ao CENACON - Centro de Apoio Operacional das
Promotorias de Justiça do Consumidor, que abriu inquérito para
investigar as irregularidades.
A CESP - Companhia Energética de São Paulo, tem gasto muitos
recursos de seu orçamento em publicidade e divulgação de
seu trabalho no setor ambiental. Todos estes recursos, caso fossem aplicados na
atenuação dos impactos ambientais decorrentes da
produção energética seriam muito bem utilizados.
Na ampla publicidade, realizada em revistas periódicas de grande
circulação, algumas das frases chegam realmente a chamar a
atenção: "Faz parte da política da CESP, respeitar o
meio para atingir o fim." "A CESP planta mudas, conserva
espécies, cria alevinos, faz reassentamento urbano, rural e de
pescadores." "A CESP respeita o meio ambiente para cumprir sua
missão: gerar energia proporcionando melhor qualidade de
vida".
Será que uma empresa que já inundou mais de 1.000.000 de
hectares de terras com matas-ciliares, florestas e áreas
agricultáveis, destruindo ou desequilibrando ecossistemas e extinguindo
espécies endêmicas da fauna e da flora, respeita o meio ambiente
?
Será que uma empresa que inundou uma área de 225.000 hectares
de varjões e matas-ciliares, em Porto Primavera, sem realizar
esforços efetivos para capturar e salvar a fauna silvestre respeita o
meio ambiente ?
Será que uma empresa que em vez de plantar mudas como diz a
publicidade, vende ou mesmo, transfere o ônus da recuperação
das margens dos reservatórios para os proprietários ribeirinhos.
Observando as margens dos Reservatórios da CESP, qualquer um
poderá observar a completa inexistência de reflorestamentos e de
mata ciliar.
O Instituto Ambiental Vidágua, conseguiu reunir algumas
informações sobre como a CESP respeita e cuida do meio ambiente em
suas 20 usinas hidrelétricas no Estado de São Paulo: (Paraibuna,
Jaguari, Corumbataí, Barra Bonita, Álvaro Souza Lima, Ibitinga,
Mário Lopes Leitão, Nova Avanhandava, Três Irmãos,
Ilha Solteira, Souza Dias, Água vermelha, Armando Salles de Oliveira,
Caconde, Porto Primavera, Rosana, Taquaruçu, Capivara, Lucas N. Garcez,
Xavantes e Armando Laydner), produzindo mais de 10 milhões de Quilowatts,
gerando 95% da energia do Estado de São Paulo e 22 % da do
país.
Destas 20 usinas, apenas 5 possuem viveiros de mudas (Paraibuna,
Promissão, Jupiá, Ilha Solteira e Porto Primavera), em apenas 5
reservatórios a atividade da aqüicultura e da hidrobiologia é
desenvolvida através de estações de aqüicultura
(Paraibuna, Barra Bonita, Promissão, Salto Grande e Jupiá), apenas
3 possuem núcleos de educação ambiental (Paraibuna,
Promissão e Ilha Solteira), e possui apenas 1 núcleo de fauna
silvestre (Paraibuna) e uma única possui 1 Parque Zoológico (Ilha
Solteira), e um dado preocupante a quase totalidade não tem escadas para
peixes de piracema. Ou seja a grande maioria dos reservatórios não
apresenta a mínima estrutura de controle ambiental ou desenvolve qualquer
atividade ambiental.
Segundo levantamentos do Instituto Ambiental Vidágua a CESP afirma
em sua publicidade que promove a criação de alevinos. Só
não diz o que faz com os alevinos. Em apenas 5 reservatórios a
atividade da aqüicultura e da hidrobiologia é desenvolvida
(Paraibuna, Barra Bonita, Promissão, Salto Grande e Jupiá), e hoje
grande parte dos alevinos são comercializados para produtores rurais,
prefeituras, donos de criações comerciais ou para os populares
PESQUES-PAGUES .
