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Barragem de Algodões* MPF pedirá laudos da PF e do TCU sobre segurança da barragem que se rompeu no Piauí Publicada em *29/05/2009* às 23h31m Cleide Carvalho, O Globo Comente<http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/05/29/mpf-pedira-laudos-da-pf-do-tcu-sobre-seguranca-da-barragem-que-se-rompeu-no-piaui-756094370.asp#coment> Comentários<http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/05/29/mpf-pedira-laudos-da-pf-do-tcu-sobre-seguranca-da-barragem-que-se-rompeu-no-piaui-756094370.asp#coment> [image: Foto Efrem Ribeiro/O Globo]<http://oglobo.globo.com/fotos/2009/05/29/29_MHG_sp_piauii.jpg> SÃO PAULO - O procurador-chefe do Ministério Público Federal no Piauí, Kelston Pinheiro Lages, vai solicitar laudos técnicos à Polícia Federal e ao Tribunal de Contas da União para verificar se o rompimento da Barragem de Algodões ocorreu por deficiência na estrutura da obra. O governo do estado, por meio da Empresa de Gestão de Recursos do Piauí (Emgerpi), estava providenciando obras de reparo na barragem. Seis mortes foram confirmadas até agora.<http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/05/29/bombeiros-encontram-corpo-de-menina-de-6-anos-vitima-de-rompimento-de-barragem-no-piaui-756102110.asp> - Queremos saber quais as razões do reparo na barragem - diz Lages, acrescentando que a Algodões foi construída na década de 1990. Segundo ele, o MPF vai ouvir depoimentos de representantes do Departamento Nacional de Obras contra a Seca, que destinou recursos à obra por meio de convênio com o governo do estado. - O governo do Piauí vem recebendo verbas federais e há uma preocupação em acompanhar as grandes obras para que os recursos sejam bem aplicados - afirmou. Lages afirmou que apenas a investigação e pareceres técnicos poderão determinar se houve responsáveis pela tragédia. A força das águas destruiu cerca de 500 casas. Na tarde desta sexta-feira, o governador Wellington Dias determinou a criação de uma comissão que vai apurar as causas do acidente.<http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/05/29/governo-do-piaui-cria-comissao-para-avaliar-rompimento-de-barragem-756100983.asp>A comissão terá 30 dias para concluir os trabalhos. Nesta quinta, o MPF determinou abertura de investigação para apurar as responsabilidades do rompimento da barragem. O MP quer saber ainda porque as famílias, que haviam sido retiradas do local há 15 dias por conta de fissuras detectadas no paredão da barragem, foram autorizadas a retornar a suas residências na última quinta-feira. Cinco dias após o retorno, a barragem se rompeu, arrastando postes, plantações, casas e deixando inúmeros desabrigados. As buscas por possíveis vítimas continuam e pelo menos 11 pessoas estão desaparecidas, segundo a Defesa Civil. ( Veja fotos da tragédia<javascript:NewWindow('/cidades/sp/fotogaleria/2009/9003/','fotogaleria',720,580,'no','no');>) As cerca de 2.500 famílias - 10 mil pessoas - que moram em áreas próximas à Barragem, em Cocal da Estação e Buriti dos Lopes, tinham começado a retornar a suas casas na última sexta-feira. Um dia antes do início da volta para casa dos desalojados, na quinta-feira, 21 de maio, o engenheiro Luíz Hernani, responsável pelo projeto de construção da obra, em 2001, garantira que não haveria rompimento. Ele havia visitado a área com a presidente da Emgerpi, Lucile Moura, e uma equipe de técnicos e engenheiros. A notícia, publicada no site da Emgerpi, diz que "após ampla vistoria, ele confirmou que a barragem não corre risco de rompimento". [image: Engenheiro e representantes da Engerpi no dia da liberação da barragem/Reprodução de foto do site da Emgerpi/Divulgação]<http://oglobo.globo.com/fotos/2009/05/28/28_MHG_sp_engerpi.jpg>"Reafirmo o que havia dito antes e garanto a segurança desta barragem. O desmoronamento do acesso a barragem é natural, devido à força das águas que transbordaram e deve continuar acontecendo, sem comprometer em nada a estrutura do reservatório", teria dito o engenheiro, referindo-se à estrada que leva à barragem, que sofria erosão, conforme notícia publicada no site da Emgerpi no mesmo dia em que a volta das famílias foi liberada. Obras estavam previstas para fazer outra estrada de acesso ao paredão da barragem. O estudo a respeito da estrutura da Barragem Algodões vinha sendo feito desde fevereiro deste ano pela empresa de consultoria Geo Projetos e Engenharia, do Rio de Janeiro. [image: Divulgação/governo do estado do Piauí]<http://oglobo.globo.com/fotos/2009/05/29/29_MHG_sp_pibarr1.jpg>O governador Wellington Dias (PT) disse que o aumento rápido no nível do reservatório começou a ser percebido às 14h30m de quarta-feira e atribuiu o acidente a chuvas fortes ocorridas no Ceará nas 72 horas antes da tragéfia. A tromba d'água teria agravado fissura já existente entre o sangradouro e a parede da barragem. O rompimento ocorreu no fim da tarde de quarta. *Indícios de fraudes na barragem* Relatório aprovado em 2002 pelo Tribunal de Contas da União (TCU) aponta indícios de fraudes na construção da barragem Algodões I. A obra foi investigada pela PF e é citada em auditoria que lista sinais de irregularidades em quatro represas erguidas pela antiga Companhia de Desenvolvimento do Piauí (Comdepi), no mandato do ex-governador e hoje senador Mão Santa (PMDB-PI). Há indícios de desvio de verbas repassadas ao Piauí pelo governo federal. Na Algodões I, o TCU constatou uso de notas frias para justificar a liberação de R$ 3,2 milhões. O que equivale a 29,4% dos R$ 11 milhões repassados para a obra entre 1997 e 1998. Segundo o documento, o uso de notas irregulares se repetiu na construção das barragens Salinas, Rangel e Pedra Redonda. Assinado pelo ministro Walton Rodrigues, o relatório do TCU descreve problemas comuns em obras da "indústria da seca": "Somam vultosos valores as despesas e pagamentos fictícios que serviram de suporte para comprovação da execução dos serviços das barragens".
