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Os desafios da educação móvel e da informática na educação
Posted on 6 de novembro de 2014 by André Machado        

Recentemente, iniciou-se um grande casamento entre educação e
tecnologia. Cada vez mais instituições de ensino de todos os níveis
estão percebendo as vantagens de se utilizar as famosas TICs –
tecnologias de informação e de comunicação – em sala de aula para fins
de aprendizado. No entanto, essa nova abordagem ainda enfrenta muitos
desafios, seja por parte dos professores, seja por parte da
administração pública.

Não adianta: a tecnologia está aí e o corpo docente não pode mais se
dar ao trabalho de ignorar sua existência. Não é de hoje que muitos
mestres simplesmente demonstram pavor só em ouvir falar na utilização
de qualquer coisa em sala de aula que não sejam os tradicionais giz e
quadro negro. Isso talvez se deva à falta de tempo que o professor
possui para preparar adequadamente suas atividades e para se
atualizar.

Por outro lado, não podemos simplesmente endeusar a informática e
elegê-la como a solução para os problemas na educação. É necessário
que a utilização de tais recursos esteja de acordo com um plano ou um
projeto didático e que a mesma possua um claro objetivo de
aprendizado. Afinal, desde quando eu estava na escola, utilizava-se
computadores para assistir e produzir apresentações de slides e, vez
que outra, utilizar-se algum software dito educacional. A verdade,
porém, é que se o professor não souber o que ele está fazendo,
dificilmente aquela atividade trará um resultado positivo.

A utilização da informática e da robótica pode despertar o interesse dos alunos.

Não se trata apenas de utilizarmos um computador: alguns exemplos
ocorridos no FISL mostram casos de sucesso com aulas de robótica, onde
os alunos podem aprender Física, Matemática, Informática e outros
assuntos de forma divertida ao aguçarem suas curiosidades. Mas não
podemos, como dito, abandonar o aluno em frente ao computador. No
artigo Do Novo PC ao Velho PC, de SANTANA e BORGES NETO. os autores
investigam alguns dos problemas na utilização de recursos
computacionais em aulas de Matemática. Eles chamam de “Novo PC” o
personal computer e de “velho PC” a dupla papel-caneta. São elencadas
três formas de o professor utilizar a informática em sala de aula ou
em um laboratório:

    a) inetere as possibilidades de trabalho no LIE e retoma sua forma
de trabalhar como na sala-
    de-aula;
    b) abandona os alunos deixando-os manipular a ferramenta
computacional indiscriminadamente;
    c) procura desenvolver novas estratégias adequando uma forma de
transposição dos problemas da sala-de-aula para a ferramenta
computacional em uso por ele e pelos alunos

Embora a maioria dos professores frequentemente utilize as formas a e
b, a c é a mais adequada, pois no momento em que os problemas do velho
PC são apenas traduzidos para o novo PC, o equipamento é subutilizado
enquanto que, ao abandonar o aluno em frente ao computador muitas
vezes pode ser o anúncio de um desastre, principalmente quando ele
aperta em algo que não devia. Nesse caso: há uma escolha difícil:
devemos dar uma receita de bolo para que o estudante utilize tal
programa ou deixá-lo explorar livremente os recursos? Muitos
professores temem a segunda abordagem pois, ao também desconhecerem a
correta utilização dos programas, correm o risco de terem sua
autoridade questionada. Torna-se necessário, portanto, desenvolver-se
novas formas de se utilizar o computador em seu pleno potencial.

Mais ao final do artigo, os autores relatam a necessidade de se
retornar ao velho PC para se testar as soluções fornecidas pelo
computador através da lógica matemática. Esse é o cerne da questão:
não devemos simplesmente abandonar o método tradicional  de se dar
aulas em relação às novas tecnologias: para uma utilização eficiente,
ambos devem trabalhar lado a lado: o aluno pode e deve testar, através
da lógica e de seus conhecimentos, as respostas fornecidas pelos
materiais computacionais.

Se, por um lado, porém, os professores desconhecem as maneiras
adequadas de se trabalhar com a informática, muitos alunos também.
Recentemente, assisti a uma defesa de mestrado na qual o postulante ao
título fez uma experiência na escola onde leciona utilizando planilhas
eletrônicas para ensinar funções. Ele constatou que, embora todos os
alunos tivessem acesso a um computador em casa, nenhum sabia o que era
uma planilha eletrônica, pois eles passam o dia inteiro utilizando o
equipamento para jogar e interagir em redes sociais. Esse, na minha
opinião, é um completo desperdício do poder computacional há algumas
décadas inimaginável que temos, hoje, em nossas mãos.

Educação móvel

Outra vantagem da utilização da informática na educação é a educação
móvel, chamada de m-learning, algo que está muito em voga atualmente,
principalmente devido à explosão de smartphones, de tablets e dos
demais dispositivos informáticos portáteis. Através da educação móvel,
os alunos podem estudar e aprender em ambientes extra-escolares, como
em casa ou no trabalho, quando quiserem e dentro do seu próprio ritmo.
Outra vantagem da educação móvel é que o celular ou o tablet elimina a
figura do clássico laboratório de informática. O professor, agora, não
precisa mais reservar um horário para utilizar os equipamentos: os
alunos podem, através de seus próprios telefones, pesquisarem assuntos
que estão sendo vistos em sala de aula e utilizar aplicativos
indicados pelo professor para resolver atividades.

A ideia é promissora, tanto que a UNESCO mantém uma página com várias
publicações gratuitas sobre o assunto que mostram casos de sucesso em
diversos países nos cinco continentes. No entanto, a maior barreira
aqui no Brasil vem da administração pública, e não dos professores
entre si. Se, por um lado, temos o programa UCA,  Um Computador por
Aluno, em alguns estados, como no Rio Grande do Sul, temos essa pérola
vinda de nossos governantes:

Lei 12884

Ou seja, se você for um professor e quiser utilizar um aplicativo
móvel em sala de aula, ou até mesmo um acadêmico que deseja realizar
uma pesquisa sobre educação móvel, não venha para o Rio Grande do Sul,
pois utilizar celulares dentro de sala de aula, aqui, é simplesmente
proibido. É claro que podemos ver a “boa” intenção dos governantes ao
tentar evitar a dispersão da atenção dos alunos em relação ao
professor, mas o fato é que leis como essa simplesmente assassinam
quaisquer possibilidades de pesquisa e de inovação.

Sejamos sinceros: todos sabemos que, apesar de o texto dessa lei estar
afixado em locais visíveis de escolas públicas, todos os alunos
utilizam seus telefones nas salas de aula. É uma lei que está só no
papel, mas que pode trazer problemas para alguém que queira fazer uma
pesquisa acadêmica ou para um professor que deseje sair do feijão do
arroz. Afinal, se foi necessária essa lei, é porque os alunos não têm
atenção e interesse no que está sendo transmitido pelo professor e, ao
invés de se permitir uma mudança paradigmática, proíbe-se a utilização
dos aparelhos.

Sou a favor de que a classe docente entre em contato com o governador
eleito para discutirmos a continuidade da vigência dessa lei, pois ela
está, claramente, afastando novas possibilidades de ensino e de
aprendizado nas escolas e universidades de nosso estado.
_______________________________________________
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