http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u705802.shtml

Cartunista da Folha, Glauco morre em tentativa de assalto
da Folha Online

Atualizado às 09h07.

O cartunista Glauco Villas Boas, 53, foi morto nesta madrugada em sua 
casa, em Osasco, após uma tentativa de assalto ou sequestro --a polícia 
ainda investiga. Raoni, 25, um dos filhos do cartunista, também morreu 
durante uma discussão com dois homens armados que invadiram a casa.

Veja galeria de fotos da carreira de Glauco Raphael Falavigna/Folha Imagem

Glauco em foto de 2002; cartunista foi morto nesta madrugada em 
tentativa de sequestro


De acordo com informações de Ricardo Handro, advogado de Glauco, os dois 
homens invadiram o local por volta da meia-noite. Glauco e sua mulher 
teriam sido agredidos várias vezes, mas o cartunista continuava 
negociando com os criminosos. Glauco teria convencido os bandidos a 
levá-lo, aparentemente para sacar dinheiro, deixando a mulher e filhos 
em casa.

Quando saía de casa, onde também fica a igreja Céu de Maria, da qual 
Glauco era padrinho fundador, o filho Raoni chegava. No portão, ao ver o 
pai sangrando e com uma arma apontada, houve discussão com os 
assaltantes, que atiraram e mataram pai e filho. Eles fugiram e estão 
sendo procurados.

Segundo informações do advogado, esta foi a primeira vez que a casa de 
Glauco foi invadida. O carro que estava com os assaltantes era roubado.

Um boletim de ocorrência foi registrado do 1º DP de Osasco, e a polícia 
agora investiga. Ninguém foi preso até o momento.

O corpo do cartunista ainda está retido no IML de Osasco, que se recusa 
a dar previsão de liberação. Familiares e amigos velarão por Glauco em 
sua igreja, a Céu De Maria, da doutrina do Santo Daime.

Carreira

Nascido em Jandaia do Sul, interior do Paraná, Glauco começou a publicar 
suas tirinhas no "Diário da Manhã", de Ribeirão Preto, no começo dos 
anos 70.

Em 1976, foi premiado no Salão de Humor de Piracicaba e, no ano 
seguinte, começou a publicar seus trabalhos na Folha de maneira 
esporádica. A partir de 1984, Glauco passou a publicar suas tiras 
regularmente no jornal.

Entre seus personagens estão Geraldão, Cacique Jaraguá, Nojinsk, Dona 
Marta, Zé do Apocalipse, Doy Jorge, Ficadinha, Netão e Edmar Bregman, 
entre outros.

Em 2006, ele lançou o livro "Política Zero", reunião de 64 charges 
políticas sobre o Governo Lula publicadas na página 2 da Folha.

Glauco também era líder da igreja Céu de Maria, ligada ao Santo Daime e 
que usa a bebida feita de cipó para fins religiosos.

Responder a