Quem te viu quem TV

Na TV, PT diz que Lula estabilizou economia

BRASÍLIA - Apesar de ter sido um crítico feroz do Plano Real, que em 94
chamou de "estelionato eleitoral", e de ter brigado contra a Lei de
Responsabilidade Fiscal (LRF), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva omitiu
resultados das políticas econômicas dos governos Itamar Franco e Fernando
Henrique Cardoso e atribuiu ao seu governo, no programa do PT na TV na
quinta-feira, grande mérito na estabilização da economia. Protagonista do
programa ao lado da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, Lula exaltou
conquistas dos sete anos de seu governo, turbinou números de empregos
gerados no período e prometeu que, em breve, o Brasil atingirá o patamar de
quinta maior economia do planeta.

Historiadores e cientistas políticos contestam dados apresentados e criticam
o tom de endeusamento de Lula, como se ele fosse o criador de toda a
história recente no Brasil. Um trecho do programa diz que, em 2002, "o país
que tinha tudo, mas que não tinha nada". Os governos FH e Itamar, com o
Real, conseguiram driblar uma inflação que beirava os dois dígitos, abriram
a economia para entrada bilionária de investimentos, e fizeram privatizações
bem-sucedidas na área de telecomunicações e outros setores.

" Daqui a alguns anos, os livros de história vão dizer que Lula foi o pai
dos pobres e Fernando Henrique, o avô "

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O economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação
Getulio Vargas (FGV), diz que a grande vantagem do bom momento que o Brasil
vive, apesar da crise, é o resultado de 15 anos de boa política econômica e
social.

- Daqui a alguns anos, os livros de história vão dizer que Lula foi o pai
dos pobres e Fernando Henrique, o avô. Essa sequência é fundamental. A
continuidade foi o grande segredo. O grande personagem desse momento é o
brasileiro, não Lula ou FH. O brasileiro realizou um potencial que estava
meio adormecido nas duas décadas anteriores. FH plantou muita coisa, e Lula
colheu. E Lula plantou outro tipo de cultura de resultado mais imediato,
como o Bolsa Família, que, na verdade, é a continuidade do Bolsa Escola do
FH - avalia Neri.

*Bombardeio contra o Real*

" Não sei de onde são os 12 milhões (de empregos). Isso seria Alice no País
das Maravilhas "

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Em 26 de junho de 1994, candidato do PT à Presidência, Lula bombardeava o
Plano Real e uma pesquisa segundo a qual a maioria dos eleitores desejava a
sua continuidade. "O plano ainda não foi implantado. Quero saber como é que
a pesquisa foi conduzida para chegar a esse resultado. O povo está calejado
e não vai cair em mais um estelionato eleitoral", disse Lula, que acabou
derrotado por Fernando Henrique. Agora, no programa, cita todas as
conquistas advindas da estabilização econômica, como a criação de 12 milhões
de empregos com carteira assinada desde 2003.

- São dados turbinados. O número da FGV é 8,8 milhões de empregos no
período, que já é muito bom. Não sei de onde são os 12 milhões. Isso seria
Alice no País das Maravilhas - contesta Marcelo Neri.

O historiador Marco Antonio Vila criticou o fato de o programa do PT mostrar
todas as conquistas como fruto exclusivo da política adotada por Lula. Mas
disse que não se surpreendeu, porque, para Lula, a história sempre começa
com ele.

- Pessoalmente ele sempre agiu assim e isso não é um ato falho, é uma
estratégia, de apagar as figuras ou a historia que vieram antes dele. Para
Lula, o sindicalismo não começou com os anarquistas, mas com ele, em 75. Em
termos partidários considera que o primeiro partido dos trabalhadores foi o
PT, que é ele. E age como se fosse o primeiro governo a colocar ordem no
mundo - critica Vila.

*Dutra: críticas são dor de cotovelo do PSDB*

A direção nacional do PT confirma que a estratégia do partido nos programas
gratuitos de rádio e TV é mesmo realçar os feitos do governo Lula. O
presidente eleito do partido, José Eduardo Dutra, disse que as críticas são
resultado da "dor de cotovelo" dos tucanos. Sobre a contestação de alguns
dados, como o número de empregos com carteira assinada, Dutra afirmou que os
realizadores do programa foram até generosos com o governo FH.

- Acho que houve uma infiltração tucana na elaboração do programa do PT. O
que foi turbinado foi o número de empregos com carteira assinada do governo
FH. Nosso programa diz que foram gerados 5 milhões de empregos no governo
passado. Segundo o Caged, o saldo ao fim de oito anos foi de 700 mil -
disse.

" Isso é conversa para boi dormir de tucano com dor de cotovelo "

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O dirigente petista também rebateu as críticas sobre o fato de o programa se
referir às conquistas econômicas, como estabilidade e avanços sociais, como
se fossem apenas do governo atual, sem levar em conta o Plano Real e as
ações do governo Itamar Franco.

- Engraçado: no seu programa, o PSDB só falou dos oito anos do governo FH e
nenhum intelectual reclamou. Lógico que nosso objetivo é mostrar os oito
anos do Lula. Isso é conversa para boi dormir de tucano com dor de cotovelo.
O Aécio mostrou um monte de coisa (de Minas) e não disse que tudo começou
com o Itamar - reagiu Dutra.

Líderes de PSDB e DEM criticaram o programa do PT, em que Dilma aparece numa
espécie de jogral com Lula e é citada como a pessoa que o ajudou a
concretizar as grandes realizações do governo.

