*o velho respeito do ESTADO pela vida de seus cidadãos  ou
contribuintes....

10/08/2010 - 11h22*
 Testemunha relembra teste atômico que afetou região dos EUA

Por Dennis J. Carroll

SANTA FÉ, Novo México, 10 de agosto (Reuters Life!) - Durante o período em
que era um jovem soldado norte-americano na Guerra da Coreia, Jim Madrid
lembra de ter visitado o Japão em 1950 e caminhado pelos escombros deixados
pela bomba atômica dos EUA contra Hiroshima cinco anos antes.

"Umas crianças pequenas vieram e me chutaram nas pernas, gritando 'Buta
kitanai, buta kitanai' -- Porco sujo, porco sujo", relembra Madrid. "Volte
para casa, volte para casa", diziam.

Mas o que as crianças de Hiroshima não sabiam era que apenas dias antes de a
bomba explodir em sua cidade o próprio Madrid havia sido vítima do que, em
essência, foi um ataque nuclear surpresa realizado pelos Estados Unidos
contra os moradores no sul de Novo México.

"Foi na manhã do dia 16 de julho, de 1945", disse Madrid à Reuters, em uma
entrevista recente. "Eu tinha 13 anos e estávamos a caminho do trabalho na
base (Halloman, da Força Aérea). Os soldados de lá costumavam dar pequenos
trabalhos às crianças, e minha mãe e meu irmão trabalhavam na cozinha."

Madrid, hoje com 78 anos, lembra de ter se espremido para dentro do carro
com o irmão Phil, a mãe, que estava dirigindo, e duas outras mulheres, em
direção a oeste de Alamogordo, onde os Madrids moravam.

Pouco depois de atravessar uma ponte sobre uma ferrovia, Madrid diz que viu
"uma luz enorme, enorme, se aproximando do norte. Subiu para os céus, tão
luminoso, tão extremamente luminoso."

A ascendente bola de fogo era "a maior coisa que já tinha visto na minha
vida. Estava rolando, ficando mais rápida, maior e mais alta."

"Minha mãe disse: "O sol está se aproximando. O mundo está chegando ao fim."
Ela disse para cair de joelhos, mas eu fiquei olhando. Se fosse o fim do
mundo, eu queria ver. Eu estava esperando que Deus saísse por detrás da bola
de fogo."

O que Madrid e outros testemunharam foi a primeira explosão de uma bomba
atômica, que explodiu no local de teste do Trinity, do Projeto Manhattan,
cerca de 56 quilômetros a sudeste de Socorro, em Novo México, atualmente o
Campo de Mísseis de White Sands.

Madrid acha que ele estava a cerca de 48 quilômetros da explosão.

PROBLEMAS DE VISÃO

Madrid, que hoje vive em Denver, contou que durante semanas ou meses e meses
-- "Não tenho certeza agora" -- sua visão ficou distorcida e ele conseguia
apenas ver pessoas e objetos como se olhasse através de um raio-X.

Apesar de a visão em negativo ter se recuperado, Madrid disse que sua vista
continuou debilitada. Ele também sofreu de uma alergia na pele em quase todo
o corpo que médicos nunca conseguiram explicar.

Sua mãe e outros parentes morreram de câncer na tiróide.

Cerca de 38 mil pessoas estavam em um raio de quase 100 quilômetros do
Trinity, segundo um censo de 1940, mas ninguém recebeu um alerta antes do
teste atômico ou do efeito nuclear após a explosão, disse Tina Cordova,
líder de uma associação que organizou em 16 de julho um encontro de
moradores da região próxima ao lugar do teste. Ninguém foi retirado do
local.

Centenas de milhares de pessoas sofreram ou morreram de câncer induzido pela
radiação e outras doenças, e não é incomum que famílias da região tenham
perdido filhos com leucemia e outros tipos de câncer, disse ela.

(Editing by Steve Gorman)

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