<http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/riscos-e-oportunidades/domingo- 8/> Capitalização da Petrobras: um abacaxi criado pelo governo <http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/riscos-e-oportunidades/domingo- 8/attachment/tarja-15/> O governo Lula se meteu numa enrascada profunda com a encrencada capitalização da Petrobras e, até agora, não demonstra ter a menor idéia de como alcançar a superfície. O valor de mercado da estatal não para de cair. Ninguém tem certeza se a data de 30 de setembro para a bilionária capitalização é para valer. E, para piorar, o processo até aqui é recheado de sombras. Seja como for, nos próximos dias, o governo terá que dar uma resposta menos gasosa ao mercado, aos acionistas e à população, que assiste a essa peça de enredo truncado. As perguntas são coisas aparentemente simples, mas escondem respostas complexas: *A data da capitalização está mantida? *Qual será, afinal, o preço do barril que valerá na capitalização? Seis dólares, como quer a Petrobras (e os acionistas minoritários, entre eles os fundos de pensão e de investimentos)? Ou dez dólares, como quer o governo? *Se optar pelo valor mais baixo, a capitalização não ficará exposta ao risco de o Ministério Público tentar impugnar o processo, alegando que a União poderia ter conseguido mais? *Como arbitrar um novo valor para o barril? Quais os parâmetros? Talvez tivesse sido mais simples se o governo fixasse um preço mínimo para os barris e realizasse um leilão. Só que neste caso uma Shell, uma OGX ou uma ExxonMobil poderiam arrematar parte do petróleo do pré-sal. Essa solução seria um crime lesa-pátria para um governo que se orgulha de seu nacionalismo imagine, ser chamado pelos movimentos sociais pelo terrível adjetivo de entreguista é mesmo para morrer de vergonha A Petrobras pode até mudar a data do processo de capitalização. Não poderá, contudo, esticar demais o prazo. Seja por que não tem mais condições de adiar seus investimentos (a estatal prometeu investir 88 bilhões de reais este ano; e só o fará se tiver o dinheiro da capitalização). Seja por que chegou ao seu limite de endividamento: não dá para pedir mais um centavo aos bancos. Há também um fato que vem passando batido na crise. É um personagem quase oculto do processo: Dilma Rousseff, que centralizou as decisões do modelo de exploração do pré-sal e até cinco meses atrás presidiu o conselho de administração da Petrobras. Cabe a ela, portanto, parte das explicações pelo processo turbulento que já levou a Petrobras perder 25% de seu valor de mercado desde o começo do ano. Isso a atrapalhará no dia 3 de outubro? Não ajuda, é certo. Dificilmente, porém, terá condições de lhe tirar uma quantidade de votos que faça diferença na disputa com José Serra sobretudo agora em que a distância é bastante confortável para ela. O motivo é simples. Basta um Ibope ou um Datafolha da vida ir às ruas e perguntar se o brasileiro sabe o que é capitalização da Petrobras. Não sabe. Não tem a menor ideia. O governo conta com esse alheamento para esconder seus fracassos. Independentemente do pouco efeito nas urnas, trata-se de uma encruzilhada que terá que ser resolvida com celeridade. Antes que a atual gestão da Petrobras fique conhecida por se assemelhar demais com a administração da venezuelana PDVSA. Por Lauro Jardim
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