A ESPERTEZA DA MORTE
Numa pequena cidade da Índia vivia um famoso
ancião que por décadas estudou e praticou as mais
diversas meditações espirituais. Tanto esforço
foi recompensado com uma saúde de ferro e com poderes sobrenaturais.
Muitos o chamavam de mestre; ele tinha
discípulos, dava conselhos, fazia curas através
de mantras e dizia a todos que quando chegasse a
sua hora de partir para o outro mundo, ele enganaria a morte.
Ao completar cem anos, o ancião intuiu que Yama,
o deus da morte, estava convocando um emissário
para levá-lo do mundo terreno. Rapidamente, e
usando todos os seus poderes, o velho conseguiu
criar doze cópias perfeitas de si mesmo.
Quando o emissário de Yama entrou na sala do
ancião, ficou completamente confuso. Na sua
frente estavam treze velhos idênticos! Qual seria
o verdadeiro? O emissário olhou atentamente para
eles, mas não havia nada que os diferenciasse,
portanto, a missão de levá-lo havia falhado.
Quando chegou à casa de Yama de mãos abanando, o deus da morte lhe perguntou:
- Cadê a encomenda que mandei buscar?
O emissário, com ar desolado, contou o que havia
ocorrido. Yama, em vez de ficar bravo, deu uma
gargalhada tão forte que chacoalhou Kailas, a montanha onde Shiva reside.
- Não está bravo comigo? - perguntou o emissário.
- Não. Estou é surpreso com a esperteza daquele
velho. Venha cá, emissário, aproxime-se. Quero
lhe dizer ao pé do ouvido o que você deve fazer
com aquele ancião. Ninguém é mais esperto do que a morte! - sentenciou Yama.
O emissário se aproximou, sentiu um ar gelado
percorrer sua espinha e ouviu o sussurro da
morte. Quando Yama terminou de falar, o emissário
estava com um sorriso estampado no rosto.
- Já volto com a sua encomenda! - gritou o
emissário, preparando-se para descer à terra novamente.
Em sua cidadezinha, o ancião novamente pressentiu
a chegada da morte, e como não se havia passado
muito tempo desde a última visita, lá estavam
suas doze cópias perfiladas uma ao lado da outra.
Ele se encaixou entre elas e aguardou...
Dali a pouco, lá estava o emissário pela segunda
vez na frente de treze velhos idênticos. Ele
passou os olhos em todas as cópias e disse:
- muito bem, o senhor é inteligente mesmo! Só um
grande homem, com uma sabedoria ímpar e um
espírito especial, poderia realizar tal façanha.
Porém disse o emissário em tom grave , vejo um
grande defeito no seu trabalho!
- Qual?!!! - gritou o verdadeiro ancião.
O emissário riu e respondeu:
- A vaidade, sempre a vaidade. Yama tinha razão.
Depois de algum tempo, Yama recebeu sua encomenda.
(As 14 Pérolas da Índia Ilan Brenman)
From Werneck
V ilaça
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