Oi Paulo Acho que em geral não senta, Paulo, lindinho.
(Mas talvez vc precise ver como é "macho" o personagem do Heath Ledger no filme, com direito a brigas de arrancar sangue com sujeitos bem maiores que ele). Mas acho que gays são gente. -- Beijins Fa ---------------------------------------------------------------- "Boca fechada não fala." ---------------------------------------------------------------- Paulo Sérgio Pinto wrote: > O Jabor tem um conceito muito estranho de macho. Diga-me lá, oh doce > senhora: macho que é macho senta no nabo? :-) > > > Fatima Conti wrote: > > >>Oi >> >>Você viu? >> >>-- >>Beijins >>Fa >>---------------------------------------------------------------- >>"Se homem fosse dinheiro, todas as notas seriam falsas." >>---------------------------------------------------------------- >> >> >>Arnaldo Jabor - É um filme sobre heróis machos >> >>[07 Março 02h21min 2006] >> >> >>Eu não queria ver o filme O Segredo de Brokeback Mountain. Não queria. >>Ver filme de viados, eu? (Escrevo viado porque, como disse Millor, quem >>escreve veado é viado). Muito bem; eu resistia à idéia, mais ou menos >>como o Larry David (o roteirista de Seinfeld) disse, num artigo >>engraçadíssimo, que tinha medo de virar gay se ficasse emocionado. >> >>O viado sempre encarnou a ambigüidade de nossos sentimentos. Claro que, >>hoje, os civilizados todos dizem que ''tudo bem, que são contra a >>homofobia'' e todo o bullshit costumeiro. Eu mesmo já fiz filmes em que >>viados são protagonistas, em que o ator principal escolhe a >>homossexualidade no final (Toda Nudez Será Castigada), já filmei >>travesti em Eu te Amo e em Eu Sei que Vou te Amar, além da ''biba'' >>louca do O Casamento, em que o grande ator André Valli dá um show >>inesquecível. Em todos os meus filmes há uma boneca ativa e digna. E, no >>entanto, eu não queria ver o tal filme do Ang Lee, apelidado pelos >>machistas finos de ''Chapada dos Viadeiros''. >> >>Minhas razões eram mais discretas, intelectuais: ''Ah... porque o Ang >>Lee é um cineasta mediano, ah... porque será mais um filme politicamente >>correto, onde o amor de dois cowboys é justificado romanticamente... Vou >>fazer o que no cinema? Ver mais um panfletinho que ensina que os gays >>devem ser compreendidos em seu 'desvio'? Não. Não vou'', pensei. >> >>Aliás, eu sou do tempo em que os viados apanhavam na cara em plena rua. >>Havia pouquíssimos gays declarados no Brasil. No Rio, havia o >>Murilinho... cantor de foxes em boates, havia o Clóvis Bornay e poucos >>outros... O viado passava na rua sob os rosnados dos boçais prontos para >>lhes tirar sangue. E no anonimato, enxameavam os pobres ''pederastas'', >>de terno e gravata, pais de família se esgueirando nas esquinas, nas >>noites escuras, em busca de satisfação. >> >>Mais tarde, com o tempo, surgiram as ''bichas loucas'', que se assumiam >>com um toque de autoflagelação, de autoderrisão, caricaturas da mãe >>odiada e amada, que berravam e desfilavam nos carnavais num freje >>humorístico, que até hoje alimenta nosso show na TV... A bicha virou uma >>personagem clássica do humor, como os palhaços e os bacalhaus de circo. >>E tudo bem... são engraçados mesmo. >> >>Depois, com os direitos civis dos anos 60, surgiu o gay power, com >>homossexuais fortes e de bigode, malhados, cheios de orgulho. A viadagem >>virou um poder político importante, claro, mas até meio sério demais, >>aspirando a uma ''normalidade'' que contrariava sua ''missão'' >>trangressiva que tanto nos acalmava. Como disse Paulo Francis um dia, >>sacaneando-os: ''Se esses caras querem todos os direitos e deveres dos >>caretas como nós, qual é então a vantagem de ser viado?''