Folha OnLine
09/03/2006 - 18h31

Jornalista acha que ação do Exército no Rio é "demonstração de força"


O jornalista Sergio Costa, 45, coordenador da Sucursal do Rio da Folha, participou nesta quarta-feira de um bate-papo com 1.048 internautas sobre a ocupação de morros e favelas do Rio pelo Exército em busca de armas roubadas na semana passada de um quartel.

Costa classificou a operação como "um exagero total" e disse tratar-se de uma "demonstração de força".

"O Exército foi humilhado dentro de um de seus quartéis. E reagiu de uma forma exagerada, botando, como se diz, a tropa nas ruas. Mas tudo isso, até agora, só quer dizer o seguinte: 'Não mexam com o Exército, ou vocês vão sentir o peso da nossa força.' (...) Esta briga, ninguém se iluda, é só deles. O resto é uma espécie de 'efeito colateral'."

Para o jornalista, o Exército poderá ter "sérios problemas de imagem" caso não consiga recuperar as armas. Ele refutou a idéia de que as ocupações estão ligadas ao combate ao crime.

"Não há uma estratégia de guerra para combater o crime organizado. Se houvesse, o resultado seria sangrento. Ou você imagina que basta apontar um canhão para o morro da Mangueira e os traficantes ali encastelados vão depor suas armas? Claro que não."

Costa disse duvidar, inclusive, que a presença dos militares traga alívio à população. "Exército não é polícia, é máquina de guerra, treinada para matar. Favela precisa da presença do estado: luz, esgoto, água, educação, asfalto, registro de imóveis, emprego, não necessariamente nesta ordem."

Corrupção

Questionado pelos internautas, Costa apontou a corrupção policial como um dos principais problemas da segurança no Rio. Ele denunciou o tráfico de armas promovido por maus policiais e seu enfraquecimento perante o tráfico.

"Lembre-se que policiais, soldados e traficantes muitas e muitas vezes têm a mesma origem, quase sempre muito humilde. Não são raros os que crescem juntos. O que quero dizer é que eles falam a mesma língua, o que facilita uma aproximação quando uma das partes é mais fraca."

"Como quase tudo neste país, até o Exército precisa se modernizar, rever processos e, por que não, se profissionalizar totalmente?", sugeriu.

Para o jornalista, o Exército não pode assumir funções policiais, mas deveria envolver-se, por exemplo, no combate aos crimes de fronteira. "O ideal é que todas as forças trabalhassem integradas: o Exército nas fronteiras, a Federal [Polícia Federal] no contrabando de armas, a Polícia Civil investigando o crime e a PM [Polícia Militar] na prevenção."

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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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