está mais para 'crescimento do espetáculo' ...
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Eduardo Canastra
[email protected]
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Em 12 de junho de 2010 12:01, AKA <[email protected]> escreveu:
>
>
> para as viuvinhas do estadista...
> nada como depois, atirar no mensageiro
> argumento que é bom nada
>
>
>
> MERVAL PEREIRA - Página 4
> *O 'espetáculo' do crescimento*
> Merval Pereira
>
> *Na euforia que tem marcado suas aparições recentes, mescladas de uma
> irritação que não seria de se esperar se as coisas estivessem realmente bem,
> o presidente Lula decretou o fim de uma longa discussão na política
> econômica brasileira, a do PIB potencial, que, segundo ele, era uma
> “imbecilidade de economista”.*
>
> Disse Lula: “(...) diziam que o país não podia crescer mais de 3%, que a
> casa caía.
>
> Aprendemos que é gostoso crescer 4%, 5%, 6%. Queremos crescimento
> sustentável que dure dez, 15 anos”.
>
> Como quase sempre acontece, Lula estava desinformado e puxando a brasa para
> a sua sardinha. O Brasil, na verdade, muito antes dele, já teve crescimentos
> sustentados do PIB de níveis de Índia ou China: de 1950 a 1959, média de
> 7,15%; de 1960 a 1969, média de 6,12%; e de 1970 a 1979, de 8,78%.
>
> O maior crescimento do PIB foi de 13,97% em 1973, no auge do “milagre
> econômico”, mas taxas de dois dígitos só ocorreram em seis anos.
>
> A partir de 2007, o Brasil entrou em um crescimento anual em torno de 5%,
> mas mesmo o crescimento de 5,4% de 2007 colocava o Brasil em desvantagem
> diante de outros países do mundo do mesmo porte.
>
> Em 2008, o país cresceu 5,1%, mas, em 2009, o crescimento foi negativo. Se
> se confirmar a previsão do governo de crescer 7% este ano, é possível que a
> média final de crescimento do governo Lula fique próxima de 4%.
>
> Um crescimento menor, por volta de 5%, por exemplo, levaria a média do
> governo Lula para um patamar por volta de 3,5%, sempre abaixo da média do
> crescimento mundial, com o agravante de que os primeiros anos do governo
> Lula foram os mais prósperos do mundo nos últimos anos.
>
> O economista Reinaldo Gonçalves, professor da UFRJ, em recente trabalho
> comparativo entre os governos republicanos, aponta que no período 1890-2009
> a taxa média de crescimento real do PIB brasileiro é de 4,5%.
>
> No conjunto de 29 períodos, o governo Lula (2003-09) tem a 9ª mais baixa de
> crescimento econômico. E, na ordem decrescente, constatase que a taxa de
> crescimento no governo Lula (3,5%) ocupa a 21ª posição.
>
> Neste governo, segundo seus estudos, o crescimento médio real anual do PIB
> é significativamente menor do que a taxa secular de crescimento econômico do
> país em toda a sua História republicana (4,5%) e à mediana das taxas anuais
> (4,6%).
>
> Um ponto positivo é o de que o “crescimento potencial” do Brasil, que, no
> início do governo Lula, era de cerca de 3,5% — a partir do que teríamos
> problemas de inflação e “hiato de produção”, isto é, falta de produtos e até
> mesmo “apagão” de energia —, hoje já está por volta de 5%, o que mostra a
> evolução dos investimentos públicos e privados, e a melhoria dos fundamentos
> econômicos.
>
> A taxa média de crescimento do PIB brasileiro dos últimos 50 anos foi de
> 5%, mas a história recente reduz essa expectativa: de 1990 a 2003, o
> crescimento médio foi de 1,8%; de 1980 a 2003, 2%.
>
> A ampliação do “PIB potencial” está relacionada ao aumento da taxa de
> investimento, que vem subindo cerca de 8% ao ano nos últimos anos, chegando
> a 17,6% ano passado, e a mais de 18% no primeiro trimestre deste ano, quando
> o PIB cresceu 2,7%, um índice maior do que nosso crescimento médio anual dos
> últimos 20 anos até 2003.
>
> Comparado com a China, que investe cerca de 40% do PIB, estamos ainda em
> patamares muito baixos para querer um crescimento sustentável desse nível.
>
> Na época do “milagre brasileiro”, nos anos 1970, o investimento no país
> chegou próximo a 30% do PIB, taxa que hoje é investida pela Índia, que
> cresce a uma média de 6% ao ano nos últimos 15 anos.
>
> Para crescer de maneira sustentada, o mínimo necessário seria um
> investimento público e privado da ordem de 25% do PIB.
>
> A equipe do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV do Rio, chefiada
> pelo economista Luiz Guilherme Schymura, fez simulações do PIB potencial
> futuro que apontam, mesmo no cenário mais conservador, um crescimento
> potencial até 2015 de aproximadamente 4%.
>
> No cenário otimista, o PIB potencial fica entre 4,5% e 5,5% entre 2008 e
> 2015.
>
> Essa meta só seria factível, porém, com o crescimento da produtividade a
> 1,5% ao ano, estimulada principalmente pela importação de máquinas e
> equipamentos.
>
> Ao mesmo tempo, porém, a poupança brasileira está na faixa de 20% do PIB,
> enquanto na China ela está entre 45% e 50%, o que explica a diferença dos
> investimentos nos dois países.
>
> Para aumentar a taxa de investimento, seria preciso controlar as contas
> públicas e realizar as reformas estruturais de que o país precisa em setores
> vitais e sensíveis, como a legislação trabalhista ou a Previdência. O que
> será tarefa difícil para o próximo presidente ou presidenta, pois estará
> substituindo um presidente popular que distribuiu mais bondades do que
> rigores.
>
> O senador Pedro Simon, em telefonema e em seu pronunciamento no Senado
> ontem, tentou desfazer a má impressão que seu projeto sobre a redistribuição
> dos royalties do petróleo deixou entre os habitantes do Rio de Janeiro e do
> Espírito Santo.
>
> Longe de mim acreditar que o senador gaúcho lançou seu projeto com o
> intuito de se aproveitar do clima eleitoral para ganhar vantagens com os
> eleitores gaúchos.
>
> Ele declarou ontem que sua tentativa, ao contrário, foi conseguir que o Rio
> e o Espírito Santo fossem ressarcidos pela União dos prejuízos que a emenda
> Ibsen Pinheiro causaria.
>
> A questão é que a boa vontade do senador Simon não encontra respaldo na
> realidade burocrática e orçamentária do país, e, sem querer, ele acabou
> parceiro do governo nesta crise federativa que está instalada.
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