---------- Forwarded message ---------- From: Fabi <[email protected]> Date: 2011/7/13 Subject: [ffufsc2009.2] Profª. Amanda Gurgel recusa prêmio To: [email protected]
** <http://ads.grupos.com.br/www/delivery/ck.php?n=a9411715&cb=1310583139&source=categoryId_%C2%AE> Perfeito! Fabielen Arisi *Por que não aceitei o prêmio do PNBE* Oi, Nesta segunda, o Pensamento Nacional de Bases Empresariais (PNBE) vai entregar o prêmio “Brasileiros de Valor 2011″. O júri me escolheu, mas, depois de analisar um pouco, decidi recusar o prêmio. Mandei essa carta aí embaixo para a organização, agradecendo e expondo os motivos pelos quais não iria receber a premiação. Minha luta é outra. *Espero que a carta sirva para debatermos a privatização do ensino e o papel de organizações e campanhas que se dizem “amigas da escola”.* Amanda Natal, 02 de julho de 2011 Prezado júri do 19º Prêmio PNBE, Recebi comunicado notificando que este júri decidiu conferir-me o prêmio de 2011 na categoria Educador de Valor, “pela relevante posição a favor da dignidade humana e o amor a educação”. A premiação é importante reconhecimento do movimento reivindicativo dos professores, de seu papel central no processo educativo e na vida de nosso país. A dramática situação na qual se encontra hoje a escola brasileira tem acarretado uma inédita desvalorização do trabalho docente. Os salários aviltantes, as péssimas condições de trabalho, as absurdas exigências por parte das secretarias e do Ministério da Educação fazem com que seja cada vez maior o número de professores talentosos que após um curto e angustiante período de exercício da docência exonera-se em busca de melhores condições de vida e trabalho. Embora exista desde 1994 esta é a primeira vez que esse prêmio é destinado a uma professora comprometida com o movimento reivindicativo de sua categoria. Evidenciando suas prioridades, esse mesmo prêmio foi antes de mim destinado à Fundação Bradesco, à Fundação Victor Civita (editora Abril), ao Canal Futura (mantido pela Rede Globo) e a empresários da educação. Em categorias diferentes também foram agraciadas com ele corporações como Banco Itaú, Embraer, Natura Cosméticos, McDonald’s, Brasil Telecon e Casas Bahia, bem como a políticos tradicionais como Fernando Henrique Cardoso, Pedro Simon, Gabriel Chalita e Marina Silva. A minha luta é muito diferente dessas instituições, empresas e personalidades. Minha luta é igual a de milhares de professores da rede pública. É um combate pelo ensino público, gratuito e de qualidade, pela valorização do trabalho docente e para que 10% do Produto Interno Bruto seja destinado imediatamente para a educação. Os pressupostos dessa luta são diametralmente diferentes daqueles que norteiam o PNBE. Entidade empresarial fundada no final da década de 1980, esta manteve sempre seu compromisso com a economia de mercado. Assim como o movimento dos professores sou contrária à mercantilização do ensino e ao modelo empreendedorista defendido pelo PNBE . A educação não é uma mercadoria, mas um direito inalienável de todo ser humano. Ela não é uma atividade que possa ser gerenciada por meio de um modelo empresarial, mas um bem público que deve ser administrado de modo eficiente e sem perder de vista sua finalidade. Oponho-me à privatização da educação, às parcerias empresa-escola e às chamadas “organizações da sociedade civil de interesse público” (Oscips), utilizadas para desobrigar o Estado de seu dever para com o ensino público. Defendo que 10% do PIB seja destinado exclusivamente para instituições educacionais estatais e gratuitas. Não quero que nenhum centavo seja dirigido para organizações que se autodenominam amigas ou parceiras da escola, mas que encaram estas apenas como uma oportunidade de marketing ou, simplesmente, de negócios e desoneração fiscal. Por essa razão, não posso aceitar esse Prêmio. Aceitá-lo significaria renunciar a tudo por que tenho lutado desde 2001, quando ingressei em uma Universidade pública, que era gradativamente privatizada, muito embora somente dez anos depois, por força da internet, a minha voz tenha sido ouvida, ecoando a voz de milhões de trabalhadores e estudantes do Brasil inteiro que hoje compartilham comigo suas angústias históricas. Prefiro, então, recusá-lo e ficar com meus ideais, ao lado de meus companheiros e longe dos empresários da educação. Saudações, Professora Amanda Gurgel Professora Amanda Gurgel silencia Deputados em audiência pública. Depoimento Resumindo o quadro da Educação no Brasil. Educadora fala sobre condições precárias de trabalho no RN/BRASIL. (10/05/2011) *http://www.youtube.com/watch?v=yFkt0O7lceA&feature=player_embedded* ..... http://blogln.ning.com/profiles/blogs/a-professorinha-e-o-pib A Professorinha e o PIB *Por* Emerson Damasceno -* *De Fortaleza (CE) [image: Imagem removida pelo remetente.] *A professora Amanda Gurgel, cujo discurso na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte foi reproduzido mais de um milhão de vezes no YouTube (Foto: BandNews)* *Alguns discursos se tornam marcantes em função de