Da outra lista que eu assino...

Vai fazer a alegria de gregos... e troianos!

 

  

Hoje o Kupfer, em sua coluna diária, comenta um estudo do economista Cláudio
Salm, do Instituto de Economia da UFRJ, sobre distribuição de renda. Segue
abaixo para reflexão em conjunto com a coluna do Delfim.

Fiquei surpreso com a renda da elite econômica do País, o 1% de
privilegiados. No final do artigo existe o valor desta renda.

 

As teorias e o bolo 

9 de agosto de 2010 | 17h30

José Paulo Kupfer

O economista Cláudio Salm, do Instituto de Economia da UFRJ, publicou um
artigo, nesta segunda-feira, no jornal “O Globo”, com uma porção de dados
interessantes. Ele usou esses dados para concluir que a distribuição de
renda em curso no governo Lula se deveu mais ao crescimento da economia do
que aos programas de transferência de renda e inclusão social – numa
variante da velha “teoria do bolo”, segundo a qual é preciso fazer o bolo
crescer para depois distribuí-lo.

Achei a conclusão do artigo interessante, mas menos interessante do que
alguns dados utilizados para sustentar os argumentos. Salm observou, com
razão, que a distribuição de renda verificada entre 2003 e 2009 foi menor do
que poderia ter sido. Isso se deveu, escreve ele, de um lado à
regressividade do sistema tributário e ao consequente peso socialmente
invertido da carga tributária. E, de outro, à concentração das
transferências de renda em benefícios previdenciários, cujos déficits são
cobertos por tributos cobrados de todos, inclusive dos mais pobres. 

Para Salm, comparados com as despesas previdenciários, os gastos com
programas assistenciais não contributivos – a idosos pobres ou pequenos
agricultores – e o Bolsa Família, decididamente redistributivos, são mais do
que modestos. Também aqui o economista tem razão, mas o raciocínio de que se
vale para minimizar o efetivo impacto redistributivo desses programas tem
origem numa contorção mental. 

O economista não nega o valor do programa no alívio das condições dos que
vivem na extrema pobreza, mas credita a melhoria ocorrida na distribuição de
renda às oportunidades de trabalho e aos mais e melhores empregos
proporcionados pelo crescimento da economia. Como se o acréscimo de renda
produzido pelo Bolsa Família não contribuísse para o maior vigor do mercado
e, na sua esteira, para a ampliação e as melhorias no mercado de trabalho
mencionadas. 

* * *

Há informações curiosas entre os dados organizados por Cláudio Salm. E que
chamam a atenção pela discrepância. Eles têm a ver com a absurda
concentração de renda que, mesmo com as melhorias observadas, continua um
caso de grave patologia, longe de uma situação aceitável. Daí o espanto que
sempre nos toma ao observarmos um pouco mais no detalhe a pirâmide
brasileira da renda. 

Quando falamos nos 10% mais ricos, na população brasileira, a sensação que
passa é a de que estamos nos referindo a uns nababos que nadam em ouro. Pois
a renda média desses “privilegiados”, a preços de hoje, como anota o
economista, mal passa de R$ 2.500 mensais. Mais surpreendente ainda é a
renda média dos potentados que ocupam a faixa do 1% mais abonado entre os
brasileiros: não chega a R$ 7 mil por mês.

Como estamos no mundo das médias, numa curva de dados de renda, com
acentuado desvio padrão, dá para inferir que o cidadão que menos ganha entre
os brasileiros mais ricos é… pobre. 

 

Em 9 de agosto de 2010 18:45, Brunno Barbosa < > escreveu:

 


 


Delfim Netto 9 de agosto de 2010 às 10:22h 

Os números indicam que o custo para acabar com a pobreza no Brasil é
perfeitamente suportável, na medida em que os programas sociais continuem a
receber tratamento adequado. Eis aí um desafio

Os números da última pesquisa do IBGE sobre a evolução do orçamento das
famílias brasileiras, relativa aos anos 2008 e 2009, mostram que a redução
da pobreza – sem dúvida o resultado mais impressionante da política social
do governo Lula – continuou se acentuando mesmo durante a crise financeira
mundial. A velocidade da queda do porcentual de cidadãos abaixo da linha da
pobreza tem sido ainda maior neste período “pós-crise”: nos seis primeiros
anos da atual presidência, o número de pobres caiu de 50 milhões para 30
milhões, uma redução de 43%.

