Sim, com certeza. Além disso, o nome de Serra não é unanimidade no PSDB e a
impressão que dá é que o DEM resolveu dar uma "sacaneada" nos tucanos ao
indicar o Índio pra vice. No meu entender, o Índio entrou como "boi de
piranha" nessa história, já que mesmo levando "porrada" agora, numa eleição
daqui a 2 anos, para Prefeito entrará como candidato do DEM - e será mais
conhecido do eleitorado.

Como tambem ja disse antes, a estratégia lulista foi "genial", no sentido de
se unir aos coronéis do agreste (mantenedores de currais eleitorais certos a
cada eleição - por isso se perpetuam no poder) a uma camuflagem
pseudo-esquerdista petista - que Plínio de Arruda sabiamente chamou de
"direita malandra" - e que realmente de esquerda não tem nada, muito pelo
contrário. É a fórmula perfeita: une burguesia + proletariado (que diante
dos benefícios que vêm tendo, vota na candidata oficial).

As classes C, D e E têm beneficios? De fato, possuem. Mas a traquinagem está
no fato de LuLLa e a candidata oficial declararem que ELES mudaram isso -
quando se esquecem que, se nao fosse o Plano Real e a politica economica de
austeridade feita por Malan & Cia, que deixaram a "cama armada", LuLLa teria
que "se virar nos 30".

A malandragem está justamente em mentir, tentar vender a idéia de que o
Brasil foi descoberto em 2003 por eles e que tudo antes era "herança
maldita".

FG

Em 18 de agosto de 2010 07:57, AKA <[email protected]> escreveu:

