rubão,

é o que venho martelando por aqui

it is all about numbers

e a festa dos gastos correntes do setor público continua....
vai lulinha vai, e la nave vá
é um problema simples de ARITMÈTICA


Economia - Página 27
   A farra dos importados
Compras externas disparam e país tem no semestre pior saldo comercial em 8
anos

*Eliane Oliveira*

BRASÍLIA e RIO

Mesmo com um dia útil a mais (123) do que no período anterior, a balança
comercial do primeiro semestre de 2010 registrou superávit 43,7% menor do
que nos seis primeiros meses de 2009. A diferença entre exportações e
importações de janeiro a junho deste ano foi de US$ 7,887 bilhões, ante US$
13,907 bilhões ano passado, o pior resultado desde 2002, quando foi
contabilizado saldo negativo de US$ 2,618 bilhões. O forte aquecimento do
mercado interno, ajudado pelo real valorizado frente ao dólar, fez os gastos
no exterior, principalmente de bens de consumo, explodirem, batendo recorde
histórico.

— O aumento das importações de bens de consumo está bastante ligado ao
aquecimento da economia brasileira — comentou o secretárioadjunto de
Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Fábio Faria.

O total importado de janeiro a junho de 2010, de US$ 81,302 bilhões e média
diária de US$ 661 milhões, teve acréscimo de 43,9% em relação ao montante
apurado no primeiro semestre de 2009.

As compras externas de bens de consumo duráveis aumentaram 49%, com destaque
para os automóveis, que registraram alta de 72,3%, e os eletrodomésticos,
com 122%. Os gastos com bens de capital subiram 26,2%; matérias-primas,
42,8%; e combustíveis e lubrificantes, 65%.

As aquisições de produtos chineses aumentaram 57,7% no semestre. Só no mês
passado, as importações da China subiram nada menos do que 83,7%, em
comparação a junho de 2009.

Destacaram-se eletroeletrônicos, químicos, siderúrgicos e instrumentos de
ótica e precisão. Já as vendas brasileiras caíram 2,9% para o país asiático
e 5,5% para a África — mercado disputado por brasileiros e chineses. A China
comprou menos aviões, soja e celulose do Brasil.

Por outro lado, as exportações no primeiro semestre de 2010, de US$ 89,189
bilhões e média diária de US$ 725,1 milhões, aumentaram bem menos: 26,5%. A
taxa, porém, é superior à projeção de crescimento para o comércio mundial em
2010 (16%). Fábio Faria disse que houve recuperação das vendas brasileiras
de manufaturados para América Latina e Caribe: — O aumento da participação
desses dois mercados na pauta brasileira foi de 21% para 24%. Além disso,
ainda não há efeito da crise europeia nas exportações brasileiras.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores
(Anfavea), os veículos importados já respondem por 18% do mercado brasileiro
e 60% das compras são de países com os quais o Brasil tem tarifa zero de
importação: México e Argentina.

— As importações estão bombando não só por causa de nosso mercado. O câmbio
está facilitando e incentivando enormemente a compra de eletroeletrônicos,
componentes e produtos acabados.

Enquanto não houver medidas compensatórias, devemos continuar tendo saldo
extremamente negativo — previu o presidente da Associação Brasileira da
Indústria Eletroeletrônica (Abinee), Humberto Barbato.

A estimativa da Abinee é de déficit de US$ 25 bilhões este ano no setor
eletroeletrônico. Em 2009, o saldo ficou negativo em US$ 17 bilhões.

Para o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB),
José Augusto de Castro, apesar do superávit fraco, há uma relação “mais ou
menos equilibrada” do comércio brasileiro este ano ante o que se viu no
primeiro semestre de 2008, antes da crise global.

— Em termos de valores, a exportação não está tão ruim, embora a balança
esteja sendo sustentada, principalmente, por soja, minérios e petróleo —
disse Castro.

Os destaques nas vendas externas brasileiras foram máquinas e aparelhos de
terraplanagem, veículos de carga, óleos combustíveis, automóveis, minério de
ferro, carnes bovina e de frango, óleo de soja e celulose.

*Economista alerta para dependência externa*

Para Roberto Padovani, economista do banco WestLB, a disparada das
importações é um sinal claro de que a economia brasileira está
superaquecida, ou seja, cresce acima do que é capaz sem gerar
desequilíbrios: — O Brasil precisa recorrer cada vez mais ao exterior para
se abastecer. Não consegue produzir o que precisa. E isso tem dois efeitos:
mais inflação e aumento da importação.

O Brasil cresceu 9% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo
período de 2009. Para Padovani, o país pode crescer entre 4,5% e 5% sem
produzir desequilíbrios.

Luis Otávio Leal, economista do Banco ABC Brasil, acrescenta que o tombo no
superávit comercial vai piorar o déficit em conta corrente do país, o que
torna o Brasil mais dependente do humor do financiamento externo: — Se essa
conta não for equilibrada, o real pode se desvalorizar ou BC terá que usar
reservas internacionais para tapar o buraco.

No mês passado, o Brasil exportou US$ 17,095 bilhões (média diária de US$
814 milhões) e importou US$ 14,817 bilhões (média diária de US$ 705,6
milhões), resultando no superávit de US$ 2,278 bilhões.

Sobre junho de 2009, as exportações subiram 18,2% e as importações, 50,2%. O
saldo comercial diminuiu 50,5%.

De janeiro a junho deste ano, a China liderou a lista de principais mercados
compradores de produtos brasileiros, com destaque para soja, petróleo, óleo
de soja, couros e peles, aviões e açúcar. Os Estados Unidos ficaram em
segundo.

No mesmo período, o maior mercado fornecedor para o Brasil foram os EUA, com
bens de capital, diesel, carvão, químicos, eletroeletrônicos, plásticos e
produtos farmacêuticos.

COLABOROU: Bruno Villas Bôas

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