Concordo plenamente com tua objeção sobre alternativas baseadas na
web. Os ativistas do software livre ("free/libre software" em inglês),
diferente dos proponentes do código fonte aberto ("open source" em
inglês), tendem a pensar 1000 vezes antes de fazer esse tipo de
"estrutura baseada na web", justamente pelos possíveis problemas que
isso causa ao usuário, que geralmente fica dependendo de um serviço como
substituto de software (SaaSS) --- apesar disso, nem todo o serviço na
internet é SaaSS ---, o que é misturado com outras coisas completamente
distintas, cujo o resultado da mistura é vagamente chamado de "núvem",
termo que *não deveria existir*, visto que este é apenas o computador de
outra pessoa e pois o termo esconde os problemas já descritos sobre
SaaSS e JavaScript não livre. Todos os problemas como o SaaSS, o
confuso termo "núvem" e o JavaScript não livre são criticados pelas
campanhas da Free Software Foundation e de suas organizações-irmãs (Free
Software Foundation Latin America, Free Software Foundation Europe,
etc.). :)Além disso, como ponto opcional que é geralmente parte da preocupação dos ativistas do software livre: estas "estruturas baseadas na web" levantam outra questão: padronização. Como garantir, por exemplo, que a lista de contatos de uma empresa seja mantida em algo mais portável como uma lista de vCards, ao invés de um banco de dados próprio quase inelegível ou quase difícil de levar para qualquer lugar, ou quase difícil para levar entre diferentes dispositivos, móveis ou não. Durante minhas consultorias voluntárias, frequentemente recebo contatos de empresas que estão puxando seus cabelos pois a outra empresa que vendeu para eles um software privativo (não livre) decidiu usar um banco de dados para guardar informações sobre contatos e ordens de serviço, além do que na maioria dos casos a empresa vendedora se recusa a atender os aprimoramentos pedidos pelo cliente (por isso a importância das liberdades essenciais do software) ou ela e seus "fornecedores/customizadores selecionados" não existem mais. Não estou dizendo que a integração entre "estruturas baseadas na web" são sempre imperfeitas e não integradas com padrões internacionais e formatos amigáveis ao software livre. Longe de mim afirmar isto, haja vista que não sou desenvolvedor avançado. Estou apenas dizendo que o que se vê comumente nestas "estruturas baseadas na web" é esta falta de integração ou padronização. Adicionalmente, é importante observar que software livre não é sinônimo imediato/absoluto de "perfeição", "segurança", "amigabilidade", ou "facilidade", mas ele é o único que pode fornecer estes através da colaboração e comunicação entre usuários e contribuidores de forma contínua, ao invés de deixar cada usuário com uma "caixa preta" ou com uma "jaula dourada". Assim, pressupõe-se que os usuários deixem de ser passivos/receptores, e passem a, ou se comunicar com os fornecedores originais e contribuir (com ideias, aprimoramentos, ou dinheiro) com o desenvolvimento do projeto; ou contratem (ou arranjem) qualquer pessoa de sua confiânça para fazer isso. Além disso, a segurança e privacidade só é possível com software livre, observando porém que software livre não é obrigatoriamente gratuito (e nem se pode obrigar, se não fere as liberdades 2 e 3), nem *apenas* transparente (pois esta corresponde apenas a metade da liberdade 1). Sobre o GNU Savannah e hospedagem de projetos para várias plataformas: O GNU Savannah também permite hospedagem de projetos objetivando rodar em qualquer plataforma. Observe que a referência que fizeste à página do GNU Savannah não é oficial, ela lista apenas *recomendações*. A oficial encontra-se em [[https://savannah.gnu.org/register/requirements.php]]. Além disso, podes fazer um projeto para rodar em smartphones, tablets, notebooks, computadores de mesa, servidores, Android, Windows, GNU+Linux, etc., desde que teu projeto não dependa em software (ou dados funcionais, para ser mais abrangente e exato) não livres, e que teu projeto seja feito para rodar *primariamente* em distribuições de sistemas livres, sejam elas GNU (e.g.: Trisquel, que substitui o Ubuntu. Lista completa e *atualizada* em: [[https://www.gnu.org/distros/free-distros.html]]) ou não GNU (e.g.: Replicant, que substitui o Android. Lista completa e *atualizada* em: [[https://www.gnu.org/distros/free-non-gnu-distros.html]]). Opcionalmente, teu projeto pode ser feito para rodar em distribuições de sistemas não livres (e.g.: Windows, Android, iOS, macOS, GNU+Linux SteamOS, GNU+Linux Debian, GNU+Linux Arch, GNU+Linux Fedora, GNU+Linux Educacional). Mas é importante não levar isso como um requerimento para as contribuições feitas ao projeto (exemplos disso incluem o desenvolvimento do GNU Emacs e do GNU IceCat, que apesar de aceitarem contribuições e binários para que estes rodem no Windows, não estipulam isso como prioridade ou requerimento, assim, a pessoa que contribui com um aprimoramento apenas para distribuições livres não deve se sentir obrigado a sair caçando um dispositivo com distribuições não livres apenas para implementar os mesmos aprimoramentos ou para fornecer um binário, haja vista que a pessoa provavelmente não tem tal distribuição não livre sempre disponível para ela, o que não é verdade para as distribuições de sistemas livres). Sobre os mais diversos sistema de controle de versão (e.g.: Git, Mercurial, Subversion, GNU Bazaar, Darcs, Aegis, Fossil) e os fornecedores de serviços de hospedagem de repositórios (e.g.: GitHub, GNU Savannah, GitLab, BitBucket, NotABug), a questão que ainda está vaga aqui é: qual sistema de controle de versão você considera importante para teu trabalho? Quem sabe, dependendo do caso, podemos sugerir ao GNU Savanah que aprimore o Savane (o software que fornece o site, e a integração entre todos os recursos disponibilizados no GNU Savannah e em outros fornecedores que usam o Savane). É tudo uma questão de realmente entrar em contato e dar feedback. Neste sentido, estou tentando atuar como facilitador. Além disso, conforme a definição de software livre ([[https://www.gnu.org/philosophy/free-sw.html]]), as "liberdades" em questão dizem respeito à liberdade *do* software, não "de software", para mais informações veja [[http://acesso.me/blog/a-liberdade-do-software-e-a-sua-liberdade-sao-a-mesma-coisa/]]. Digo mais, a liberdade *do* software é prerequisito para que haja liberdade *de* software na sociedade (*em geral*, não apenas de públicos seletos). Isso vem sendo questionado com frequência, por exemplo, na lista geral dos organizadores brasileiros do Festival Latino-americano de Instalação de Software Livre, na qual a maioria dos participantes da lista ainda confunde os dois termos. De qualquer forma, como já deixei claro várias vezes nesta mensagem: estou à disposição. :) Respeitosamente, Adonay. _______________________________________________ gnucash-br mailing list [email protected] https://lists.gnucash.org/mailman/listinfo/gnucash-br