>
>
> FAB,
> repetindo o aforisma shakespereano:
> "é verdadeiro que os fatos sejam lamentáveis, e é lamentável que sejam
> verdadeiros"
>
> a diferença destas eleições é que a "oposição" que já foi situação não
> consegue superar suas diferenças de interesses políticos internos (por
> exemplo SERRA E CESAR), e a situação lullista (sem ideologia) que já está
> alinhada com os interesses fisiológicos do PMDB - que já tem tudo
> devidamente "loteado"
>
> enquanto isso o nosso engenheiro bolivariano faz loas a um estadista que
> somente existe em sua cabeça senil
>
>
> MIRIAM LEITÃO - Página 30
>    *Segunda ameaça*
> Miriam Leitão
>
> O Brasil perderá esta eleição, independentemente de quem vença, se ficarem
> consagrados comportamentos desviantes assustadoramente presentes na política
> brasileira. Uso de um fundo de pensão para construir falsas acusações contra
> adversários, funcionários da Receita acessando dados protegidos por sigilo,
> centrais de dossiês montados por pessoas próximas ao presidente.
>
> A cada eleição, fatos estarrecedores têm sido aceitos como normais na
> paisagem política, e eles não são aceitáveis. Quando a Polícia Federal
> entrou no Hotel Ibis, em São Paulo, em 2006, e encontrou um grupo com a
> extravagante quantia de R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo tentando comprar um
> dossiê falso, havia duas notícias.
>
> Uma boa: a PF continuava trabalhando de forma independente.
>
> A ruim: pessoas da copa, cozinha, churrasqueira e campanha do presidente da
> República e do candidato a governador pelo PT em São Paulo estavam com
> dinheiro sem origem comprovada e se preparando para um ato condenável.
>
> A pior notícia veio depois: eles ficaram impunes.
>
> Nesta eleição, depoimentos e fatos mostram que estão virando parte da
> prática política, principalmente do PT, a construção de falsas acusações
> contra adversários, o trabalho de espionagem a partir da máquina pública, o
> uso político de locais que não pertencem aos partidos.
>
> As notícias têm se repetido com assustadora frequência.
>
> O verdadeiro perigo é que se consagre esse tipo de método da luta política.
> A democracia não é ameaçada apenas quando militares saem dos quartéis e
> editam atos institucionais.
>
> Ela corre o risco de “avacalhação”, para usar palavra recente do presidente
> Lula, quando pediu respeito às leis criminosas do Irã.
>
> Sobre o desrespeito às leis democráticas brasileiras, Lula não teme
> processo de “avacalhação”, pelo visto. A Receita Federal não presta as
> informações que tem o dever de prestar sobre os motivos que levaram seus
> funcionários a acessarem, sem qualquer justificativa funcional, os dados da
> declaração de imposto de renda do secretáriogeral do PSDB, Eduardo Jorge.
>
> Nem mesmo explica como os dados foram vazados de lá. Se a Receita não
> divulgar o que foi que aconteceu, com transparência, ela faz dois
> desserviços: sonega ao país informações que têm o dever de prestar antes das
> eleições; mina a confiança que o país tem na instituição, porque sua direção
> está adiando, por cumplicidade eleitoral, a explicação sobre o que houve
> naquela repartição.
>
> Nas últimas duas semanas, a “Veja” trouxe entrevistas de pessoas
> diretamente ligadas ao governo e que trabalham em múltiplos porões de
> campanha.
>
> O que eles demonstram é que aquele grupo de aloprados do Ibis não foi um
> fato isolado. Virou prática, hábito, rotina no Partido dos Trabalhadores.
> Geraldo Xavier Santiago, ex-diretor da Previ, contou à revista que o fundo
> de pensão, uma instituição de poupança de direito privado cuja função é
> garantir a aposentadoria dos funcionários do Banco do Brasil, era usada para
> interesses partidários. Com objetivos e métodos escusos.
>
> Virou uma central de espionagem de adversários políticos.
>
> Agora, é o sindicalista Wagner Cinchetto que fala de uma central de
> produção de espionagem e disparos contra adversários; não apenas tucanos,
> mas qualquer um que subisse nas pesquisas.
>
> Esse submundo é um caso de polícia, mas há outros comportamentos de
> autoridades que passaram a ser considerados normais nas atuais eleições. E
> são distorções.
>
> Não é normal que todos os órgãos passem a funcionar como ecos do debate
> eleitoral, usando funcionários pagos com os salários de todos nós,
> estruturas mantidas pelos contribuintes. Todos os ministérios se mobilizam
> para consolidar as versões fantasiosas da candidata do governo ou atacar
> adversários, agindo como extensões do comitê de campanha. Isso é totalmente
> irregular. Na semana passada, até o Ministério da Fazenda fez isso. Um
> relatório que é divulgado de forma rotineira, virou palanque e peça de
> propaganda, com o ministro indo pessoalmente bater bumbo sobre gráficos
> manipulados para ampliar os feitos do atual governo e deprimir os do
> anterior.
>
> O que deveria ser técnico virou politiqueiro; o que deveria ser prestação
> de contas e análise de conjuntura virou peça de propaganda.
>
> Um governo não pode usar dessa forma a máquina pública para se perpetuar;
> órgãos públicos não são subsedes de comitês de campanha; fundos de pensão
> não são central de fabricação de acusações falsas; o governo não pode usar
> os acessos que tem a dados dos cidadãos para espionar. Isso mina,
> desqualifica e põe em perigo a democracia. Ela pressupõe a neutralidade da
> máquina mesmo em momentos de paixão política. Nenhuma democracia consolidada
> aceitaria o que acontece aqui. A Inglaterra acabou de passar por uma eleição
> cheia de paixões em que o governo trabalhista perdeu por pouco, mas não se
> viu lá nada do que aqui está sendo apresentado aos brasileiros com
> naturalidade, como parte da disputa política.
>
> Crime é crime. Luta política é um embate de propostas, estilos e visões. O
> perigoso é essa mistura. Como a História já cansou de demonstrar, democracia
> não significa apenas eleições periódicas. A manipulação da vontade do
> eleitor, o uso de meios ilícitos, o abuso do governante ameaçam a liberdade,
> tanto quanto um ato institucional.
>
>  
>



-- 
----
FG

Responder a