Definindo o PT: nunca antes neste país houve uma quadrilha igual.

C.A.


Fausto Macedo - O Estado de S.Paulo 26.5.2010

O empresário Andi Roberto Gurczynska, que trabalhou como segurança para a 
cúpula da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), declarou ontem na 
Assembleia Legislativa de São Paulo que emitia notas de serviço
para a entidade e, em contrapartida, recebia em sua conta depósitos de valor 
"dez vezes superior". A diferença, contou, era resgatada depois e levada ao 
então presidente da Bancoop, Luís Malheiro, e a outros diretores.

"Era voz corrente que (o dinheiro) ia para o PT", disse Andi, em depoimento à 
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga supostas fraudes e 
desvios na cooperativa fundada por um núcleo ligado ao Partido dos 
Trabalhadores.

Segundo Andi, ele próprio escoltava Malheiro até o Sindicato dos Bancários, na 
ocasião dirigido por João Vaccari Neto, hoje secretário de Finanças e 
Planejamento do PT. Nessas visitas ao sindicato, Malheiro levava envelopes, 
supostamente os mesmos que haviam sido retirados da
agência bancária.

Entre 2005 e início de 2010, Vaccari presidiu a Bancoop - ele sucedeu a 
Malheiro que, em 2004, morreu em acidente de carro. Vaccari é o alvo principal 
de investigação do Ministério Público Estadual que a ele atribui envolvimento 
em desvios que podem chegar a R$ 100 milhões. Parte desse montante, segundo a 
promotoria, teria sido destinado a campanhas
eleitorais do PT.

Andi relatou que "por três ou quatro vezes emitiu notas" no valor de R$ 3.800 
cada uma. A Bancoop depositava R$ 38 mil em sua conta bancária por nota 
lançada. Ele abriu seu sigilo bancário e fiscal para provar que os valores 
foram depositados a seu favor, mas sacados em seguida.

O empresário disse não ter como informar com precisão as datas em que as 
transações bancárias foram efetuadas. "Minha intenção era trabalho, eu fazia 
segurança, não ficava preocupado com datas. Posso dizer que foi entre 2002 e 
2004. Eu era segurança pessoal, chefe da segurança da
direção da Bancoop e fazia a escolta dele (Malheiro)", disse. "Eu era mais 
ligado diretamente a ele do que a qualquer outra pessoa lá dentro."

Apartidário

Na sessão de ontem da CPI, Andi demonstrou indignação quando parlamentares do 
PT o acusaram de estar a serviço do PSDB. Deputados informaram que, a partir de 
dezembro de 2009, ele fechou cinco contratos com administrações tucanas.

"Querem me desqualificar. Sou um profissional da área de segurança.
Minha empresa também tem contratos com gestões do PT. Participo de licitações 
absolutamente transparentes. Quiseram me achincalhar. Sou apartidário, não sou 
filiado a nenhum partido. Sou empresário."

"A CPI havia tomado depoimentos de cooperados que denunciaram lesões, mas agora 
começamos a verificar para onde foi o dinheiro", declarou o deputado Bruno 
Covas (PSDB), relator da CPI. "Se pagaram e não receberam
em serviços, alguma coisa foi feita com esses recursos. Ninguém retira dinheiro 
em volumes elevados para pagar conta de água ou pagar funcionário. Ninguém 
precisa de segurança para levar envelope para outro lugar, a menos que haja 
dinheiro nesse envelope."

Para Covas, as operações narradas por Andi caracterizam contabilidade paralela. 
"Ele disse que recebia valor X e dava uma nota correspondente a 10% desse 
montante porque precisavam repassar em dinheiro para diretores. Chama a atenção 
que ele recebia a mais sobre a nota. Não é caixa 1, é caixa 2.".

Sobre a acusação de que Andi teria ligações com o PSDB, Bruno Covas foi 
taxativo ao comparar o episódio ao do caseiro Francenildo Costa que, em março 
de 2006, denunciou o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda) como
frequentador da "casa do lobby", em Brasília..

"O PT quer fazer com uma testemunha importante o que tentou fazer com o 
Francenildo quando descobriram um depósito na conta dele. Mais tarde ficou 
comprovado que era dinheiro do pai do caseiro. A alegação de que Andi está a 
serviço do governo do PSDB é absurda."

O deputado Vicente Cândido (PT), que integra a CPI, considera a versão de Andi 
um caso inusitado. "Normalmente, nesses casos de desvio de verbas ou corrupção, 
a nota é maior que o recebimento efetivo. Ele
(Andi) não provou nada." Vaccari Neto não retornou contato feito pela 
reportagem.


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