- Eles deveriam mostrar mais a candidata deles no programa. Não mostraram
muito. O candidato não é Lula, mas insistem nessa conversa de que o mundo
começou em 2003. O programa é um reconhecimento de que não têm candidatos -
disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

  *Real atrai os especuladores*

Correio Braziliense - 14/06/2010



Moeda brasileira passa o euro e já é a segunda mais negociada nos mercados
de derivativos

Londres — A moeda brasileira caiu de vez nas graças dos especuladores que
operam nos mercados derivativos, uma das fontes do estouro da bolha
imobiliária americana em 2008. Dados do Banco de Compensações Internacionais
(BIS, na sigla em inglês) coletados pela Reuters mostram que o real
tornou-se a segunda divisa mais importante nas bolsas internacionais de
derivativos, atrás apenas do dólar norte-americano e à frente do euro.

O volume de posições em aberto de contratos futuros e de opções da moeda
brasileira aumentou 41% nos primeiros três meses de 2010 para US$ 140
bilhões. “A importância do real no segmento de divisas do mercado de futuros
e opções se deve ao fato de haver, comparativamente, poucos negócios no
mercado de balcão”, informou o BIS, o BC dos bancos centrais.

Pelas contas da instituição, o volume de contratos em aberto de futuros e
opções com o dólar dos Estados Unidos alcançou US$ 330 bilhões ao final de
março e o montante em euros chegou a US$ 100 bilhões. No total, os mercados
futuros e de opções de moedas movimentaram, entre janeiro e março, US$ 9
trilhões, com aumento de 11% sobre o mesmo período de 2009.

O real não é uma moeda totalmente conversível, mas possui um mercado futuro
bem desenvolvido e bastante líquido. Além disso, a divisa é atraente para os
investidores devido à força da economia do país, à alta taxa de juros — que
alcançou 10,25% na semana passada — e à sua forte ligação com as commodities
(mercadorias com cotação internacional). O real continua, porém, sendo uma
moeda vulnerável em tempos de grande aversão a riscos nos mercados
financeiros.

Coreia impõe restrição

Seul — A Coreia do Sul anunciou ontem um pacote de medidas para conter a
forte oscilação de sua moeda, o won, alvo constante dos especuladores. O
objetivo é reduzir a entrada de fluxos de capitais no país ligados à dívida
externa de curto prazo, que representam um risco(1) para o nono maior
exportador mundial. As autoridades do país, alarmadas com as oscilações
abruptas do won durante a recente turbulência internacional, causada por
problemas de dívida na Europa, estavam preparando os investidores há semanas
para as medidas destinadas a estabilizar a moeda e a reduzir empréstimos
estrangeiros.

As restrições limitam as operações de câmbio e de derivativos realizadas por
bancos coreanos e outras instituições financeiras a 50% do que tiverem de
capital líquido. “Estas medidas visam a reduzir a volatilidade nos fluxos de
capitais, o que representa um risco sistêmico ao país, em vez de manter a
taxa de câmbio em uma direção específica”, informaram, em comunicado
conjunto, o Ministério das Finanças, o Banco Central e dois órgãos
reguladores da Coreia.

O limite para as unidades de bancos estrangeiros foi fixado em 250% do
capital social mínimo, que, em média, é de apenas um trigésimo do detido
pelos bancos locais. Representantes dos órgãos reguladores negaram que as
medidas, que se seguem ao controle de liquidez e a limitações sobre
transações em divisas de empresas, anunciados em novembro do ano passado,
poderão afetar a confiança dos investidores. O vice-ministro de Finanças e
Estratégia, Yim Jong-yong, disse que as autoridades conduziram “testes de
estresse” com os bancos coreanos e estrangeiros antes das medidas, para
garantir o sucesso delas, e garantiu que qualquer choque será minimizado.

*1 - Recessão*
Um dos principais motivos para a Coreia do Sul ter sofrido muito no ano
passado, com retração da economia, foi a forte volatilidade nos fluxos de
capitais para aquele país. Agora, o governo coreano quer ter a segurança de
que a quantidade de dinheiro que entrará e sairá do país não provocará
transtornos e não obrigará o Banco Central a agir.


França corta US$ 121 bi

O governo francês informou que reduzirá em pelo menos 100 bilhões de euros
(US$ 121 bilhões) o deficit fiscal do país até 2013. Caso seja bem-sucedido,
o ajuste adequará a França às regras da União Europeia, que permitem rombo
fiscal de apenas 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo o primeiro-ministro francês, François Fillion, metade desse valor
virá de cortes nos gastos públicos e do equilíbrio gerado pelo aumento da
arrecadação tributária. “Todos os nossos esforços se voltarão a essa
prioridade”, enfatizou Fillion.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, visitará a Alemanha na segunda-feira
para discutir a política econômica europeia. A França espera ancorar seu
comprometimento com uma política fiscal mais conservadora após Berlim ter
anunciado, no início do mês, planos para economizar um total de 80 bilhões
de euros até 2014.

Em maio, a França afirmou que iria congelar os gastos públicos nos próximos
três anos, além de cortar custos operacionais e economizar outros 5 bilhões
de euros com a suspensão de algumas isenções fiscais.

“Nossa diferença frente à Alemanha, em termos de reformas estruturais,
dívida e redução de deficit está diminuindo”, declarou à imprensa
Jean-Pierre Jouyet, chefe da AMF, o órgão regulador dos mercados da França.

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