Sinto a necessidade de expressar meu grande descontentamento com os últimos acontecimentos em relação à escolha da cidade que sediará o Congresso Nacional de Estudantes de Computação (ENECOMP) no ano de 2013. Além disso, sinto, também, que é necessário explicar à comunidade da Faculdade de Computação que, nos últimos dois meses, se movimentou para receber o evento. Recepção, essa, que não ocorrerá. E que não ocorrerá por erro nosso, do Diretório Acadêmico da Computação.
A Executiva Nacional de Estudantes de Computação (ENEC), supostamente, representa os estudantes da área de Computação de todo o Brasil. Supostamente, porque a ENEC tem, sistematicamente, fracassado. Em 2010, não houve o devido à inexistência de cidades candidatas. A cidade que sediaria o ENECOMP 2010, Belo Horizonte, retirou-se do projeto depois de ser escolhida. Em 2011, o ENECOMP aconteceu na cidade de Natal, pegando carona com o Congresso da Sociedade Brasileira de Computação, e contou com a presença de cerca de 40 estudantes, sendo que apenas 14 (Sim, só *quatorze*!) delegados estavam presentes na Assembleia Final que elegeu sua Diretoria Executiva. Nessa Diretoria, estava o estudante de Ciência da Computação da UFU, Reynaldo Allan Fulin, como vice-presidente. Em paralelo, à Executiva, o DACOMP UFU realizava, juntamente com seus parceiros, em 2011, sua 4° edição da Jornada da Computação. O evento segue o crescimento da Faculdade de Computação da UFU e, a cada ano, está maior. A 4° Jornada recebeu cerca de 350 estudantes da Universidade Federal de Uberlândia, dos cursos de Ciência da Computação e de Sistemas de Informação. Foi nessa época que eu e mais várias pessoas começamos a participar do Diretório Acadêmico, uma vez que é a principal atividade da gestão anual do DA e é uma excelente oportunidade de aproximar o curso do trabalho da entidade. Devido a essa enorme discrepância entre o Encontro Nacional e o nosso evento local, o DACOMP UFU realizou, no segundo semestre de 2011, uma assembeia, com a presença de 110 estudantes, (só um pouco mais que os 14 da Assembleia Nacional) a qual decidiu que nos candidataríamos para sediarmos o ENECOMP 2012, junto à nossa Jornada da Computação, como forma de ajudar a ENEC a levantar-se de sua cova. Encarregado de montar o projeto, ficou o então vice-presidente da Executiva, Reynaldo Allan. Entretanto, o projeto não foi feito e, por mais que houvesse cobrança por parte da diretoria do DACOMP UFU e até oferta de ajuda, ficamos sem a candidatura para o Congresso Nacional de 2012. Além disso, nenhuma outra cidade se candidatou. Em 2012, tivemos alguns imprevistos para a realização da 5° Jornada de Computação. Algumas divergências e falta de comunicação com o coordenador do curso de Sistemas de Informação, Prof. Dr. Daniel Gomes Mesquita, resultou no Colegiado de Sistemas de Informação não aprovasse a substituição de atividades dos estudantes de seu curso e, portanto, os estudantes de SI não foram liberados de suas aulas para participarem da Jornada. Mesmo assim, nosso evento cresceu mais uma vez, com 400 participantes. Para comparação, o maior ENECOMP do qual temos notícia, recebeu apenas 350 estudantes, marca a qual atingimos em 2011. Com o objetivo de evitar que casos como esse, do curso de Sistemas de Informação, acontecesse novamente – e, ainda *suspeito*, de cercear um pouco a autonomia das entidades estudantis – foi criada uma Comissão de Eventos da FACOM, presidida pelo Prof. Daniel e cujo representante discente é o Presidente do DACOMP, Heldson Luiz da Silva. No dia 10 de agosto de 2012, enviei um e-mail para a lista da ENEC. No site da Executiva, nas regras de candidatura, consta a seguinte regra: “Os organizadores de cada uma das candidaturas deverão disponibilizar no site da ENEC o projeto completo ANTES do dia _a definir_ para que os estudantes possam analisar as propostas.” O problema é que a edição do site da Executiva é fechado para poucas pessoas e, portanto, somente essas poucas pessoas podem inscrever suas cidades. Dessa forma, foi enviada, para a lista da ENEC, uma espécie de pré-candidatura, com as informações mais importantes. Equipe organizadora, estrutura física, transporte, patrocínio... Depois de 5 anos, o pessoal do DACOMP UFU já tem prática para montar esse tipo de projeto. Nessa época, estávamos em plena greve nas Universidades Federais. Os professores de quase todo o país paralisaram suas atividades para lutar por suas reivindicações e, no meio dessa conjuntura, era absolutamente impossível articular qualquer coisa sobre o Congresso. Quando voltamos às aulas, além de já estarmos em época de fim de semestre, que cobra muito esforço e dedicação tanto de alunos quanto de docentes, estávamos em época de campanha eleitoral para a próxima gestão da reitoria da UFU. Esses dois fatos somados atrapalharam que acontecesse uma reunião da Comissão de Eventos para que pudéssemos lançar a candidatura com uma *data* para o evento. Uma vez que estávamos presos a essa Comissão inoperante, não pudemos lançar candidatura. No dia 18 de novembro, há 12 dias atrás, no meio do nosso recesso e a uma semana do início do semestre letivo 2012-2 na UFU, a partir do Calendário de Reposição, um Conselheiro Fiscal da ENEC enviou o *primeiro* contato da Executiva com o DACOMP UFU depois que nós entramos em contato com eles. Nesse e-mail, ele cobrava nossa candidatura e dizia que, no dia seguinte, encaminharia um projeto de candidatura de uma cidade baiana. Eu, ingenuamente, mandei