Oi Aninha


Estava aqui pensando, instigada pela sua frase:

"Então precisamos disso só por causa do salário mesmo. O ego? ganha pouco: não há nada que a gente diga que seja de fato inédito, nada que seja tão brilhante que jamais tenha sido pensado, dito, escrito, debatido por outra pessoa (to aqui lembrando da palestra que dei em Poa em janeiro, na qual eu percebi que quase tudo que a ciência moderna descobriu já tinha sido afirmado pelos gregos... "

Sabe por que eu gosto de estatística, apesar de saber bem pouquinho?

Ela mostra que temos que ser humildes.

Pois, mesmo com uma amostra muito bem planejada e coletada, e tendo trabalhado com o método mais correto, sempre podemos cometer erros (tipo I e II).

E que, chegando a uma conclusão, após aplicação do teste mais indicado para a situação estudada, ainda há 5% de ser totalmente obra do acaso e não da causa que apontamos.

Ou seja, na melhor das hipóteses, e trabalhando muito bem, temos 5% de chance de afirmarmos algo totalmente errado.

Quando alguém fala de valorizar o ego, em relação à ciência, há algo que eu sei. A pessoa deve ser alguma coisa. Pode ter prestígio e poder. Mas não é um cientista.

É um técnico desconectado da realidade. Ou seja, é um mero aplicador de metodologias. Que podem ser bastante complicadas e "de ponta" e lhe dando a aparência de um pesquisador.

Mas não tem amor à verdade. Não a procura, nem investiga. Em geral, só quer propalar suas convicções, sem saber bem o porquê delas e às quais não sabe como chegou.

E uma frase concisa e bem dita, pode destruir todo o trabalho dele, por conter a ideia daquela verdade que ele não aceita. Pois, como disse antes, a frase explica, clarifica, espanta, chama a atenção, por conter a verdade, numa forma muito concisa e compreensível pela maioria das pessoas...

Entretanto, se ele for razoavelmente bem relacionado, e se as pessoas mal lerem e nem refletirem sobre os trabalhos, o numero de citações serve bem para proteger esse cara, né? E também para proteger todo um sistema universitário burocrático, que faz muito pouco pelas pessoas...


Beijins
Fa
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"A imaginação é mais importante que o conhecimento." - Albert Einstein
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Em 18-02-2013 07:05, Ana Cristina Fricke Matte escreveu:
Uau, Fá, quanta inspiração!
Concordo com teu questionamento. Essa questão da autoria, no mundo
científico, tem um propósito maior do que a simples atribuição de autoria.
A simples atribuição de autoria não tem muito mais vantagem do que
encher currículos e nos permitir cumprir com as metas (absurdas, diga-se
de passagem) que o meio acadêmico (agências e reitorias) nos impõe.
Então precisamos disso só por causa do salário mesmo. O ego? ganha
pouco: não há nada que a gente diga que seja de fato inédito, nada que
seja tão brilhante que jamais tenha sido pensado, dito, escrito,
debatido por outra pessoa (to aqui lembrando da palestra que dei em Poa
em janeiro, na qual eu percebi que quase tudo que a ciência moderna
descobriu já tinha sido afirmado pelos gregos... estava lembrando do
Heráclito...). Que bom!
Mas o propósito - a meu ver o real, o que de fato tem valor - da citação
da autoria no mundo científico é que não existe uma verdade única, as
ciências caminham sempre plurais e é muito importante saber em que
quadro teórico - ou, melhor ainda, em que quadros teóricos - o texto que
estamos lendo se encaixa. Saber quem ele leu e como se posiciona frente
a isso permite essa retomada. E é uma retomada importante para o leitor
porque não dá pra criticar um texto científico sem consciência desse
quadro teórico, pois algumas vezes eles se contradizem e o meu modo de
pensar um assunto pode passar longe do modo de pensar o assunto do autor
que estou criticando. Então a citação passa a ser útil, faz os links
entre as ideias, das quais somos meros portadores eventuais.
Taí, boa frase pro facebook :D
A brincadeira não é casual: descontextualizada, a frase vai entrar na
lista daquelas que, como você bem disse, servem pra qualquer coisa e, no
fim, pra coisa alguma.
Por isso devíamos começar uma campanha nessas redes sociais: toda vez
que compartilharmos um artigo, devemos incitar as pessoas a lerem o
artigo e não se contentarem com a manchete. E nunca mais compartilhar um
artigo sem ler (porque vai ter uns malucos, como eu, que de repente leem
o artigo inteiro, vai saber o que vão achar, de fato, no teu perfil...).
bjs e uma ótima segunda-feira!
Ana


