E sabe o que é pior? Aposto que elas NUNCA tem troco pra R$2.

On Sun, 19 Mar 2006 11:24:32 -0300
"Rubens" <[EMAIL PROTECTED]> wrote:

R> A vergonha da prostituição infantil a R$ 1,99
R> 
R> PARANAGUÁ (PR). Em meados dos anos 90, a cifra R$ 1,99 virou símbolo 
R> da estabilidade econômica. Passados 12 anos, o número simboliza a 
R> carência de programas sociais que combatam um problema terrível. Em 
R> Curitiba e em Paranaguá, R$ 1,99 é como são conhecidas ruas onde 
R> meninas de 11 ou 12 anos se vendem a caminhoneiros, marinheiros, a 
R> todo tipo de cliente. A cifra se refere ao valor — real e subjetivo — 
R> da intimidade das jovens. 
R> 
R> — Há meninas aqui que por causa do crack fazem sexo por qualquer 
R> dinheiro, R$ 2, R$ 3. Tanto que já houve até briga, mas quem não quer 
R> não é obrigado a fazer programa — diz J., de 17 anos, referindo-se à 
R> rua do R$ 1,99 de Curitiba, perto do bairro Rebouças. 
R> 
R> Nos primeiros 74 dias de 2006, o programa Sentinela atendeu a 23 
R> casos de exploração sexual comercial infanto-juvenil em Paranaguá, um 
R> dos maiores portos do país. Média de um caso a cada três dias numa 
R> cidade de 140 mil habitantes e com Índice de Desenvolvimento Humano 
R> (IDH) acima da Região Sul. 
R> 
R> 
R> Rua do Cincão, outro ponto da prostituição infantil 
R> 
R> J. também freqüenta a Rua do Cincão, em Curitiba, outro logradouro 
R> que ficou conhecido pelo valor do programa (R$ 5) feito pelas meninas 
R> prostitutas. Ela denuncia a situação corriqueira das drogas, especial-
R> mente o consumo do crack, que alicia menores para a prostituição: 
R> 
R> — As meninas ficam por aqui mesmo, fumando pelos cantos, esperando. 
R> Vivo na rua desde os 10 anos. Meu falecido padrasto usava droga e me 
R> envolvi. 
R> 
R> Paranaguá é considerada cidade modelo do programa Sentinela — prin-
R> cipal iniciativa governamental no combate à exploração infantil — e 
R> no ano passado chegou a receber a visita do ministro Patrus Ananias 
R> (Desenvolvimento Social e Combate à Fome). Mas o programa sobrevive 
R> com apenas R$ 13 mil mensais da União e uma contrapartida de 25% da 
R> prefeitura. 
R> 
R> — A gente começa cobrando R$ 15 ou R$ 20, mas no fim da noite, quando 
R> o movimento é fraco, qualquer trocado é lucro — diz Q., 17 anos, que 
R> se prostitui na rua do R$ 1,99 de Paranaguá desde os 14. 
R> 
R> As meninas geralmente começam a se prostituir cedo, por volta dos 10 
R> anos, estimuladas por irmãs, primas, tias e até mães. Existem casos 
R> de famílias de prostitutas que estão na segunda ou terceira geração.
R> "Estou aqui há mais de 30 anos e desde aquela época elas vinham com 
R> 12, 13 anos. Conheci as avós dessas meninas de hoje — conta Neusa 
R> Veiga, dona do bar Casa Branca. 
R> 
R> No ano passado, o Sentinela registrou o caso de uma menina de 9 anos. 
R> "Não conseguimos resgatá-la e, segundo informações, ela está 
R> grávida", disse Neusa Mary Machado, coordenadora do Sentinela em 
R> Paranaguá. 
R> 
R> Tolerada há tantos anos, a exploração infantil é vista como coisa 
R> normal em Paranaguá.  "Aqui é uma questão quase cultural porque já 
R> vem de várias gerações", diz Gabriela Borba, psicóloga do Sentinela. 
R> 
R> O principal ponto de exploração é um posto de combustíveis no entron-
R> camento da BR-277 com a estrada que leva ao pátio de descarga do 
R> porto. Ali, na rua do R$ 1,99, dezenas de caminhoneiros estacionam 
R> para descansar e fazer sexo com as meninas. Antes o trotoir acontecia 
R> nos bares e lanchonetes do pátio.  Há dois anos, o governo estadual 
R> fechou as lanchonetes e restringiu o acesso ao pátio. As medidas só 
R> provocaram a mudança do local da prostituição. 
R> 
R> Outra área de prostituição, além do posto, é o porto. Marinheiros e 
R> funcionários de empresas de exportação lotam bordéis como a Boate 
R> Conquistador, na Boca da Barra. Terça-feira, o Conquistador estava 
R> cheio de iranianos, alemães, indianos e filipinos. Eles pagam em 
R> dólar e sustentam o lado mais "sofisticado" da prostituição na 
R> cidade. Uma das conseqüências é a disseminação da Aids. Com mais de 
R> 800 casos, Paranaguá é a primeira no ranking do Paraná e terceira do 
R> Brasil. 
R> 
R> Ano passado, a dona da Boate Maria Bonita, perto da Igreja de Nossa 
R> Senhora do Rocio, padroeira do Paraná, foi presa por abrigar uma 
R> menina de 16 anos. Outras circulam pelos armazéns oferecendo-se aos 
R> marinheiros, em inglês sofrível, por cachês que chegam a R$ 300. 
R> 
R> — You have fun ? (Você quer diversão?) — perguntam. 
R> 
R> 
R> Cliente estrangeiro, o sonho das meninas 
R> 
R> Topar com gringo rico que as sustente em dólar é o sonho da maioria 
R> das meninas. As garotas geralmente não têm cafetão. Não existe uma 
R> rede organizada, mas muita gente lucra com a exploração infantil. São 
R> donos de bares, motéis e principalmente taxistas e traficantes de 
R> crack. Há uma regra na cidade pela qual as prostitutas andam à 
R> vontade nos táxis e só pagam quando pegam um estrangeiro. 
R> 
R> Já os traficantes costumam atrair as garotas para orgias de álcool e 
R> crack até que, viciadas, elas recorrem à rua do R$ 1,99. Também são 
R> freqüentes os relatos de exploração por policiais civis e militares. 
R> Nas duas noites que passou no R$ 1,99, o repórter viu vários carros 
R> da PM no local, assistindo passivamente ao trotoir das adolescentes. 
R> 
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R> [O Globo]
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R> Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.
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