. >> >>Em suma, por mais que ''aceitemos'' os gays, eles sempre foram uma fonte >>de angústia, pois atrapalham nosso sossego, nossa identidade ''clara''. >>O gay é duplo, é dois, o viado tem algo de centauro, de ameaçador para a >>unicidade do desejo. A bicha louca ou o travesti, a biba doida ou o >>perobo, o boy, o puto, a santa, a tia, a paca, todos eles nos >>tranqüilizavam com suas caricaturas auto-excludentes. Já o gay sério >>inquieta. O gay banqueiro, o gay de terno, o gay forte, o gay cowboy é >>muito próximo de nós, a diferença fica mínima. >> >>Por isso, eu não queria ver o tal filme dos cowboys. Como? Cowboy de >>mãos dadas, dando beijos românticos, com tristes rostos diante do >>impossível? Não. Eu não. Mas, aí, por falta de programa, >>''distraidamente''... (aí, hein, santa?...) fui ver o filme. E meu susto >>foi bem outro. O filme não me pedia aprovação alguma para a >>homossexualidade, o filme não demandava minha solidariedade. Não. >> >>Trata-se de um filme sobre o império profundo do desejo e não uma >>narração simpática de um amor ''desviante''. O filme se impõe >>assustadoramente. Os dois cowboys jovens e fortes se amam com um tesão >>incontido e são tomados por uma paixão que poucas vezes vi num filme, >>hetero ou não. Foi preciso um chinês culto para fazer isso. Americano >>não agüentava. >> >>Nem europeu, que ia ficar filosofando. Brokeback é imperioso, realista, >>sem frescuras. Eu fiquei chocado dentro do cinema, quando os dois >>começam a transar subitamente, se beijando na boca com a fome ancestral >>vinda do fundo do corpo. O filme não demandava a minha compreensão. Eu é >>que tinha de pedir compreensão aos autores do filme, eu é que tive de me >>adaptar à enorme coragem da história, do Ang Lee. >> >>Eu é que precisava de apoio dentro do cinema, flagrado, ali, desamparado >>no meu machismo ''tolerante''. Eu é que era o careta, eu é que era o >>viado no cinema e eles os machos corajosos, se desejando não como >>pederastas passivos ou ativos, mas como dois homens sólidos, belos e >>corajosos, entre os quais um desejo milenar explodiu. Não há no filme >>nada de gay, no sentido alegre, ou paródico ou humorístico do termo. >> >>Ninguém está ali para curtir uma boa perversão. Não. Trata-se de um >>filme de violento e poderoso amor. É dos mais emocionantes relatos de um >>profunda entrega entre dois seres, homos ou heteros. Acaba em tragédia, >>claro, mas não são ''vítimas da sociedade''. Não. Viveram acima de nós >>todos porque viveram um amor corajosíssimo e profundo. >> >>Há qualquer coisa de épico na história, muito mais que romântica. Há um >>heroísmo épico, grego, como entre Aquiles e Pátroclo na Ilíada, algo >>desse nível. O filme não é importante pela forma, linguagem ou coisas >>assim. Não. Ele é muito bom por ser uma reflexão sobre a fome que nos >>move para os outros, sobre a pulsação pura de uma animalidade dominante, >>que há muito tempo não vemos no cinema e na literatura, nesses tempos de >>sexo de mercado e de amorezinhos narcisistas. >> >>Merece os Oscars que ganhou. Este filme amplia a visão sobre nossa >>sexualidade. >> >> >>Publicado originalmente em >>http://oglobo.globo.com/jornal/colunas/jabor.asp > --- Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se. Comentários: www.yahoogroups.com/group/goldenlist-L/messages Newsletter: www.yahoogroups.com/group/goldenlist/messages Yahoo! Groups Links <*> To visit your group on the web, go to: http://groups.yahoo.com/group/goldenlist-L/ <*> To unsubscribe from this group, send an email to: [EMAIL PROTECTED] <*> Your use of Yahoo! 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