Olá Simone e demais,

Consta no registro SG09474 do Livro da Grande Teia que
Simone, em 09/09/10 escreveu o seguinte:

> Pessoal, recebi esse vídeo de uma colega de trabalho e achei
> maravilhoso. Gostaria de compartilhar com vocês e, talvez, receber as
> opiniões que devem surgir.
> 
> http://www.youtube.com/watch?v=dGCJ46vyR9o&feature=player_embedded

Eu, sinceramente, não gostei. Não gosto dessa visão de considerar aula
e quadro como a pior coisa que existe na escola, nem de que devemos
somente tratar daquilo que é "importante para a vida", como se todos
vivessem a MESMA vida. Ou seja, é uma visão individualista de que o que
é importante PRA MIM é importante pra todo mundo. Além disso, fica
parecendo que a escola é o único lugar onde se pode discutir o mundo.
Não podemos fazer isso em outros lugares, com outros discursos e outros
recursos? Por que sempre a escola tem que incorporar o que há de mais
moderno? Não poderia ela ser MAIS UM LUGAR para essas discussões?

E os exemplos dados pelos alunos são muito fracos. Entre outras coisas,
e daí que a menina escreve 500 e-mails? Qual a relevância deles? Eu
recebo uma média de 100 e-mails por dia. Muitos deles são absolutamente
inúteis. Logo, quantidade, como sempre, NÃO é sinônimo de qualidade.

Acho que o vídeo até toca em questões importantes, como o trabalho
colaborativo, mas TODOS os exemplos citados são de serviços
proprietários, que possuem regras de uso questionáveis em relação a
privacidade e segurança. Ou seja, indica um "uso cego" da tecnologia,
onde os produtos não são questionados, apenas consumidos. Isso, pra
mim, é a mesma lógica do mundo atual, apenas ganha uma "roupagem
colorida", disfarçada de modernidade.

Eu NÃO acredito que a tecnologia vai tornar o mundo melhor. Quem faz
isso são as pessoas. O máximo que a tecnologia vai fazer é simplificar
esse processo (e olhe lá!). E, definitivamente, não acredito que
tornamos o mundo melhor ao ler 2300 páginas web e 1281 perfis no
Facebook. Ao contrário, acho que podemos estar perdendo muito tempo
fazendo isso. Se essas pessoas estivessem, por exemplo, escrevendo 2300
artigos na Wikipédia ou 2300 publicações (relevantes) em blogs ou ainda
traduzindo 2300 softwares ou serviços web para seus idiomas, isso sim,
poderia fazer alguma diferença.

Sei que essa mensagem pode soar chata ou mesmo "antiquada" (e não, eu
não estou emburrado),  :-)  mas é que eu já estou meio saturado dessa
história que a escola não presta e que a tecnologia é que vai tornar o
mundo um lugar melhor. Acredito que quando defendemos cegamente a
tecnologia, só estamos caindo (mais uma vez) na armadilha do consumismo
desenfreado, dessa vez travestido de "revolução social". Não sou um
"neoludista", gosto de inovações tecnológicas, em particular a
Internet, mas acho que nunca podemos perder de vista o fator humano.
Nem que, por trás dos computadores, existem pessoas.

Um abraço e até mais.


Frederico
-- 
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