Todo dia é dia de índio!!!

Recebi de Maria Amélia leite

Amigas, Amigos,
estou enviando para vocês esta Nota que recebi hoje, sobre a situação entre os 
Guarani,
que continua um sofrimento muito grande. Se vocês receberam, melhopr ainda. Se 
não,
façam oi possível para dar publicidade para o conhecimento dessa realidade.

Um grande abraço, Maria Amelia



Nota do Conselho
da Aty Guasu Guarani-Kaiowá ao Governo e Justiça Federal

 

Considerando o “Dia do Índio”
oficial do Brasil, 19 de Abril, um
dia especial em que comumente a sociedade em geral e autoridades municipais,
estaduais e federais lembram-se dos indígenas, nesse contexto, nós lideranças 
Guarani-Kaiowá
da grande assembleia Aty Guasu vimos
por meio desta nota repudiar a continuidade da ameaça de morte das lideranças
indígenas das terras reocupadas no  Cone
Sul de Mato Grosso do Sul e pedir, mais uma vez, às autoridades federais para 
concluir
a investigação/inquéritos de assassinato de lideranças, sobretudo solicitar a
investigação da ameaça de morte das lideranças Guarani-Kaiowá. Por fim, 
requeremos
novamente a publicação imediata dos relatórios antropológicos de identificação
de todos os territórios tradicionais Guarani e Kaiowá. 

Uma das ameaças de morte destacada das
lideranças Guarani-Kaiowá ocorreu em estrada pública próximo da aldeia 
Pirajuí/Paranhos/MS, no dia 06
de abril do ano corrente.  (vide abaixo mensagem escrita pelo antropólogo e 
líder Guarani-Kaiowá
Tonico Benites divulgada amplamente na mídia nacional e na comunidade
científica das diversas universidades brasileiras -
link). 

Com honra, reconhecemos que o líder
e professor Tonico Benites é único na história do povo Guarani-Kaiowá que
conseguiu concluir mestrado em Etnologia/ Antropologia Social e continuar
cursando o doutorado na UFRJ. Ele foi consultor do Ministério da Educação/MEC. 
Como
cientista social o Tonico colaborou de diversas formas com os Grupos Técnicos
de Identificação e Delimitação de Terras Indígenas Kaiowá em Guarani em Mato
Grosso Sul. Além disso, desde criança, ele desempenha o papel importante de 
tradutor/interprete
de lideranças kaiowá e guarani da Aty Guasu, tomemos conhecimento que ele
sofreu ameaça e está sendo ameaçado de morte, por essa razão, pedimos a
segurança e proteção tanto para o Tonico Benites quanto para demais lideranças
Guarani-Kaiowá ameaçadas dos territórios em conflito. 

 

Além disso, nesta nota destacamos a
situação mísera, perplexa e instável permanente de vida de (trinta mil)30.000 
Guarani-Kaiowá
expulsos dos territórios tradicionais que se encontram em oito (08) Postos
Indígenas/aldeias superlotadas criada entre 1915 e 1928 pelo órgão indigenista
Serviço de Proteção aos Índios (SPI). Há mais de 5 mil Guarani-Kaiowá
despejados das terras antigas que estão dispersos nas pequenas
áreas/acampamentos em conflito, nas margens das rodovias BR e nas periferias
das cidades do Cone Sul de MS. De fato, a vida mísera e instável, ameaça, 
assassinatos,
suicídios e desnutrição que atingem a nova geração Guarani e Kaiowá são o
resultado direto de violentas expulsões dos indígenas dos territórios antigos
praticadas por pistoleiros das fazendas do atual Cone Sul de MS ao longo das
décadas de 1970 e 1980.

