http://www.overmundo.com.br/revista/noticia.php?noticia=97
Fã de heavy-metal e devoto de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Antônio
Snake é só sucesso. Com receita infalível que consiste em sexo explícito
(praticado só por paraenses) em belas paisagens da floresta, seus filmes
começam a ganhar o mercado internacional
Antônio Snake é gente que faz. Ator, produtor, diretor, editor e
distribuidor, ele é a peça central - na verdade, a única - da nascente
indústria do filme pornô amazônico. Seus filmes vendem bem (só a série
/Cotijuba extremamente anal/ já está no volume 6), ele é reconhecido nas
ruas, dá autógrafos e já não precisa mais implorar para que as mulheres
participem de seus filmes. Além disso, Snake começa a experimentar um
certo reconhecimento internacional, com filmes distribuídos na Holanda,
Dinamarca e em outros países europeus.
Nada mal para quem, até pouco tempo, trabalhava como entregador em uma
empresa de distribuição de gás de cozinha. Entre uma entrega e outra,
Snake aproveitava para fazer fotos amadoras de sua namorada e de outras
meninas com quem saía. Nessa época, o público das suas, digamos,
produções se limitava a ele mesmo e ao segurança da empresa em que
trabalhava, o maior incentivador para que ele largasse os botijões de
gás e se lançasse na carreira de produtor pornô, segundo o cineasta. "O
cara pirava nas minhas fotos e dizia que eu levava jeito pra coisa.
Vivia metendo corda para eu comprar uma câmera de vídeo e fazer filmes.
Até que recebi uma grana de umas férias e comprei uma. No início filmava
e não mostrava pra ninguém. Ficava vendo sozinho e pensava "égua, bacana
isso", conta ele.
O salto dos vídeos caseiros para a indústria do pornô só aconteceria em
1997, quando Snake tomou coragem e lançou /Cotijuba - Ilha do Prazer
devastação anal Vol.1/, que, apesar de ter dado bastante dinheiro,
rendeu 15 dias de prisão para o cineasta após ele ser acusado de usar
menores de idade nas gravações. Depois de puxar uma cana, Snake foi
inocentado, pois ficou provado que a menina falsificou a idade para
participar das filmagens.
Como já dizia Malcolm MacLaren: "Não existe publicidade ruim, só
publicidade". Após a sua prisão, o escândalo acabou atraindo o interesse
local pelas obras de Snake, o que o levou a investir sete mil reais em
uma seqüência para /Cotijuba - Ilha do Prazer/. Dessa vez foi tudo nos
conformes e o filme vendeu bem, tanto para as locadoras quanto para o
mercado de vídeo doméstico.
Atualmente Snake comanda a Amazônia Sex, uma pequena produtora de vídeo
encarregada de produzir e distribuir os seus filmes. A temática continua
a mesma dos tempos de /Ilha do Prazer/: o sexo explícito protagonizado
por paraenses aliado às belas paisagens da região amazônica e aos pontos
turísticos de Belém do Pará. Para o cineasta, além de ser um diferencial
dentro das produções brasileiras, essa postura é também uma jogada de
marketing. "Tudo meu é regional e eu faço questão disso. Tu nunca vai
comer aquelas loiras dos filmes da Private, rapaz. Mas as meninas que eu
uso nos meus filmes são meninas comuns, daqui de Belém. Podia ser a
menina da tua escola, do teu prédio... É por isso que o meu slogan é
"Uma delas pode ser a sua vizinha". Isso dá certo porque o cara se
identifica e fica naquela expectativa de ver transando uma menina que um
dia pode ser acessível a ele. Tanto que o que tem de gente que liga aqui
querendo saber delas não é brincadeira", explica.
Apesar do regionalismo de seus filmes, só não vá falar para ele de
carimbó, tecnobrega e outros ritmos paraenses, pois o negócio de Snake é
mesmo o rock, especialmente o heavy-metal. "As trilhas dos meus filmes
sempre trazem grupos de rock. Odeio brega. Dia desses até briguei com a
vendedora de uma loja de surf daqui. Cheguei lá e tava tocando Banda
Calypso. Porra, brother, Calypso em loja de surf? É um desrespeito.
Mandei a dona da loja tomar no cu e não voltei lá nunca mais. Eu gosto
de rock. E só atuo usando camisas do Iron Maiden, dos Misfits e do
Whitesnake, os meus grupos preferidos. Aliás, "Antônio Snake" é uma
homenagem ao Whitesnake, a banda de rock que mais curto."
Mas e a opção pelos monumentos e prédios históricos de Belém? Seria a
produtora de Snake uma espécie de Paratur pornô? É possível que sim, já
que outra de suas manias é mostrar os pontos turísticos da cidade em
seus filmes. Até mesmo como forma de acabar com certos preconceitos com
relação ao Norte do Brasil. "O Buttman faz os filmes dele em Los
Angeles, mostrando pro mundo a cidade em que ele mora. Eu, como não
posso ir pra lá, faço os meus no Ver-O-Peso. Assim eu mostro que aqui em
Belém a gente não vive no meio do mato, que não somos um bando de gente
atrasada. Outro dia eu tava em João Pessoa filmando e um cara veio
perguntar se aqui em Belém a gente morava em oca. Porra, brother, não me
fala de oca. Oca eu só vi uma vez e foi pela televisão. Fico puto com isso."
