At 20:04 27/3/2006, you wrote:
como exemplar do que te disse leia aqui : http://www.arqsp.org.br/210101.htm

             Where? -))))


Cartas mudam história do império brasileiro
Regente Feijó pediu a estrangeiros que ajudassem a debelar revolta da Cabanagem
(por Lúcio Flávio Pinto)
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BELÉM - Documentos esquecidos num escritório de Londres podem reescrever a história brasileira da época do Império. Correspondência trocada entre o regente Diogo Antônio Feijó e oficiais do governo britânico, de 1835 a 1839, mostra que o País autorizou tropas britânicas, portuguesas e francesas a invadirem o atual Estado do Pará a fim de combater a Cabanagem, o mais sangrento motim já ocorrido em território nacional.
Se o plano fosse aceito, estrangeiros poderiam matar brasileiros com conhecimento e aprovação do governo e parte da Amazônia teria sido entregue a britânicos ou franceses no século 19. Tudo isso teria ocorrido se os estrangeiros tivessem aceitado pedido do representante do governo imperial brasileiro, o regente Feijó.
O encontro entre Feijó e os embaixadores inglês e francês só foi revelado 160 anos depois pelo antropólogo David Cleary, de 42 anos, autor de uma elogiada pesquisa sobre garimpos de ouro da Amazônia. Foi ele que encontrou no arquivo do Publics Records Office, em Londres, correspondências trocadas com a embaixada, o Ministério das Relações Exteriores e o almirantado britânicos. Cleary publicou um artigo nos Estados Unidos e a documentação inédita aguarda, há mais de dois anos, a publicação prometida pela direção do Arquivo Público do Pará.
Audiência - Era 17 de dezembro de 1835. Os embaixadores da Inglaterra e da França, Henry Stephen Fox e Pontois, chegaram à sede do governo no Rio para uma audiência "secreta e confidencial" convocada pelo regente Feijó, que governava em nome de dom Pedro II, ainda menor de idade.
Feijó comunicou que esperava reunir no Pará, até abril de 1836, cerca de 3 mil homens para retomar o controle de Belém e áreas vizinhas em poder de rebeldes - os cabanos haviam destituído as autoridades legais, iniciando uma perseguição a comerciantes portugueses, donos do poder local. O regente pediu aos embaixadores que mandassem de 300 a 400 soldados de seus países para participar do ataque aos amotinados. Em outro encontro, Feijó havia feito o mesmo pedido ao embaixador de Portugal, de cujo domínio o Brasil se havia livrado apenas 13 anos antes.
A proposta previa que as tropas estrangeiras embarcariam em navios de guerra, chegariam a Belém "como que por acaso" e seriam mantidas de prontidão "para cooperar com as tropas brasileiras". Essa cooperação se faria "pelos interesses gerais da humanidade e da civilização". Mas o regente fazia uma ressalva: teria de ser omitido "o fato de as medidas terem sido tomadas a pedido do governo brasileiro".
Na carta que enviou ao ministro das relações exteriores da Inglaterra, lorde Palmerston (que em seguida viria a ser primeiro-ministro), Fox informou ter alertado Feijó de que não acreditava no sucesso da iniciativa, "a não ser que o comunicado fosse feito por escrito".
Segundo Fox, a resposta de Feijó foi: "Como a Constituição do Império proíbe terminantemente a admissão de tropas estrangeiras no território do Brasil sem o consentimento da Assembléia Geral (que não poderá mais ser obtida a tempo), é impossível formular sua proposta por escrito, e que, ademais, seria motivo de descrédito para o governo se fosse divulgado oficialmente o fato de que, sem ajuda externa, ele não é capaz de derrotar um punhado de insurgentes miseráveis".
Fox ainda advertiu: "O emprego, no Pará, de uma força inglesa e francesa, em conjunto com uma portuguesa, tornaria o procedimento ainda mais questionável, levando em conta o ciúme que ainda existe neste país com relação à influência e aos desígnios de Portugal".
Resposta - Em 9 de maio de 1836, Palmerston informou ao encarregado na embaixada no Rio, W.G. Ouseley, que o governo inglês havia dado "a mais atenciosa consideração à sugestão feita" por Feijó, mas não se sentia "à vontade" para cumprir esses desejos, porque seria "uma divergência dos princípios gerais que regem a conduta do governo britânico, em relação aos países estrangeiros, interferir tão diretamente nos assuntos internos do Brasil".
Um mês antes, a tropa imperial brasileira e uma esquadra britânica realmente encontraram-se no Pará, mas não da maneira pretendida por Feijó. Três navios de guerra foram deslocados de Barbados para Belém, pelo Comando Supremo das Índias Ocidentais, com a missão de exigir a prisão dos assassinos da tripulação de um navio mercante inglês, que fora pilhado cinco meses antes.