seus autores. Outros, pelo seu conteúdo. Ainda há aqueles que marcam nossas mentes em função do contexto histórico no qual estão inseridos*. Pode-se dizer *do discurso proferido pela professorinha potiguar Amanda Gurgel durante uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, que reúne estas três características*. Além de uma figura humana incrível, a pequena servidora pública também soube construir *um texto impecável* no pouco tempo que teve, em um momento que não poderia ser mais significativo na história brasileira. Foi na internet, entretanto, que o vídeo da fala de Amanda ganhou o apoio que merecia, ao contabilizar - somente no YouTube - mais de um milhão e trezentas mil visualizações. Certamente ao discursar de maneira firme e decidida em frente à secretária de Educação e de deputados de seu Estado, justificando a greve no Estado e criticando o ônus histórico imputado à classe de professores, sem um bônus equivalente, Amanda não previa que se tornaria mais uma celebridade instantânea das mídias sociais. Aliás,* uma das características marcantes da internet é justamente saber pinçar de forma democrática os vídeos que irão se tornar tendência, muitos dos quais são produzidos de forma totalmente despretensiosa*, num efeito colaborativo respaldados por retuites, curtidas e compartilhamentos, os quais às vezes nem mesmo os mais experientes usuários conseguem também antecipar. Quem navegar pela internet há mais tempo, irá lembrar que o discurso de Amanda lembra em sucesso e impacto, o da garota Severn Suzuki, durante a Rio 92 no Brasil, o qual deixou abobalhados vários conferencistas e até hoje é um "hit" na internet e para qualquer ambientalista que se preze. Ambos os discursos têm a mesma jovialidade e coragem e materializam muito da rebeldia incontida nas mídias sociais. Via de regra, sim, estas mídias são contraventoras, se comparadas com anos recentes, onde o único reflexo em massa da nossa brasilidade era visto quase que exclusivamente pela televisão e quando esta se dignava a ouvir as vozes dissonantes das ruas. Até mesmo na linguagem própria, diversos signos novos e díspares da chamada norma culta, podem ser encontrados a cada dia no Twitter, Facebook, blogs e afins, os quais não podem ser desprezados em sua nova forma de protesto e discurso. Ao "adotar" a voz de Amanda como mais uma bandeira, é dado outro recado. O enfoque dado por Governos sucessivos à educação já parece ter cansado a todos. O discurso da Professora não poderia ser mais providencial. Justamente quando governo e oposição travam batalhas homéricas concernente a números e metas frias, a voz da professora em sala de aula pede um basta e mais respeito com a educação no Brasil. Cansada de ser tratada como ícone de abnegação e plano secundário ela pede a repartição e aumento do bolo (ou, melhor dizendo, do cuscuz), com a classe dos professores. *#DezporcentodoPIBJa* - *Amanda, dias após deixar o "anonimato", foi convidada para diversos programas de tv*, *mais uma prova inequívoca de que a televisão também é pautada diversas vezes pelas mídias novas*. Esteve inclusive no último Domingão do Faustão da Rede Globo, onde insistiu na sua luta *e lançou a hashtag **#DezporCentodoPIBJá*, *pedindo que o percentual da riqueza do País seja efetivamente destinado à educação**, a qual alcançou o primeiro lugar nos TT (trending topic) do Twitter brasileiro no mesmo dia. * Como não poderia deixar de ser, gerou também vários protestos de inúmeros teóricos, a questionar desde o alicerce constitucional até a viabilidade prática de tal "projeto". *Muitos desses críticos parecem cegar ao caráter emblemático da proposta*, mormente em um País tão dado a explicar com números e leis o que não se consegue explicar pelo exercício lógico. Aliás,* é praxe até de quem se acha elitista criticar qualquer protesto por sua aparente falta de supedâneo culto (algo que não falta às palavras de Amanda, registre-se)*, *provavelmente uma defesa preparada quando argumentos próprios tornam-se frágeis*. Se o grito de Amanda, multiplicado por milhões de outros brasileiros, irá causar um efeito concreto no trato da educação no Brasil, ainda é cedo para se dizer. Mas *se o poder público continuar desprezando tais protestos, é certo que terá ainda mais trabalho para explicar os revezes da educação*. Não se sabe em quem terá apoio para dividir as responsabilidade. Certo, é que não será mais com *a classe representada por Amanda Gurgel, que já está cansada de ser, em suas próprias palavras,* "*a redentora do País*". A quem caberá tal incumbência de super-herói, então? *Emerson Damasceno** é jornalista e poeta. Especialista e apaixonado por direito eletrônico, além do direito desportivo que o fez correr o mundo durante uma década. Blogueiro desde 2002, divide o tempo entre o trabalho, as mídias sociais e a 4social, sua última criação.* -- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "Turma 2011.1 da Escola do Ministério Público de Santa Catarina" dos Grupos do Google. 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