*20/08/2010 - 10h01 *
  Maioria dos brasileiros ainda não tem acesso à rede de esgoto, diz
IBGEGuilherme
Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

[image: Gráfico mostra o percentual de domicílios com acesso à rede coletora
de esgoto por Estado]

Gráfico mostra o percentual de domicílios com acesso à rede coletora de
esgoto por Estado

A maior parte dos domicílios brasileiros não tinha, em 2008, acesso à rede
geral de esgoto e, nesse quesito, havia uma enorme discrepância entre as
regiões brasileiras. Essas conclusões foram apontadas na última Pesquisa
Nacional de Saneamento Básico, divulgada nesta sexta-feira (20) pelo IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Os dados da pesquisa foram coletados ao longo de 2008 e referem-se aos 12
meses anteriores à data de cada entrevista. Foram ouvidas prefeituras,
companhias estaduais e municipais de saneamento básico, fundações,
consórcios intermunicipais, empresas privadas da saneamento e associações
comunitárias.

Segundo o levantamento, 56% dos domicílios brasileiros não possuíam, em
2008, ligação com a rede de esgoto, o que representa 32 milhões de unidades,
de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
Embora a maioria dos brasileiros ainda não tenha acesso ao serviço, o
percentual de domicílios atendidos subiu na última década, já que em 2000
66,5% das unidades não estavam ligadas à rede de esgoto --cerca de 31,8
milhões de domicílios, considerando dados do Censo 2000.

Em 2008, o percentual de domicílios sem rede de esgoto era maior na região
Norte, onde 96,2% das unidades não eram atendidas. Nas regiões Nordeste e
Sul, a proporção também era inferior à média brasileira, com 77,6% e 68,8%
de domicílios, respectivamente, sem acesso. Apenas na região Sudeste a
minoria das unidades não possuía rede de esgoto (31,2%).

Entre as unidades da federação, a população mais atendida era a do Distrito
Federal (86,3% de domicílios com rede de esgoto), seguido por São Paulo
(82,1%), Minas Gerais (68,9%), Rio de Janeiro (49,2%) e Paraná (46,3%). Na
outra ponta do ranking, com as menores coberturas, estavam Amapá (3,5%),
Pará (1,7%) e Rondônia (1,6%).

A pesquisa também revelou que apenas 28,5% dos municípios brasileiros faziam
tratamento de esgoto em 2008, com destaque negativo para as regiões Norte
(7,6% dos municípios) e Nordeste (7,6%). O melhor desempenho nesse quesito é
do Sudeste, com 48,4% dos municípios com tratamento de esgoto, seguido pelo
Centro-Oeste (25,3%) e pelo Sul (42,9%).

Com relação aos Estados, o estudo mostrou que havia maior percentual de
municípios com tratamento em São Paulo (78,4%), Espírito Santo (69,2%) e Rio
de Janeiro (58,7%). Os piores resultados foram verificados no Maranhão
(1,4%), Piauí (2,2%), Rondônia (3,8%), Pará (4,2%) e Amazonas (4,8%). O
percentual do esgoto coletado no país que foi tratado subiu de 19,9%, em
1989, para 35,3%, em 2000, saltando para 68,8% em 2008.
*Abastecimento de água
*
A desigualdade regional também esteve presente, segundo a pesquisa, na
distribuição de água por rede geral. No Brasil, 78,6% (45,3 milhões) dos
domicílios eram abastecidos em 2008, contra 63,9% (34,6 milhões) em 2000.

Na região Norte, contudo, apenas 45,3% das casas recebiam água via rede em
2008. Em contrapartida, 87,5% dos domicílios na região Sudeste eram
atendidos, quase o dobro do percentual do Norte. No Sul, 84,2% recebiam
água; no Centro-Oeste, 82%; e no Nordeste, 68,3%.

O IBGE apontou ainda que 61,6% dos municípios brasileiros distribuíam água
tratada, 6,2% oferece água parcialmente tratada e 6,6% entrega água sem
qualquer tratamento. Piauí (24,3%) e Maranhão (21,8%) têm os maiores
percentuais de municípios que não tratam a água.

O levantamento revelou também que em 1.296 municípios brasileiros ocorriam
racionamentos de água, o que representa 23,4% do total. Entre as regiões, as
maiores ocorrências eram no Nordeste (40,5%) e Norte (24,9%). Nos Estados,
havia mais racionamento em Pernambuco (77,3% dos municípios), Ceará (48,9%),
Rio Grande do Norte (46,7%), Amazonas (43,5) e Pará (41,4%).

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FG

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