Analisando relatórios da própria CESP, constatamos que a
CESP, durante muito tempo se utilizou de espécies exóticas, de
outras Bacias Hidrográficas, de peixes para repovoar alguns
reservatórios no Estado de São Paulo, como a Tilápia do
Nilo, a Carpa, a Sardinha de Água Doce, o Apaiari, o Trairão, a
Pescada do Piauí e até mesmo a Truta-Arco-Íris. Até
1995 foram 28.564.900 Tilápias do Nilo, 457.600 Apaiaris, 5.213.600
Carpas, 14.777.320 Sardinhas de Água Doce e 385.500 Trairões, sem
contar as 224.900 Trutas soltas pela CESP no reservatório de Paraibuna.
Neste mesmo período apenas 45.492 Dourados foram soltos, um peixe
ameaçado pela falta de escadas.
Neste sentido os dados apresentados mostram uma situação de
gravidade e de descaso com o meio ambiente e que precisa mudar !
O Instituto Ambiental Vidágua repudia esta Obra e você ?
Envie correspondência, fax, e-mail ou mesmo telefone, expressando sua
indignação e seu repúdio para a inauguração
desta obra, símbolo da ditadura militar e do descaso com o dinheiro
público e com o meio ambiente.
O Vidágua ainda está requisitando a todos que peçam a demissão do Diretor de Meio Ambiente da CESP, que vem desrespeitando de todas as formas possíveis nosso meio ambiente, negando e omitindo informações sobre o desastre ambiental.
Abaixo listamos alguns endereços, telefones, fax, e e-mails de autoridades, que participarão desta inauguração ou que merecem ouvir nossos protestos de indignação.
Fernando Henrique Cardoso - Presidência da República
Para Michel Temer - Câmara dos Deputados
Para Antonio Carlos Magalhães - SENADO FEDERAL
Para o Secretário de Estado de Comunicação do
Governo
Angelo Andrea Matarazzo - [EMAIL PROTECTED]
(Que foi presidente da CESP no período de janeiro de 1995 a janeiro
de 1998)
Ministro de Minas e Energia
Rodolpho Tourinho Neto
(061) 3195041, 3195043 e fax (061)2261866
Mário Covas - Governador do Estado
Palácio dos Bandeirantes - Av. Morumbi 4500
São Paulo - SP
CEP 05698 - 900
Tel (011) 845-3344, 8453000 e Fax (011) 8453301
CESP - Companhia Energética do Estado de São Paulo
Presidente Guilherme Augusto Cirne de Toledo
Al. Min. Rocha Azevedo 25 - São Paulo - SP
CEP 01410-900
Atenciosamente,
Rodrigo Antonio de Agostinho
Secretário Executivo do Instituto Ambiental Vidágua
--------------------------------------------------------------------------------
Acesse o site do Instituto Ambiental Vidágua, a mais completa
página ambiental da WEB no Brasil, contendo legislação
ambiental completa, educação ambiental e a maior lista de links
ambientais do Brasil !
Http://home.techno.com.br/vidagua
-----Mensagem original-----
De: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>
Para: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>
Data: Quinta-feira, 8 de Abril de 1999 13:16
Assunto: [DTOAMBIENTAL] Porto Primavera
>-----------------------------------------------De: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>
Para: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>
Data: Quinta-feira, 8 de Abril de 1999 13:16
Assunto: [DTOAMBIENTAL] Porto Primavera
>Lista: dtoambiental (Fique atento: dicas no rodape!)
>Mensagem enviada por: [EMAIL PROTECTED]
>----------------------------------------------
>
>
> Caros Colegas desta valiosa lista,
>
> Recebi a cerca de um mes atras uma mensagem sobre o impacto ambiental
> causado pela Usina Hidroelétrica de Porto Primavera, e verifiquei que
> n¦o a guardei em nenhuma pasta.
> Tenho grande necessidade e interesse em rever a mensagem, peço que
> quem a enviou ou a tenha salvado, enviar-me novamente. Peço ainda a
> indicaç¦o de novos fatos sobre a quest¦o, e eventuais medidas legais
> relacionadas com a usina.
> Agradecido,
>
> Christian Wiesenthal
>-
>-------------------------------------------
>Dicas:
>1. Duvidas e instrucoes diversas, procure por Listas em:
>http://www.pegasus.com.br
>2. Treinamento a distancia: Redes TCP/IP: Teoria e Pratica
>http://www.ganymede.com.br
>