Em 18 de fevereiro de 2013 01:48, Fa <[email protected]
<mailto:[email protected]>> escreveu:


 Oi Paulo


 Pois é...

 Como sabemos se citações em qualquer lugar são verdadeiras?

 Uma vez li uma tese em que o candidato confundiu-se atribuindo a um
 autor, a citação de outro.

 Só descobri porque havia lido os trabalhos principais do autor
 quanto ao assunto muito recentemente. Se não, teria passado em branco.

 -

 O trabalho para a conferência séria e é infernal.

 Meramente, apenas para corrigir autoria, quando alguém diz que
 alguma está errada, já se tem bastante trabalho.

 -

 Estava pensando...

 Frases interessantes, espirituosas, engraçadas, são partes do
 conhecimento a que se deve aplicar com rigor os desejos do império
 do copyright?

 Não posso acreditar nisso.

 Acho até que, independente de quem as disse, elas explicam,
 clarificam, espantam, chamam a atenção, por que alguém conseguiu
 colocar uma verdade numa forma muito concisa e compreensível pela
 maioria das pessoas...

 É uma ideia, voando de um jeito muito simples, e atingindo
 fortemente quem tem a oportunidade de contatá-la.

 Só isso justifica seu uso, você não acha?

 -

 Evidentemente, não estou pensando em alguém que queira
 deliberadamente mudar o que foi dito por alguém. Ou quem tenha
 plagiado outra pessoa.

 Penso que o problema real, como em tudo que se aplica a textos, é a
 aplicação, a interpretação do sentido.

 Quando bem aplicadas são  uma maravilha. E, lógico, quando mal
 aplicadas são um terror.

 Imagine que estivéssemos numa situação em que quiséssemos justificar
 algo pelo seu uso por muita gente. Que tal essas?

 "Se 50 milhões de pessoas dizem uma grande besteira, continua sendo
 uma grande besteira." - Anatole France

 "Coma merda! Um bilhão de moscas não podem estar erradas." - Arnaldo
 Jabor

 (Nem sei se as atribuições de autoria estão corretas.)

 Mas, percebeu? A forma como a pessoa usa a frase é que é o problema.
 Pois é possível justificar quase que qualquer coisa com diferentes
 frases.

 Em outro exemplo, o mesmo acontece quando se usa frases da Biblia
 para explicar algo. Se pegarmos um versículo do Velho Testamento,
 possivelmente a interpretação levará para um lado e se tomarmos um
 do Novo, o sentido poderá ser claramente oposto.

 -

 Foi aí que surgiram as tags nos e-mails, que uso há tantos anos e
 que parecem agradar tanta gente. E, talvez, a desagradar outros tantos.


 Beijins
 Fa
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 "A grande vantagem do nudismo é que se pode viajar sem malas."
 - Max Nunes
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 Em 14-02-2013 12:25, Paulo Francisco Slomp escreveu:


 Olá

 Recebi por email uma brincadeira sobre citações na Internet. Vejam
 a imagem em anexo.

 Então pensei em modificar o "autor" da citação e escolhi o Gilles
 Deleuze, tornando mais atual.

 Vejam também em anexo.

 :-)

 Abraços.


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