Ordem partiu da direção da CEF
A violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa
foi determinada por um integrante da direção da Caixa Econômica
Federal (CEF) e executada de dentro da sede da instituição por uma
funcionária de terceiro escalão, revelaram ontem fontes de dentro do
banco a senadores da CPI dos Bingos. A servidora seria uma das
gerentes da Superintendência Nacional de Rede (Suare), órgão
subordinado à vice-presidente de Segmento e Distribuição.
Acima da vice-presidência está apenas o presidente da Caixa, Jorge
Mattoso. Anteontem, Mattoso admitira, ao ver cópia do extrato
divulgado pela revista "Época", que a invasão da conta bancária do
caseiro que contradisse o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, foi
feita dentro da Caixa, numa gerência da instituição. Segundo as
fontes de informações da CPI, a ordem para a quebra de sigilo teria
partido de um assessor direto de Palocci, que pode vir a ser convo-
cado para depor.
Mattoso, que viajaria ontem para o Japão, cancelou o compromisso.
Anteontem, Mattoso disse aos senadores da CPI dos Bingos que seria
difícil rastrear as operações de consultas às contas correntes, pois
o banco realiza mais de 200 milhões de operações diárias. Na con-
versa, Mattoso e a vice-presidente de Tecnologia da Caixa, Clarice
Coppetti, sustentaram que o trabalho de rastreamento demandaria muito
trabalho. Coppetti, que administra o sistema informatizado da Caixa,
disse que a dificuldade se devia ao porte da rede da instituição
bancária. Ela disse que a Caixa tem 110 mil terminais conectados à
rede interna. Os computadores são operados pelos 70 mil funcionários
da Caixa.
Ontem, a CPI aprovou a convocação de Clarice Coppetti. Embora a opo-
sição evite tratá-la como suspeita, a comissão diz que ela é a pessoa
mais qualificada da instituição para identificar o responsável pela
violação do sigilo no sistema e explicar os possíveis rastros deixa-
dos após a invasão.
A sindicância da Caixa aberta para investigar o caso tem até 4 de
abril para esclarecer as denúncias, mas os senadores criticaram o
prazo de 15 dias dado pela diretoria.
Quinze dias para mim parece que é para a fabricação de uma versão
ou para achar um bode expiatório, tipo Delúbio (Delúbio Soares, ex-
tesoureiro do PT) disse o líder do PFL no Senado, José Agripino
Maia (PB).
A oposição reagiu diante dos boatos de que o governo apontaria logo
um culpado para amenizar a crise:
Não basta crucificar um funcionário que pode ter só cumprido ordem.
A corda não vai arrebentar só do lado mais fraco. A informação foi
obtida no prédio central da Caixa e os indícios são muito fortes de
que saíram desta área (a Suare), pelo sistema usado na superinten-
dência disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
A comissão de sindicância recebeu cópia do extrato divulgado pela
revista "Época" que mostra depósitos num total de R$ 25 mil na conta
de Francenildo. O dinheiro teria sido depositado por um empresário do
Piauí que o caseiro afirma ser seu pai biológico. O empresário
confirma os depósitos, mas diz que não assume a paternidade por
problemas de família. A CPI foi informada de que a identificação do
funcionário que violou o sigilo bancário do caseiro foi apagada do
extrato divulgado pela "Época". O banco tem meios para rastrear a
operação.
[O Globo]
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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.
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