CC, tenho percebido que o nosso engenheiro aloprado ultimamaente tem ficado calado sobre esses assuntos mesmo com a miriam leitão que ele mesmo citou aqui na lista.... e não pode, como sempre faz, atacar a fonte...
a 2010/7/7 Carlos Antônio <[email protected]> > > > Só pra lembrar. > > *ERRO REPETIDO > * > Miriam Leitão (O Globo -15/06/2010) > > Quando o governo americano foi apanhado mandando espionar o partido > adversário eclodiu nos Estados Unidos uma crise política sem precedentes e > o presidente Richard Nixon caiu por impeachment. No Brasil, perdeu-se a > noção de como é grave essa delinquência política. Não houve punição alguma > quando o PT foi apanhado comprando dossiê no Hotel Ibis em São Paulo. Não > haverá agora. > O ponto decisivo foi setembro de 2006, quando um grupo formado por dois > graduados funcionários do comitê de campanha de reeleição do presidente > Lula, um diretor do Banco do Brasil, o chefe de comunicação da campanha do > então candidato do PT ao governo do estado de São Paulo, pessoas da copa e > cozinha do presidente foram apanhados tentando comprar um dossiê contra > adversários. Dois deles estavam com R$1,7 milhão na mão, em dinheiro vivo, > sem origem comprovada. > Eles foram presos, depois soltos, o diretor do Banco do Brasil foi demitido > com muitos elogios, o suposto chefe da operação é hoje próspero fazendeiro. > A reação da ocasião foi tentar negar as óbvias ligações com a estrutura da > campanha presidencial, o presidente Lula chamou-os de "meninos" e > "aloprados", e depois denunciou um suposto golpismo contra ele, Lula. > Os atuais indícios de que se pretendia espionar o candidato do PSDB ou que > podem ter sido acessados dados sigilosos dentro da máquina da Receita > Federal de um dos integrantes da direção do maior partido da oposição são a > comprovação de que o que não é punido se repete. De novo, o presidente Lula > usa o mesmo truque de tentar inverter a situação e colocar seu partido como > vítima de uma armação. > Mais assustador do que um episódio isolado é o fato de que eles se repetem, > numa clara indicação de que vão se tornando prática política no Brasil em > período eleitoral. Espionar o adversário político usando escutas ilegais, > acessando dados informados exclusivamente ao Setor Público e que estão > protegidos por sigilo é totalmente inaceitável. Acostumar-se a isso é > começar a cavar a cova da própria democracia, que pressupõe que todos se > submetam às leis e que os partidos que governam são administradores > temporários e não donos da República. Usar a máquina pública para intimidar > adversários políticos é um veneno letal às instituições. > Há várias formas de ameaçar a democracia. Da mais óbvia delas, o golpe de > Estado, aprendemos a nos defender. Mas existem outras formas sutis de > solapar a democracia, deformá-la até que ela fique irreconhecível. O uso da > máquina pública para fins partidários é uma delas. Outra, é a delinquência > política reiterada e sem punição até que ela se torne parte dos usos e > costumes do país. > O que torna o ambiente cada vez mais perigoso é que o Brasil não tem mais > um presidente, tem um chefe político em campanha incessante. É isso que faz > com que ele, em palanque, acuse a oposição de fazer "jogo rasteiro > inventando um dossiê por dia". A atitude correta do presidente deveria ser > a de querer tudo esclarecido para se saber se foi realmente uma pessoa > lateral na campanha da sua candidata que tomou uma atitude isolada ou parte > de uma conspiração; se há funcionários públicos usando para fins políticos > o acesso que têm a dados dos cidadãos. > Não há esperança alguma de que o presidente Lula se comporte como um chefe > de um governo de todos. Ele é o flagrante mais explícito da mistura entre > partido e governo. A última esperança de que agisse como estadista foi em > 2006. À frente nas pesquisas, com claras chances de reeleição, ele poderia > ter tomado uma atitude depuradora dos maus costumes políticos que estavam > se instalando em seu próprio comitê de campanha. Como a condenação ficou > apenas no levíssimo epíteto de "aloprados", tudo ficou por isso mesmo. O > sistema político brasileiro foi avisado de que essa prática é aceitável, > basta, se alguém for apanhado, romper um contrato de prestação de serviço, > isolar temporariamente a pessoa contaminada. O capítulo seguinte é fazer a > transposição de papéis em que vítimas viram culpados, e os culpados, > vítimas. > Ainda há 100 dias pela frente de campanha. Os candidatos estão lançados e > agora começa oficialmente a campanha, que, na prática, o presidente Lula já > começou há mais de ano. O balanço até agora é assustador. O presidente, > mesmo punido cinco vezes pela Justiça Eleitoral, tem usado todos os atos > públicos de governo para fazer propaganda partidária. > Um governo bem avaliado, um presidente com popularidade alta, num momento > de crescimento econômico e otimismo não precisa de qualquer tipo de afronta > à leis e aos bons costumes políticos para se manter no poder por mais um > período. Se precisasse, não deveria fazê-lo por disciplina institucional. > Basta confiar no seu legado, na candidata que escolheu e no contexto > favorável. > Crime sem castigo tem carta branca para se repetir. Há inquietantes sinais > de que a tecnologia da espionagem está se consolidando. Nunca mais se soube > que um governo americano repetiu a tentativa de investigar o adversário > político. O Watergate ficou como símbolo de que a delinquência política é > punida exemplarmente. Nós ficamos aqui sob risco de novas gerações de > aloprados a cada eleição. > >
