<http://culturaaeronautica.blogspot.com/2010/05/operacao-salomao-1122-passageiros-bordo.html>Operação
Salomão: 1122 passageiros a bordo de um único voo
Na Bíblia Sagrada, uma das histórias mais
fascinantes é, sem dúvida, o Êxodo, a fuga dos
hebreus do Egito. Oprimidos e escravizados pelo
Faraó, o povo hebreu fugiu para a Terra
Prometida, Israel, conduzidos por Moisés, talvez
o mais relevante personagem do Velho Testamento.
A fuga durou longos 40 anos através do Deserto do Sinai.
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Como a história sempre se repete, há menos de 20
anos, em 1991, tivemos um novo Êxodo. Desta vez,
os judeus não saíram do Egito, e sim da vizinha
Etiópia, perseguidos por um tirano opressor.
Dessa vez, não foi preciso abrir passagem através
do Mar Vermelho, pois a fuga foi feita por via aérea.
Por séculos, uma comunidade judaica, os Falashas,
viveu na Etiópia, praticamente ignorados pelo
mundo. No final dos anos 1980, os Falashas
estavam em sério risco, devido à guerra civil que
grassava na Etiópia, então dominada por um
ditador violento e sanguinário, Mengistu Haile
Mariam.Assim como o faraó dos tempos de Moisés, o
regime de Mengistu sempre dificultou muito uma
emigração em massa dos judeus etíopes para Israel.
Após muita negociação, conduzida principalmente
pelo Embaixador de Israel na Etiópia, Asher Naim,
o então sitiado regime de Mengistu concordou em
permitir a saída dos Falashas para Israel.
Era preciso agir com rapidez, e muita rapidez. A
Etiópia virou praticamente uma "terra de ninguém"
naqueles dias de maio de 1991, e o ditador
Mengistu já não estava no poder, quando Israel
mobilizou uma frota de aeronaves militares e
civis para resgatar os judeus etíopes em Adis
Abeba, antes que a cidade fosse ocupada pelos rebeldes.
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Trinta e seis aeronaves israelenses participaram
do resgate: 18 Lockheed Hercules C-130 e 9 Boeing
707 da Força Aérea de Israel, e mais 9 aviões
civis da El Al: 3 Boeing 747, 4 Boeing 767 e 2
Boeing 757. Para prevenir possíveis
constrangimentos diplomáticos e acusações de
violação de normas da aviação civil, os aviões da
El Al foram descaracterizados e tiveram seus logotipos e marcas apagados.
Como era preciso levar o máximo possível de
pessoas, quase todos os aviões tiveram seus
assentos removidos e foram configurados como
cargueiros. Dessa forma, poderiam levar muito mais gente.
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Um dos Boeing 747 da El Al, matriculado 4X-AXD,
pousou em Adis Abeba para resgatar os falashas. O
comandante do avião pretendia embarcar 760
passageiros, mas logo que verificou o estado em
que estavam os refugiados, muito magros e
desnutridos, autorizou o embarque de mais gente,
pois não haveria o risco de excesso de peso. Em
apenas 37 minutos, um total oficial de 1087
refugiados embarcou no avião. Muitas crianças
pequenas, no entanto, também embarcaram
escondidas embaixo das saias das mães, elevando o
total para 1120 pessoas a bordo. Como dois bebês
nasceram durante a viagem, o número total de
pessoas transportadas a bordo desse 747 da El Al
elevou-se a 1122, o maior número de passageiros
carregado em um único voo em toda a história da aviação.
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O veterano Boeing 747-258C 4X-AXD, versão
convertível carga-passageiros, tinha sido
entregue novo para a El Al no último dia de 1975.
Posteriormente foi vendido e acabou acidentado em
Lagos, na Nigéria, em 29 de novembro de 2003,
operando então pela Hydro Air como ZS-OOS.
Todos os demais aviões levaram muito mais
passageiros do que o normal: os Boeing 707, sem
assentos, levaram 500 passageiros em cada voo,
enquanto os 767, com seus assentos instalados,
levaram 430. Os Boeing 757, também com os
assentos, levaram 360 passageiros em cada voo.
<http://3.bp.blogspot.com/_uRX1wGVlxMw/S_KoYgWU2II/AAAAAAAABbw/W8zWbHeRGn4/s1600/Opera%C3%A7%C3%A3o+Salom%C3%A3o+2.jpg>
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A operação de resgate foi concluída em apenas 36
horas, e foi muito bem sucedida. nada menos que
14325 Falashas foram resgatados em segurança,
entre os dias 23 e 24 de maio de 1991. 140
refugiados tiveram que ir para o hospital depois
dos voos. Se estivesse vivo, o grande Moisés
ficaria, sem dúvida, muito orgulhoso da operação.
Matzembacher,André
Santa é a guerra,
e sagrada são as armas para aqueles que somente nelas podem confiar
V ilaça
http://clarival.com