Do JB, hoje:
 
Planalto vai ocultar nome do mandante da quebra de sigilo

Governo apontará bode espiatório para tentar afastar Palocci do centro da crise

Sergio Pardellas

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto tem informações desde quarta-feira sobre quem pode ter ordenado a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa. O governo já sabe que terá de entregar a cabeça do responsável pela violação do sigilo do caseiro. É uma questão de tempo. Mas o nome de quem ordenou toda a operação não chegará ao conhecimento público, segundo revelou ontem ao Jornal do Brasil um assessor palaciano.

O que se comenta no Planalto é que a operação teria envolvido cinco pessoas. A preservação deste nome combinada com a revelação de um bode expiatório, vinculado à Caixa Econômica Federal (CEF), faz parte da estratégia para tirar o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, do epicentro da crise política. No Planalto, o maior temor é que a queda de Palocci comprometa o projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Planalto sabe que críticas choverão após a divulgação de um suposto bode expiatório para o caso. Mas consideram a iniciativa um mal menor, face à hipótese de o episódio respingar ainda mais em Palocci.

A razão da demora para a divulgação pela Caixa do responsável pelo crime da quebra do sigilo de Francenildo Costa é que até agora não foi definida a cabeça que será entregue pela violação da conta do caseiro.

Ontem, questionado depois da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social sobre um eventual pedido de demissão do presidente da Caixa Econômica, Jorge Mattoso, Lula foi vago:

- Não faz sentido (ele pedir demissão) porque sou eu que tenho de tomar uma decisão. Quando houver alguma coisa eu comunico - disse o presidente.

Em reunião com integrantes do núcleo político do governo durante a semana, o presidente Lula exigiu uma solução rápida para o caso. Não quer que ultrapassasse esta semana. As investigações estão a cargo da Polícia Federal e da Caixa.

- Precisamos dar um ponto final nisso logo - teria dito, segundo um ministro.

Apesar das pressões de setores do governo pela saída de Palocci durante a desincompatibilização dos ministros candidatos no dia 31, é improvável que o ministro saia do olho do furacão da crise. Esse tipo de atitude não faz parte do estilo do presidente Lula de governar, dizem pessoas ligadas a ele. Nas reuniões fechadas no Planalto, o presidente insiste em dizer que o limite para uma eventual saída de Palocci é o comprometimento do governo, o que até agora não aconteceu. E o Planalto permanece atento para evitar que o pior ocorra.

Ontem, o ministro da Coordenação Política, Jaques Wagner, reforçou a permanência do ministro no cargo.

- O que posso garantir é que Palocci fica - afirmou, taxativo, após presidir a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

Segundo Wagner, a investigação completa é de interesse do governo. O ministro também defendeu a punição a toda linha do crime.

- A Polícia Federal vai investigar tudo - disse.

Ainda de acordo com o ministro, o caseiro, investigado pela PF, não pode ser colocado na condição de vilão mas também não pode ser considerado um coitadinho.

Embora Palocci não despache há 9 dias no seu gabinete no Ministério da Fazenda, o ministro tem cumprido expediente regular numa sala reservada no Palácio do Planalto.

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