Nestas
reservas/aldeias não há mais espaço, recursos naturais, mina d’ água, são
superlotadas e, por conta desta superlotação, há nelas muita violência. De
fato, em decorrência desses vários despejos violentos já resultaram centenas de
suicídios, mortes por desnutrição em todas as reservas/aldeias superlotadas. 
Nestas
reservas e na margem da rodovia BR não há como praticar e preservar mais nosso
modo de ser e viver Guarani-Kaiowá. Diante disso que muitas famílias
Guarani-Kaiowá decidiram e tentaram retornar aos territórios antigos, ocupando
pequenas parcelas de terra ascentral, com o objetivo de sobreviver
culturalmente e para praticar os rituais religiosos e se afastar do mundo de
violências das reservas/aldeias superlotadas. Como exemplo, temos: As
comunidades de Laranjeira Ñanderu -Rio Brilhantes-MS, Takuará-Juti, Kurusu
Amba-Coronel Sapucaia, Guaiviry-Aral/Moreira, Guyra Roka-Caarapó,
Ypo’i-Paranhos, Pyelito Kue e Mbarakay-Iguatemi entre outros. Nestes pequenos
espaços reocupados por famílias extensas Guarani-Kaiowá, em que ocorre
diariamente a prática de rituais religiosos e profanos, os grupos recomeçaram
revitalizar as culturas tradicionais que garantem a boa vida futura. Isto não é
mais possível nas reservas/aldeias e na margem das rodovias BR. 

Já
vivemos e sentimos que as consequências das ações de ameaças de morte, ataque e
despejos tanto pelos pistoleiros das fazendas, quanto pela Justiça, os
resultados foram, são e serão extremamente truculentos e nocivos para a nova
geração Guarani-Kaiowá.  

Entendemos que a
ameaça de morte e os assassinatos das lideranças faz parte de um processo
sistemático de etnocídio/genocídio histórico. Assim, a impunidade de autores e
mandantes de violências contra povos indígenas brasileiros alimentam o
extermínio total do povo Guarani-Kaiowá do Cone Sul de Mato Grosso do Sul.

Ressaltamos que
nos Guarani e Kaiowá temos uma ligação especial com o território próprio, 
pertencemos
à determinada terra sagrada específica, não pertencemos a qualquer terra do
Cone Sul de MS. Assim, a terra ocupada por nossos recentes antepassados é vista
por nós como uma fundamentação de vida boa, vida em paz, sobretudo é a fonte
primária de saúde, bem estar da comunidade e famílias indígenas.  Dessa forma, 
o nosso território ascentral é
vital para nossa sobrevivência e desenvolvimento de atividades culturais que
permitem a vida boa como um forte sentimento religioso de pertencimento à terra
antiga, fundamentada em termos cosmológicos, sob a compreensão de que nos 
Guarani-Kaiowá
fomos destinados, em nossa origem, como humanidade, a viver e a cuidar deste
específico território antigo.

Diante disso,
vimos através desta nota apresentar os nossos pedidos ao Governo Federal e
Justiça brasileira. Nosso povo Guarani-Kaiowá quer sobreviver fisicamente e
culturalmente como povo originário do Brasil. Não queremos ser extintos pela
própria ação e mando dos fazendeiros e agronegócio, etc. Como primeiro povo
indígena do Brasil e da America do Sul, a principio, queremos ser protegidos
pelo Governo Federal,  Justiça brasileira
e legislações internacionais. 

Queremos que o
Governo Federal e Justiça Brasileira considerem em primeiro lugar que as 
reservas/aldeias indígenas
existentes no Cone Sul do atual Estado de Mato Grosso do Sul são superlotadas,
onde não há mais espaço, infraestrutura e recursos naturais para sobreviver
como povo Guarani-Kaiowá. Nas margens da rodovia há diversos perigos de vida e
miséria e nos acampamentos há isolamento, cerco e ameaça de pistoleiros.

Não queremos ver
mais as nossas lideranças, os nossos parentes serem ameaçados, assassinados e
expulsos dos pequenos espaços em seus territórios tradicionais, aumentando e
alimentando mais violências contra o povo Guarani-Kaiowá. Por essa razão, nós
lideranças e porta vozes da assembleia do Aty Guasu do povo Guarani Kaiowá do
MS, nesta semana do Dia do Índio de 2012, pedimos reiteradamente, a conclusão
de inquéritos policiais abertos para apurar assassinatos de lideranças Nisio
Gomes, Rolindo e Genivaldo Vera entre outros e, sobretudo a punição dos autores
e mandantes. Por fim, solicitamos a conclusão imediata e publicação dos
relatórios antropológicos de identificação de todos os territórios tradicionais
guarani e kaiowá em estudo. 

Atenciosamente,                                                                 
                      





Conselho da Aty
Guasu Guarani e Kaiowá- Dourados, 16 de abril de 2012.                          
          







    
     

    
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          Anexo(s) de Antonio Carlos de Souza Lima

    
  
         1 de 1 arquivo(s) 
          
        
                
      Nota da Aty Guasu dia do Índio 2012.doc


  
          
   
    
      
        
           



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