um e-mail explicando nossa situação, finalizado com “Se a Bahia for lançar uma candidatura também, ótimo, poderemos comparar as duas cidades para ver qual melhor atenderá às expectativas do evento.” Uma vez que a Diretoria da ENEC não atuou em *absolutamente nada* durante esse último ano devido à conjuntura na qual a Executiva se encontra, esse Conselheiro Fiscal decidiu, por conta própria, não sei com que autoridade, que o prazo para a entrega dos projetos seria de 10 dias e que seria feita uma espécie de “Assembleia Virtual” pelo Facebook. Ainda disse que nós, da UFU, não estávamos usando o “bom senso”, que deveríamos rever nossa candidatura para 2014, pois somos incapazes de realizar o evento para o ano que vem. E foi aí que a Diretoria do DACOMP UFU começou a errar, como disse anteriormente. Nós erramos porque corremos atrás de estudantes dos cursos de Sistemas de Informação e de Redes de Computadores da Unitri e dos cursos de Licenciatura em Computação e de Tecnologia em Sistemas para Internet do IFTM. Nós erramos porque marcamos reunião com o Gestor de Curso da área das tecnologias e com o Pró-Reitor de Graduação da Unitri. Nós erramos porque nos preocupamos em assegurar a estadia das pessoas que viajariam para nossa cidade estariam bem alojadas. Nós erramos porque, ao invés de gastarmos nossos esforços para fazer um bom projeto, deveríamos ter simplesmente nos movimentado para a “Assembleia Virtual”. Entregamos o nosso projeto no prazo estabelecido. No entanto, as *mesmas* pessoas que decidiram, por conta própria, qual seria o prazo para entrega do projeto, não o respeitaram. Os projetos deveriam ser entregues até dia 29 de novembro, às 17h, no site da ENEC. O projeto da cidade de Vitória da Conquista não foi postado no site, mas foi enviado à lista da Executiva às 21:16h, pouquíssimo antes da “Assembleia”. O nosso projeto sequer foi lido. Não fizemos nenhuma movimentação entre os estudantes da UFU para participarem dessa Assembleia porque realmente acreditamos que as propostas seriam analisadas e que a busca pelo melhor da Executiva era a meta de todos. Ao invés disso, o que nos deparamos foi com um espaço onde sequer sabia-se com quem você estava falando. Não havia nenhuma forma de saber se a pessoa que estava na assembleia era mesmo estudante de Computação. Sequer havia uma forma de saber se havia uma mesma pessoa com mais de um login. Dessa forma, pipocaram “pessoas” da UESB na “Assembleia”. Ao perceber que não haveria nenhum debate sobre as propostas, mas que a cidade sede seria a com maior quantidade de logins, tentamos fazer uma divulgação de última hora. Mesmo tendo aula marcada para às 7:10h do dia seguinte, vários estudantes da UFU e até alguns da Unitri participaram da “Assembleia”. Em vão, uma vez que ninguém estava lá para debater e a decisão já estava tomada desde antes. A presidência da “Assembleia” estava completamente despreparada. Os membros e ex-membros da Diretoria da Executiva, pessoas as quais se esperava maior análise sobre os projetos, estavam meramente defendendo suas regiões, numa polarização Norte X Sul que vai de encontro a todo o discurso bonitinho e florido de união que faziam. Visto que o processo já estava todo tratorado e em meio a tantas ofensas a nosso Diretório Acadêmico, eleito e reconhecido pelos estudantes de Ciência da Computação da Universidade Federal de Uberlândia, até a ofensas pessoais a mim e a outros estudantes da UFU que estavam participando da reunião, retirei a proposta da cidade de Uberlândia de sediar o ENECOMP 2013. Não guardo rancor à defunta diretoria da ENEC. Também não torço negativamente para o ENECOMP 2013 em Vitória da Conquista. Espero, sinceramente, que as pessoas que participam desses espaços percebam que atacar Entidades de Base não é a melhor forma de “movimentar os estudantes”, justificativa dada. Movimenta-se os estudantes de Computação para debaterem sobre o Marco Civil da Internet, o AI-5 Digital ou até sobre o novo programa lançado pelo Governo Federal chamado TI Maior, que investirá na produção de softwares nacional, mas que encontra vários problemas em sua formulação. Pode-se até pegar, por exemplo, a pauta amplamente defendida pela Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação Social sobre Democratização da Mídia, creio que ela encaixe muito bem na ENEC. Mas não mandando todo mundo logar num chat de madrugada pra votar na própria cidade e atacar a outra “cidade inimiga”. Obrigado ao Prof. Dr. Daniel Mesquita, presidente de Comissão de Eventos, que, apesar de tardiamente, apoiou com muito ânimo esse projeto. Obrigado ao colega Reynaldo Allan Fulin, que apesar de tudo, tem boas intenções. Obrigado a todos do DACOMP UFU que trabalham diariamente para melhorar o curso de Computação da UFU e a Jornada da Computação – Sempre fizemos Jornadas excelentes e tenho certeza que a 6° edição não será diferente, independente de uma Executiva morta. Obrigado especialmente a todos os estudantes que ficaram até de madrugada acompanhando o que já estava óbvio que não daria certo. E obrigado pela atenção e pela paciência de ler um texto tão longo, Max Pereira Ziller, Diretor Político do Diretório Acadêmico da Computação 30 de novembro de 2012 -- Max Pereira Ziller Diretor Político do Diretório Acadêmico da Computação - DACOMP Conselheiro no Conselho Universitário - CONSUN Graduando em Ciência da Computação Universidade Federal de Uberlândia - UFU
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