Assim Falou Stallman

Fonte: http://www.ufrgs.br/soft-livre-edu/assim-falou-stallman

Tradução de Erik Kohler da entrevista “Thus Spake Stallman” de Richard Stallman para o slashdot.org

Na segunda-feira, 17 de Abril de 2003, solicitamos perguntas para Richard M. Stallman. Aqui, enfim, estão suas respostas. Aviso: A entrevista abaixo contém conceitos maduros e opiniões fortes. A leitura pode não ser adequada para leitores facilmente irritáveis cujas opiniões conflitam com as do Sr. Stallman.

Pergunta: Vamos assumir por um momento que o software livre se torna a maneira pela qual os negócios acontecem. Toda companhia, se ela quiser manter o valor das ações, abre o código, torna seu código livre. Qual o próximo passo? Para onde você vai daí? O que você faz para uma repetição? Ou será isso o “fim da guerra” e neste ponto, com o GPL protegendo nossa liberdade, você volta a programar?

Richard M. Stallman: Software não-livre não é o único problema do mundo. Eu tomei a responsabilidade de trabalhar neste problema porque (1) ele apareceu para mim (eu não poderia ser neutro exceto saindo do meu campo), (2) eu tive uma idéia de como poderia cuidar dele efetivamente, e (3) ninguém mais estava nem mesmo trabalhando nisso.

Está claro que outros problemas como fundamentalismo religioso, superpopulação, danos ao meio-ambiente, a dominação das empresas sobre o governo, ciência, pensamento e sociedade, são muito maiores que software não-livre. Mas muitas outras pessoas já estão trabalhando neles, e eu não tenho nenhuma grande aptidão ou idéias de como endereçá-los. Para mim, parece melhor continuar trabalhando no assunto de software livre. Até porque software livre conta como um aspecto da dominação da sociedade pelas empresas.

Se em minha vida o problema do software não-livre fosse resolvido, eu poderia talvez relaxar e escrever software novamente. Mas eu devo entretanto tentar ajudar a lidar com os problemas maiores do mundo. Lutar contra um sistema perverso é regozijante, e agora eu tenho uma atração por isso. Poderia doar meu tempo para a ACLU [American Civil Liberties Union], Anistia Internacional, Americanos Unidos pela Separação da Igreja e Estado, ou ZPG [Zero Population Growth, atual Population Connection], se eu for de algum uso para eles.

(Em 1988, George Bush chamou Mike Dukakis de “um membro que carrega o cartão da ACLU”, de fato comparando a Lei de Direitos com o Comunismo e seus defensores com os Comunistas. Este insulto à Constituição dos EUA inspirou-me, assim como a muitos outros, a unir-me à ACLU. Vamos torcer para que o “arbusto” não seja presidente; um Bush já foi muito.)

Ou eu poderia trabalhar lutando pelas liberdades que são apropriadas para outro tipo de informação publicada. Isto poderia incluir dicionários e enciclopédias, livros-texto, documentos científicos, músicas e outras coisas.

[...]

Leia a continuação da entrevista na fonte indicada acima.

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Paulo Francisco Slomp
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