CC,
por que não se fala mais em Iran, Honduras e outras bobagens presidenciais

e tem gente que ainda chama de estadista (de calamidade publica), ainda
acredita em revolução bolivariana, bruxa, feitiçaria , (PAC)
pena que não acredite em eleições...


---------- Forwarded message ----------

*ENTREVISTA DA 2ª* JORGE CASTAÑEDA

*Brasil fracassa em aspiração de ser potência mundial*

*PARA HISTORIADOR MEXICANO, GOVERNO LULA PRIVILEGIOU QUESTÕES ERRADAS E SE
ESQUECEU DE VIZINHOS EM CONFLITO*

*SYLVIA COLOMBO*
EDITORA DA ILUSTRADA

A crise política na qual Colômbia e Venezuela estão mergulhadas deve ser o
principal tema do debate sobre democracia na América Latina, hoje em São
Paulo, do qual participará o historiador mexicano Jorge Castañeda.
Em entrevista concedida à Folha por telefone na semana passada, Castañeda
criticou Luiz Inácio Lula da Silva. Para o intelectual, o presidente
brasileiro coleciona fracassos em sua política externa e deveria
preocupar-se mais com os conflitos regionais, e não em tornar-se
protagonista em casos distantes e polêmicos.
Leia, abaixo, trechos da entrevista .


*Folha - Como o sr. vê a política externa de Lula, em especial no que diz
respeito à América Latina?
Jorge Castañeda -* A inércia geográfica, econômica e demográfica da América
do Sul levou o Brasil a ter um papel de maior liderança do que antes. Isso
aconteceria com ou sem o governo Lula. O fato de Lula estar fazendo um
governo bom internamente faz com que o peso natural do Brasil se exerça de
maneira mais clara na região.
Porém, tudo o que Lula tentou fazer fora do âmbito interno só resultou em
fracassos. Tratou de obter um lugar permanente no Conselho de Segurança da
ONU, não o obteve. Tratou de priorizar a Rodada Doha e não conseguiu nada.
Tratou de ser um ator central para que se lograsse um acordo em Copenhague e
não só não o alcançou como o Brasil em parte foi responsável para que isso
não acontecesse.
Tratou de se apresentar como protagonista num acordo nuclear com o Irã, mas
sua mediação foi rechaçada pelo mundo inteiro, exceto pela Turquia e pelo
próprio Irã.
Mas creio que mais importante é o fato de que Lula se absteve de mediar ou
resolver conflitos que estão mais perto do Brasil. E há tantos. Os de
Uruguai e Argentina, de Colômbia e Venezuela, de Peru e Chile, de Colômbia e
Nicarágua, de Chile e Bolívia e o de Equador e Peru. Conflitos próximos
abundam, e o Brasil não exerceu nenhuma liderança em nenhum desses casos.
Tampouco se apresentou para ajudar em problemas internos de outros países da
América Latina. Salvo parcialmente no caso da Bolívia, e isso o fez para
defender os interesses da Petrobras.
Suas aspirações de potência mundial fracassaram, e ele não mostrou interesse
de atuar como legítima potência regional. Lula faz um governo muito bom
internamente, mas coleciona fracassos e erros no âmbito externo.

*Como o sr. viu a libertação dos presos cubanos e o papel da Espanha?*
A libertação foi um triunfo de Guillermo Fariñas. E um triunfo póstumo de
Orlando Zapata. [O chanceler espanhol Miguel Ángel] Moratinos apareceu sem
ser convidado e tratou de obter benefícios políticos por algo que não fez.
O importante é que, pela primeira vez, a ditadura cubana enfrentou um
cidadão cubano, em Cuba, e perdeu. Ganhou o cidadão. Isso é muito novo e
muito significativo. O que não é novo é que Fidel e Raúl Castro usem presos
políticos como fichas de negociação com outros países.
É lamentável que o governo socialista da Espanha tenha se prestado a essa
manobra. Se Cuba quer deportar seus presos, que os deporte, haverá muitos
países que os receberão de braços abertos, incluindo os que por lei estão
obrigados a fazê-lo, como os EUA.

*No México, depois de ter caído para terceira força política em 2006, o PRI
(Partido da Revolução Institucional) vem se recuperando, apesar de ter sido
contido nas últimas eleições pela aliança entre PRD (Partido da Revolução
Democrática) e PAN (Partido da Ação Nacional). Qual é o panorama para as
próximas eleições presidenciais, em 2012?*
As coisas não serão fáceis para o PRI. Em primeiro lugar porque [Felipe]
Calderón vai fazer tudo para eliminar o candidato líder do PRI, Enrique Peña
Nieto. No México, como disse Fernando Henrique Cardoso sobre o Brasil, um
presidente não pode colocar um presidente no poder, mas pode vetar um
presidente. Creio que lutar contra Calderón vai ser muito difícil.
Em segundo, porque os rivais de Peña Nieto no próprio PRI também vão fazer o
que podem para destruí-lo. E ele tem muitos flancos vulneráveis. E, em
terceiro, o PRI não tem outro bom candidato. A eleição de 2012 vai ser muito
competitiva.

*Como o sr. vê a questão do crescimento do narcotráfico no México?*
A violência está aumentando desde que Calderón começou essa guerra, em 2006.
O número de execuções cresceu enormemente. A guerra trouxe mais violência. A
violência no México estava diminuindo desde o começo dos anos 90 até que
Calderón chegou. Sou contra a guerra contra o narcotráfico do modo como está
sendo feita. Foi um erro, uma improvisação, algo decidido por motivos
políticos, e que trouxe enorme perda ao país. Já temos 25 mil mortos, um
desgaste internacional terrível, sem nenhum resultado.

*Como o sr. vê a lei do Estado do Arizona que fecha o cerco aos imigrantes
ilegais?*
Provavelmente alguns outros Estados dos EUA farão leis semelhantes. Temos de
esperar para ver o que dizem os tribunais americanos sobre a
constitucionalidade dessa lei.
Muitos, como eu, já pensávamos, há dez anos, que se não houvesse acordo
entre EUA e México sobre o tema da imigração, algum dia ia haver uma reação
muito violenta nos EUA contra a imigração ilegal. Infelizmente, é o que está
acontecendo.
É urgente que Calderón, os presidentes da América Central e do Caribe, de
Equador, Peru e Colômbia pressionem Obama para que envie uma reforma
imigratória geral ao Congresso.

*O que o sr. achou de Hugo Chávez ter exumado os restos mortais de Simón
Bolívar? Até que ponto é uma maneira de desviar a atenção pública dos
problemas do país?*
A questão política é só parte da explicação. Chávez crê muito em magia
negra, bruxaria, candomblé etc. E a exumação de restos é uma típica prática
dessas artes e crenças. Elas o levaram a exumar os restos do libertador para
tomar energia. Creio que ele pensa de verdade que isso pode funcionar.


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