| Milhares de
homossexuais americanos esperam que o "efeito Brokeback" volte a lançar o
debate sobre os direitos desta comunidade e lhes dê sua recompensa mais
desejada: uma maior tolerância com o romance vivido por pessoas de mesmo
sexo.
Apenas três anos atrás, a Suprema Corte
declarou inconstitucionais as leis que proibiam as relações sexuais
consensuais entre pessoas do mesmo sexo.
Agora, sem querer, o filme O Segredo de
Brokeback Mountain, que conta o romance vivido entre os caubóis Ennis
e Jack, bateu recorde de bilheteria nos Estados Unidos entre todo tipo de
população.
"É um verdadeiro fenômeno social", disse
Jean-Marie Navetta, porta-voz da organização PFLAG (Pais, famílias e
amigos de gays e lésbicas).
"Nunca antes se expuseram de uma forma tão
autêntica os problemas, desafios e com freqüência as tristezas causadas
pela violência e a discriminação contra os homossexuais", disse à
AFP.
A comunidade gay americana não pode esquecer
que em menos de 10 anos um grupo de homofóbicos americanos assassinou o
estudante Matthew Shepard, de 21 anos, em Laramie, estado do Wyoming, o
mesmo onde se passa o filme.
Atualmente, a porta-voz estima haver "mais
aceitação dos gays do que teríamos imaginado, sobretudo se considerarmos
que todos os espectadores que foram às mais de duas mil salas de cinema
que exibiram o filme não eram todos homossexuais."
De fato, nenhuma sala foi alvo de represália
ou violência por exibir o filme. Nem mesmo a direita religiosa americana,
normalmente bastante combativa com temas controversos, lançou uma campanha
contra o filme, "O país está no caminho certo no que se refere a temas
homossexuais", avaliou Matt Foreman, diretor do grupo National Gay and
Lesbian Task.
"Sabemos que mais de 70% dos americanos,
republicanos ou democratas, apóiam os gays e são contra a discriminação e
que mais de 60% dos jovens menores de 25 anos são favoráveis ao direito
dos homossexuais", disse à AFP.
"O problema não é que a opinião pública se
mostre favorável aos gays, mas que os estados e o governo estão dominados
pelos conservadores", denunciou.
Para a organização Human Right Campaign é
importante destacar que o sucesso deste tipo de filme "reflete uma
compreensão maior e aceitação destes temas, publicados na primeira página
de jornais e tema de conversa entre milhões de americanos este ano".
No país do consumo, os americanos têm bem
presente que o poder de compra da comunidade homossexual foi avaliado em
US$ 641 bilhões em 2006, segundo o Witeck-Combs Communications, um grupo
de estudos de marketing.
Mas ainda há um caminho longo a percorrer.
Ninguém se esquece de que o casamento homossexual foi tema da recente
campanha eleitoral americana, que terminou com a reeleição de George W.
Bush em 2 de novembro de 2004.
Paralelamente às presidenciais, 11 estados
rejeitaram por referendo o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
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