Gente, perdoem-me se estou repetindo o convite (tenho impressão que já
enviei, mas não estou certa)
Mas este grupo me parece uma das melhores iniciativas do gênero nos
últimos tempo... Talvez seja muita empolgação, mas vou conferir.
http://culturadigital.br/
Por coincidência, o texto abaixo é de um carinha de Niterói, esta terra
maravilhosa!!!
Uma 'Cultura Digital Participativa'
"*/O software livre é uma possibilidade dessa meninada reinventar coisas
que precisam ser reinventadas./*"
Lula da Silva -- Discurso proferido no 10.FISL, POA, jun/2009
*Cultura digital é um termo novo*, emergente. Vem sendo apropriado por
diferentes setores, e incorpora perspectivas diversas sobre o impacto
das tecnologias digitais e da conexão em rede na sociedade. Interessa ao
Ministério da Cultura convocar uma reflexão coletiva ampla sobre estas
perspectivas, fomentando a participação de todos os interessados em um
processo inovador de construção colaborativa das políticas públicas para
o digital.
O barateamento do computador pessoal e do telefone celular, aliado à
rápida evolução das aplicações em software livre e dos serviços
gratuitos na rede, promoveu uma radical democratização no acesso a novos
meios de produção e de acesso ao conhecimento. A digitalização da
cultura, somada à corrida global para conectar todos a tudo, o tempo
todo, torna o fato histórico das redes abertas algo demasiadamente
importante, o que demanda uma reflexão específica.
Recente *debate
<http://lessig.org/blog/2009/05/on_socialism_round_ii.html>* na
blogosfera em torno de um artigo da revista Wired --- "*The New
Socialism
<http://www.wired.com/culture/culturereviews/magazine/17-06/nep_newsocialism?currentPage=all>*",
de Kevin Kelly --- levantou a questão da falta de termos adequados para
comunicar os fenômenos em curso no âmbito das redes. A resignificação do
termo 'socialismo' para se referir aos arranjos inovadores de
compartilhamento e colaboração típicos dos coletivos conectados pela
internet gerou controvérsia e foi contestada de forma *veemente
<http://lessig.org/blog/2009/05/et_tu_kk_aka_no_kevin_this_is.html>* por
Lawrence Lessig, jurista norte-americano conhecido por seu ativismo na
revisão das leis de direito autoral.
Lessig argumenta que estamos diante de algo totalmente novo, e que não é
adequado reutilizar termos carregados com significados anteriores para
descrever o cenário atual. Sua preocupação parece estar ligada à noção
tipicamente norte-americana que estabelece uma razão direta entre a
autonomia dos indivíduos e o poder do estado, essência da disputa
clássica entre direita e esquerda. Entretanto, como argumenta Kelly, o
tal 'socialismo digital' ('socialismo sem estado'?!) parece agregar em
suas hostes tanto os libertários clássicos que odeiam governos em geral,
quanto os movimentos políticos globais críticos ao domínio excessivo da
lógica de mercado.
Enfim, existe uma real carência de representação conceitual para os
fenômenos surgidos no âmbito da cultura digital. Yochai Benkler, que
refletiu criativamente sobre a possibilidade de uma teoria política da
rede, enxerga na emergência das redes sociais e da produção dos pares
uma alternativa a ambos os sistemas proprietários fudamentados nas
lógicas do estado ou do mercado. Este novo 'sistema operacional' da
cultura seria capaz de fomentar ao mesmo tempo criatividade,
produtividade e liberdade, satisfazendo igualmente às demandas tanto de
indivíduos quanto de coletividades. Benkler fala de uma 'cultura
participativa'.
Com a chegada de ferramentas de colaboração ubíquas, instantâneas e
baratas, torna-se possível promover espaços de debate e construção
coletiva onde modelos de coordenação pública descentralizada podem criar
soluções inovadoras para as questões apresentadas pelo século 21. Tal
implementação tecnológica no ambiente das redes digitais, aliada ao
conceito de 'cultura participativa' de Benkler, cria a possibilidade de
se aproximar perspectivas que antes pareciam excludentes, convidando à
conversa aberta grupos de interesse que se especializaram em confrontos
e trincheiras.
*O Fórum da Cultura Digital Brasileira*
Para que seja possível entender melhor as diversas partes que integram o
mosaico da cultura digital, e facilitar a participação do público
interessado em acompanhar e colaborar no processo de construção das
políticas públicas e marcos regulatórios que irão formatar o setor, o
Ministério da Cultura propõe a realização do 'Fórum da Cultura Digital
Brasileira'.
O processo se inicia com o lançamento da rede 'culturadigital.br', que
convida especialistas e redes de coletivos culturais e ativistas a
registrar perfil e referências digitais (seu blog, twitter, delicious,
youtube, etc.) na rede do Fórum. O espaço se propõe a agregar as pessoas
e o fluxo de conteúdos de forma inteligente, organizando a participação
e documentando o debate. Eventos presenciais e online durante o 2.
semestre de 2009 irão ativar a conversa nos cinco eixos temáticos
orientadores propostos: memória, comunicação, arte, infraestrutura e
economia. O presente 'Caderno de Provocações' cumpre a função de coletar
e apresentar insumos iniciais para aquecer o debate, que será
consolidado em um seminário internacional a ser realizado em novembro.
Importa sublinhar que o processo do 'Fórum da Cultura Digital
Brasileira' acontece em paralelo com importantes debates sobre marcos
regulatórios e políticas públicas que afetam diretamente o cenário da
cultura digital. A nova proposta de lei para o direito autoral que será
apresentada pelo MinC para consulta pública, e a lei do cibercrime (lei
azeredo) a ser votada na Câmara dos Deputados, tratam de temas
estruturais para a governança do ambiente digital. As conferências
nacionais de Cultura e de Comunicação coincidentemente também estarão em
curso, o que torna este segundo semetre de 2009 um momento especial de
reflexão sobre o futuro que queremos para o país.
A coordenação do 'Fórum da Cultura Digital Brasileira' desde já coloca o
ambiente da rede 'culturadigital.br' à disposição de todos que desejarem
organizar e documentar conferências livres e / ou outros eventos
específicos relacionados aos processos mencionados. Entendemos que o
momento é propício para que sejam exercitadas novas formas de se
desenvolver consensos e de se construir propostas. A perspectiva da
cultura digital efetivada pelo Minc busca introduzir elementos
inovadores que facilitem o engajamento e promovam maior e mais efetiva
participação dos cidadãos interessados.
As pessoas mais criativas jamais estão reunidas todas em uma só empresa,
ou governo, ou organização, ou país. Abrir os processos de construção de
políticas públicas na rede, facilitando a colaboração dos interessados,
é uma iniciativa quase óbvia neste início de século. Promover a inovação
distribuída em questões de governança pode qualificar a democracia,
transformar a sociedade.
José Murilo Carvalho Jr.
Niterói (RJ), 19 de julho de 2009
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