acabo de voltar de um bom jantar do dia 1206, dia dos namorados, e encontro
essa perola, um verdadeiro presente de aniversário na minha caixa postal.
como o jornal O GLOBO agora é fonte confiável  a colunista Míriam Leitão tb
já foi citada pela nossa socialite socialista

Complementando a mensagem abaixo, dentro do espírito mata a cobra e mostra o
> pau, reproduzo o artigo publicado no jornal O GLOBO de ontem, 12/JUN/2010,
> na  página 28 do caderno Economia:
> *Muito melhor do que apresentar opiniões é mostrar fatos e deixar que cada
> um, de acordo com a própria inteligência e discernimento, decida o que quer.
> É claro que sempre existirão os masoquistas que adoram levar cacetadas. Mas
> eles, creio eu, constituem uma pequena minoria.* (®by PSP o troux, digo, o
> crédulo)
>

PSP até para ser trouxa tem um limite aceitável, achar que as outras pessoas
não sabem ler é uma ofensa a inteligencia coletiva da lista

>  MIRIAM LEITÃO - Página 28
>    *Semente da discórdia*
> Miriam Leitão
>
> *PANORAMA ECONÔMICO*
>
> O governo do presidente Lula criou um conflito federativo. A votação da
> emenda do senador Pedro Simon na calada da noite foi apenas um golpe desse
> conflito. Simon tirou recursos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo com
> argumentos demagógicos, mas a discórdia entre os entes da Federação foi
> semeada pela proposta do governo e sua ambiguidade desde o começo.
>
> O que torna o Rio mais desprotegido é o fato de o governador Sérgio Cabral
> preferir, mesmo diante de reiteradas demonstrações de ambivalência do
> governo federal, esperar de Brasília a solução para o problema criado por
> Brasília.
>
> Como se o nome completo da capital, São Sebastião do Rio de Janeiro, fosse
> um destino, o estado parece condenado ao sebastianismo.
>
> Espera que uma pessoa, no caso o presidente, venha salvar o Rio.
>
> *Foi o governo que propôs em primeiro lugar uma mudança extemporânea e mal
> justificada do modelo de exploração do petróleo* que, de cara, acaba com
> uma das fontes de arrecadação no petróleo do pré-sal, as participações
> especiais. Foi da base do mesmo governo que saiu a proposta original do
> deputado Henrique Alves (PMDB-RN) que tirava parte dos recursos dos estados
> produtores. Foi a ambiguidade do presidente Lula que alimentou os
> interessados em aumentar a própria arrecadação reduzindo a dos outros: ora
> prometia aos governadores do Rio e do Espírito Santo que resolveria tudo;
> ora deixava correr na sua base parlamentar a ideia de redivisão dos
> recursos.
>
> Quando estourou a briga entre os estados, durante a tramitação na Câmara,
> Lula perguntou como se fosse estrangeiro ao assunto: “por que essa pressa
> se o assunto é para 2016?” O vespeiro no qual ele mexeu trouxe o risco a
> valor presente. A emenda do senador Pedro Simon (PMDBRS) quebra contratos e
> propõe o milagre de prometer o dinheiro do Rio para todos os outros estados
> e garantir ao Rio que ele nada vai perder.
>
> Pela informação prestada ontem pela sua assessoria, a emenda seria para
> toda a exploração de petróleo, pré-sal ou não, a serem licitados ou já
> licitados.
>
> Quando o governador Sérgio Cabral escreveu um artigo no GLOBO definindo a
> ideia como “expropriação”, em julho do ano passado, a então ministra-chefe
> da Casa Civil, Dilma Rousseff, em cuja sala foi formulada a proposta de
> mudança do modelo de exploração de petróleo, deu uma declaração pública
> dizendo que o governador tinha que ter “calma”. Que nada prejudicaria o
> Rio. Que a nova fórmula de distribuição dos royalties ficaria restrita aos
> campos de pré-sal não licitados.
>
> “Nada vai mudar em relação aos campos já existentes e em operação”,
> garantiu Dilma.
>
> Pelo texto aprovado no Senado, tudo mudou. O truque que o governo havia
> arquitetado era mudar sim, para todos os campos, a forma de tributação, mas
> só depois das eleições, quando não houvesse o risco de perda de eleitores no
> segundo maior colégio eleitoral do país. A emenda de Pedro Simon tem a
> vantagem de obrigar todos a acabar com as artimanhas. O governo terá que
> mobilizar sua base para derrubar a emenda ou o presidente terá que vetar. Se
> isso não acontecer, o governador Cabral terá que rever sua aliança com o
> governo federal, do contrário ficará claro que não defende os interesses do
> estado que governa. Ontem, tudo o que Cabral repetiu foi que conversou com o
> presidente e “o presidente me garantiu que o que vale é o acordado entre mim
> e ele.” A dúvida é até quando Cabral vai dar este mesmo tipo de resposta.
>
> O deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), autor da proposta original, defendeu a
> ideia com o argumento de que “o mar é de todos os brasileiros”.
>
> O artigo 20 da Constituição diz que é tudo da União: o mar, rios, ilhas,
> lagos, potencial hidráulico, recursos da plataforma continental, recursos
> minerais, cavernas e terra. Mas diz também no seu parágrafo primeiro que
> estados e municípios têm o direito de participar “do resultado da exploração
> de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração
> elétrica e de outros recursos no respectivo território, plataforma
> continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva.” Ou seja, a
> Constituição aceita o princípio do mar territorial de cada estado.
>
> Desde que a discussão começou, os estados que supostamente serão
> beneficiados pela nova forma de distribuição voltaram-se contra o Rio como
> se o estado onde se extrai 85% do petróleo do país estivesse usurpando
> recursos da Federação. O Rio, por seu lado, se sente ameaçado.
>
> O Espírito Santo produz menos, mas os recursos do petróleo também são
> fundamentais para o seu equilíbrio fiscal. Ficam assim os dois encurralados
> pelos outros. Nada desse ambiente ajuda a fortalecer a união de estados que
> decidiram compartilhar o mesmo destino, bandeira, hino, instituições,
> tradições e sonhos.
>
> Diferenças numa federação sempre existirão. Cabe à União pacificar os
> conflitos e conduzir uma negociação que contente a todos.
>
> Se há injustiças tributárias, isso teria que ter sido discutida desde o
> início da reforma tributária que o presidente Lula prometeu e não fez, e que
> agora sua candidata promete como se não tivesse havido os oito anos
> anteriores.
>
> oglobo.com.br/miriamleitao • e-mail: [email protected] COM ALVARO
> GRIBEL
>

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