Tudo bem. Mas é o próprio Snake o primeiro a admitir que foi a novidade
de ver um filme pornô feito na Amazônia - no imaginário mundial uma
região exótica, repleta de índios, animais selvagens e florestas
exuberantes - que lhe abriu as portas do mercado internacional.
Especialmente para a Europa, onde os filmes da Amazônia Sex começam a
chegar nas lojas e locadoras especializadas. Cidade portuária e porta de
entrada para a região amazônica, Belém tem uma longa tradição de zonas
de prostituição. E foi observando o movimento dos lupanares da cidade
que Snake sacou do que os gringos gostavam. Pensando nisso, começou a
perceber que existia um mercado fora do Brasil que poderia ser explorado
pela sua produtora. "Gringo não tem muito luxo com mulher, basta ser
brasileira. Se for da Amazônia, melhor ainda, porque os caras lá fora
piram nesse lance. Agora tu imagina fazer isso com mulheres bonitas. É
sucesso na hora. O nome Amazônia é muito vendável. Basta ter Amazônia no
meio pra vender. É nisso que estou investindo. Já vendi filmes para a
Dinamarca, Holanda e agora recebi uma proposta do Japão, de
distribuidoras de lá querendo comprar os meus filmes", revela Snake.
De fato, parece que os negócios do cineasta têm progredido. Um filão
explorado por ele de uns tempos para cá é a produção de filmes para
consumo privado. Casais que têm fantasias de fazer um filme pornô, mas
não têm coragem de se expor, contratam Snake para que ele dirija
produções caseiras que nunca vão chegar às locadoras. Algumas,
dependendo da animação do casal, trazem até o cineasta como um dos
protagonistas. Segundo ele é um mercado em crescente expansão, que lhe
rende viagens constantes para o interior do Pará e outros estados da
região Norte.
Talvez seja essa aceitação do seu trabalho por parte do público local
que tenha contribuído para que ele comece a sair da marginalidade. Volta
e meia Snake é reconhecido na rua e encontrar mulheres para estrelar as
suas produções já não é mais uma missão impossível. "Hoje em dia as
meninas me ligam, vêm aqui na produtora, me abordam na rua… Acho que
além da grana as pessoas têm uma fantasia de querer fazer filme pornô.
Só pode ser. Aliás, outro dia aconteceu um negócio engraçado. Pode não
parecer, mas eu sou um cara bastante religioso. Não perco uma novena de
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Pois então, eu tava na missa e um
casal me abordou perguntando se eu não era o Snake. Disse que sim e
começamos a conversar. Eles eram meus fãs. Volta e meia tô na reza e
alguém me reconhece".
Mas não seria o catolicismo uma atividade incompatível com a profissão
de ator e diretor de filmes pornô? "Não pra mim, cara. É só um emprego
como outro qualquer. Além do mais quem paga as minhas contas sou eu e
não o padre. Eu sei o que faço da minha vida."
É então que Snake aproveita para falar que a carreira de produtor pornô
em Belém do Pará não é tão tranqüila quanto se pode imaginar. Uma de
suas principais reclamações ainda é o preconceito contra a profissão,
segundo ele um dos principais empecilhos para que ele rode o seu
primeiro filme gay, uma exigência antiga dos fãs. "Os gays dão muito em
cima de mim. Onde me vêem eles me abordam, dão cantada, querem
conversar. Mas até agora não consegui que eles topassem participar de um
filme meu. Ainda tem muito preconceito contra a profissão aqui em Belém
e eu acho que eles não topam trabalhar comigo com medo de ficarem
estigmatizados. Só que isso está mudando aos poucos, tanto que com a
maioria das mulheres eu já não tenho problema nenhum", comemora.
Ainda que modesto, o negócio de Snake vai bem, o que lhe permite,
inclusive, produzir sem precisar entrar no incrível mundo das verbas
públicas e da captação de recursos. Os sete mil reais que, em média, ele
precisa para rodar um filme saem do lucro obtido com produções
anteriores. Não que o cineasta não tenha tentado se aproximar de outros
produtores locais, mas a dificuldade e a burocracia em criar projetos e
captar recursos fez com que ele optasse por fazer seus filmes de maneira
independente. "Fui lá no Palacete Bolonha participar de uma reunião de
cineastas paraenses", conta Snake, "Chegou uma hora em que tínhamos que
levantar e dizer o nosso nome e o que a gente fazia. Levantei e disse
que era o Antônio Snake, produtor, diretor, ator, editor e diretor de
filme pornô… Rapaz, ficou todo me olhando… meio espantado. De repente
uns e outros começaram a dizer "ê, rapaz, eu já vi o teu filme, eu sou
teu fã". Ficou nessa história até que eu disse: 'Tá vendo? O meu filme
vocês já viram, agora o de vocês eu nunca vi. Enquanto vocês pedem uma
fortuna pra fazer esses curtas que ninguém vê, eu meto a cara e faço os
meus e todo mundo me conhece. 70 mil pra fazer um curta de 15 minutos?
Com 70 mil eu faço logo é dez filmes. É filme que nem presta. Faço dez
filmes, tiro mil cópias de cada um e vendo o DVD a R$ 40. Calcula quanto
eu ia ganhar. Além do mais, pra que vou meter em lei de incentivo?
Ninguém nunca ia patrocinar um filme meu mesmo. Prefiro continuar
independente e fazer tudo do meu jeito'.
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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.
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