Hoje, segundo avaliação preliminar do excelente economista Marcelo Néri, da
Fundação Getulio Vargas, o número de pobres tem se reduzido a uma velocidade
ainda maior, em torno de 10% ao ano. Na sua análise, ele chamou a atenção
para fatos muito interessantes que contrariam as recentes comparações de
organismos internacionais que insistem em dizer que o Brasil continua sendo
um dos países com maiores índices de desigualdade, sem mencionar a
significativa redução desses índices.

O Centro de Políticas Sociais da FGV calcula em 20 milhões o número de
cidadãos abaixo da linha da pobreza (140 reais de renda familiar per capita,
em moeda de janeiro de 2009), um resultado bem menor do que os 30 milhões
geralmente aceitos a partir da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio
(PNAD) de 2008. As diferenças metodológicas entre as estimativas da pesquisa
de orçamento familiar (que mede o consumo e não a renda) mais abrangente e a
do CPS não devem nos impedir, no entanto, de saudar o importante avanço na
redução da desigualdade de renda entre os brasileiros.

O indicador mais utilizado, o índice de Gini, que mede a distância média de
renda entre as pessoas, mostra efetivamente a substancial redução das
desigualdades. Ela pode ser constatada no fato de que o crescimento da renda
real dos 10% mais pobres da população brasileira entre 2002/2003 e 2008/2009
foi de impressionantes 42%, enquanto a renda dos 10% mais ricos cresceu 13%.

A ascensão de aproximadamente 32 milhões de brasileiros às classes B e C
naquele intervalo se deve ao crescimento do número de empregos formais, ao
aumento da renda salarial e às políticas de inclusão social do governo do
presidente Lula. Segundo o professor Néri, estamos entrando hoje em um
processo de redução das desigualdades ainda mais forte do que se verificou
no período entre 2003 e 2008. Essa tendência é reforçada pelo forte
crescimento do início de 2010.

De acordo com os seus cál-culos, os números indicam que o custo para acabar
com a pobreza no Brasil (colocar todos os cidadãos acima do indicador da
linha da pobreza criada pelo CPS da Fundação) é perfeitamente suportável na
medida em que os programas sociais continuem recebendo tratamento adequado.
A experiência adquirida na administração dos vários programas sociais,
especialmente o Bolsa Família (mas sem depreciar os que vieram antes do
atual governo), com o avanço das tecnologias de controle, já permite
arquitetar e pôr em prática uma programação ampla e coordenada para atingir
aquele objetivo. Este é um desafio que deveria ser seriamente aceito por
todos os candidatos ao próximo governo da República.

Na “Constituição Cidad㔠promulgada em 1988, os brasileiros “revelaram suas
preferências por uma sociedade democrática”, que pouco a pouco fosse
tornando possível dar uma dimensão visível e expressiva à igualdade de
oportunidades.
Significa caminhar para eliminar as diferenças do ponto de partida.

Não importa se o cidadão foi gerado em um luxuoso apartamento ou debaixo de
um lampião de rua. Todos precisam ter direito a uma gestação saudável, a uma
alimentação suficiente e acesso a uma educação adequada até que se complete
o seu aparato de compreensão do mundo. A economia de mercado (o capitalismo)
é uma corrida feroz.

Para que ela seja justa é preciso que todos partam do mesmo ponto. A justiça
social não se fará na “chegada”, mas na “partida”. Essa é a principal razão
pela qual os números apontados na Pesquisa de Orçamento Familiar relativa
aos anos 2008 e 2009 são alvissareiros.

Erro! O nome de arquivo não foi especificado.


Delfim Netto


Delfim Netto é economista, formado pela USP e professor de Economia, foi
ministro de Estado e deputado federal

Fonte: Carta Capital

 

 



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