uma triste realidade

onde está a contra-mola que resiste...


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*De:* Marcos Coimbra [mailto:[email protected]]
*Enviada em:* terça-feira, 29 de junho de 2010 10:26
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*OPOSIÇÃO INEXISTENTE*

Prof. Marcos Coimbra

Conselheiro Diretor do CEBRES, Professor de Economia e Autor do Brasil
Soberano.

        Em novembro de 2007, escrevemos neste espaço um artigo com o título
“Oposição Ingênua ou Conivente”, o qual atualizamos agora, devido a
oportunidade do tema, quando o Brasil assiste estarrecido a uma sucessão de
erros e incompetência da denominada “oposição” à administração Lula.

        Na raiz do problema existe o fato de que falta autenticidade a
grande parte dos intitulados “oposicionistas” brasileiros. Os oito anos do
“príncipe” da sociologia não sofreram solução de continuidade nos dois
mandatos petistas, em especial no tocante à administração econômica. Os
últimos quinze anos e seis meses caracterizaram-se por um conjunto de
medidas que ilustram uma gestão contínua capaz de ser qualificada como “pai
dos pobres e mãe dos ricos”. O processo de deterioração das principais
Instituições Nacionais agrava-se a cada dia, sem possibilidade de reversão.
As nossas Forças Armadas continuam a sofrer um brutal esvaziamento, sendo
obrigadas a aceitar imposições descabidas.

        Os petistas possuem o poder informal, somado ao poder formal,
propiciado pelo exercício do comando do governo central. Em cerca de oito
anos já nomearam dezenas de milhares de correligionários para cargos de
confiança de alto nível. A cada momento, posições de relevo são ocupadas por
eles. A maioria dos integrantes das mais Altas Cortes do Judiciário já foi
nomeada por Lula. Grande parte dos maiores empresários do país foi cooptada.
Concorrências bilionárias sem as devidas licitações fazem a alegria dos
“escolhidos” pelo rei. Através do BNDES grupos poderosos são beneficiados
obtendo a concessão de vultosos empréstimos a juros subsidiados, inferiores
aos pagos pela “rolagem” da enorme dívida interna.

        Não bastasse o grave erro cometido, na ocasião do triste episódio do
“mensalão”, quando era o momento adequado para cobrar as responsabilidades
dos infratores, pugnando pela justa punição deles e pela solicitação do
devido impedimento de Lula, acomodou-se, com medo da reação dos ditos
“movimentos populares” ligados ao PT ou por outras razões desconhecidas, mas
indefensáveis. Talvez acreditando que Lula sangraria e seria um adversário
fácil de ser batido em 2006, o que não aconteceu.

        O atual "espetáculo" proporcionado pelos nossos "políticos" é de
estarrecer. A troca desenfreada de partidos, o esquecimento das bandeiras
defendidas no passado, alianças espúrias efetivadas, o clientelismo
desenfreado, o assistencialismo enganoso, o nepotismo desvairado mostram o
baixo nível de cultura política existente. A razão verdadeira destes
procedimentos está na busca de verbas, cargos e nomeações para garantir a
reeleição ou posições mais prósperas. Ora, os distintos chefes políticos
tradicionais não estão enxergando um palmo a frente. O PT possui um projeto
de poder para no mínimo 20 anos. Após a eleição de Dilma, virá Lula de novo
em 2014 e 2018. Para os partidos aliados está oferecendo "migalhas". O PMDB,
então, está engajado no apoio a todas as iniciativas petistas, altamente
desgastantes, sem ter uma retribuição compatível ainda.

Constatando-se o poder da mídia, quase que inteiramente dependente das
concessões públicas e das verbas publicitárias provenientes em especial da
administração federal, encontramos um cenário preocupante. Apesar das
diversas correntes que abriga, o PT adota o centralismo democrático modelo
cubano e sabe impor a sua vontade aos eventuais contestadores, vide os
recentes exemplos de MG, MA e RJ.

Se este panorama for concretizado, com a continuação da "eleição eletrônica"
nos viciados moldes atuais e com o controle da maioria dos ministros do
Supremo Tribunal Federal nomeados por Lula, estarão criadas as condições
para o surgimento de um rolo compressor capaz de propor alteração na
Constituição, de modo a haver a implantação de uma “democracia bolivariana”
no país.  Nunca mais o PT abandonará o poder, a exemplo do que está
acontecendo na Venezuela, com os seguidores de Chávez, na Bolívia e outros.
Em paralelo com o crescente esvaziamento dos demais partidos, em virtude
principalmente do fisiologismo, o PT não necessitará mais do apoio de outro
partido, pois será forte o suficiente para governar sozinho, como o PRI.

Estarão criadas as condições para a implantação de um partido único, de
fato, sectário, radical, perseguidor dos que não pensam como eles, conforme
já está ocorrendo nas principais estatais brasileiras, permitindo-se a
sobrevivência de alguns, apenas para afirmação da falácia de que vivemos em
uma democracia, a exemplo do passado, com a Arena e o MDB. Será que os
ilustres dirigentes partidários de outros partidos não estão percebendo o
perigo que estão correndo? A única saída é a união de todos, em torno de um
projeto democrático, para evitar a ditadura de fato, enquanto é tempo. Na
realidade, como na fábula narrando a sociedade entre os porcos e as
galinhas, os demais partidos entram com o bacon, enquanto o PT fornece os
ovos.

*É muito triste assistir as trapalhadas de Serra e sua equipe tentando
montar uma chapa alternativa à continuidade da facção mais radical e
irracional do PT no poder sem o menor cacoete de oposição. Falta coragem,
competência e capacidade de articulação para mostrar os pecados do
desgoverno petista, mostrando um caminho alternativo. Não há um Carlos
Lacerda mais. Oposição propondo  mais do mesmo é ridícula.*

Correio eletrônico: [email protected]

Sítio: www.brasilsoberano.com.br*  *(Artigo escrito em 29.06.10 para o MM).

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