O capitão Charles Strong encontrou uma província em pânico pelos combates entre as tropas imperiais e os rebeldes. O presidente mandado pelo Rio, almirante Manuel Jorge Rodrigues, confinado numa ilha próxima, havia alertado a Strong dos riscos. Mas o presidente cabano, Eduardo Angelim, terceiro no posto desde o início da revolta, disse-lhe que só não fora cumprimentá-lo a bordo do navio porque "o povo não permitiria que ele o fizesse".
Em outra correspondência, o capitão Strong garantiu que podia "facilmente ter desembarcado 220 homens, incluindo fuzileiros com pequenas armas" e tomado Belém dos rebeldes. Angelim, que louvou "a suavidade dos modos" de Strong, reforçando a "amizade que a nação inglesa consagra ao Pará", eximiu-se de responsabilidade, "pois o Pará não existe desmembrado do império". Deixava claro, assim, que não havia nenhum propósito separatista na Cabanagem, ao contrário da Farroupilha, rebelião que eclodiu simultaneamente no Rio Grande do Sul (então província de São Pedro).
Versão - A Cabanagem foi duramente reprimida, logo depois de os rebeldes abandonarem Belém. O historiador Arthur Cezar Ferreira Reis, respeitada fonte sobre a região, calcula que 20% dos 150 mil habitantes da Amazônia naquela época foram mortos, tanto pelos rebeldes quanto pelas tropas imperiais.
A nova documentação sepulta especulações feitas até agora. Como a de Carlos Rocque, autor de "Cabanagem - Epopéia de um Povo", um dos mais recentes livros sobre o tema. Segundo ele, Eduardo Angelim, "quando presidente, recebeu tentadora proposta de um capitão inglês, para proclamar a independência do Pará, no que teria o apoio de potências estrangeiras. E o caudilho negou-se até a discutir a sugestão".
A análise é repetida em outros livros. Pasquale di Paolo diz, em "Cabanagem - A Revolução Popular da Amazônia", que o capitão inglês propôs ao presidente cabano a "declaração de independência da Amazônia". Quando Angelim morreu, em 1882, o jornal Diário do Grão-Pará registrou que o maior dos líderes cabanos havia recusado "recursos militares do governo americano para proclamar a independência da Amazônia".
Visão heróica distorceu análise dos fatos (idem,OESP)
O mito da rebelião que poderia ter tornado o Pará independente vingou até hoje porque os historiadores não quiseram pesquisá-la a fundo e prevaleceu a vontade de torná-la heróica, observa David Cleary na entrevista que concedeu ao Estado. Doutor em antropologia por Oxford e professor-visitante do Departamento de História da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, até assumir uma diretoria da organização ambientalista TNC (The Nature Conservancy) em Brasília, no ano passado,
Cleary já publicou um livro em português: "A Garimpagem de Ouro no Brasil: Uma Abordagem Antropológica" (Editora da UFRJ, 1990). A seguir, sua entrevista.
Estado - Quando o senhor se interessou pela Cabanagem?
David Cleary - Desde que comecei a trabalhar na Amazônia e ouvi falar do episódio pela primeira vez, em 1984.
Estado - Como chegou aos documentos do Foreign Office?
Cleary - No verão de 1993, li "Motins Políticos", de Domingos Antônio Rayol, publicado há mais de um século, mas ainda o melhor livro sobre o assunto. Rayol menciona diversas vezes a presença de comerciantes e navios britânicos, além de intervenções militares britânicas. Eu já sabia, por outras pesquisas, que os arquivos ingleses são bem organizados e não seria difícil encontrar o material consular e o naval. Munido com datas e nomes de navios britânicos extraídos de Rayol, fui ao Public Records Office (PRO) e, com a ajuda de um arquivista, achei o material consular em cerca de duas horas. Daí, tirei mais informações e consegui localizar vários pacotes de material relevante do almirantado.
Estado - Considera que pode haver ainda, na Inglaterra e em outros países europeus, documentos inéditos sobre a Cabanagem?
Cleary - Sem dúvida. Na Inglaterra encontrei a maior parte dos documentos; o material consular e militar é completo e bem compreensível. Só não achei o material sobre um pedido de indenização feito pelos comerciantes britânicos de Belém, mencionado na correspondência. Há material consular e naval na França. Jeanine Potelet, professora da Universidade de Paris-X Nanterre, já vasculhou os arquivos da Marinha francesa e publicou um resumo fascinante num boletim do Museu Goeldi, em 1990, incluindo até desenhos da cidade na época, feitos por oficiais franceses. Deve existir mais material consular e naval em Lisboa, que de todas as fontes deve ser a mais fascinante, já que os portugueses foram os mais afetados. Há pouco material consular no Arquivo Nacional, em Washington. Um dos cadernos mais relevantes é ilegível - parece que foi molhado.
Estado - O que o senhor considera mais importante na documentação inglesa?
Cleary - Ela esclarece definitivamente a natureza da participação da Inglaterra e dos outros países estrangeiros na Cabanagem, o que tem sido um ponto polêmico, porém pouco documentado, na historiografia. O fato mais importante é a correspondência secreta, que mostra como o governo imperial tentou armar uma intervenção militar estrangeira no próprio território brasileiro, um fato extraordinário e inédito.
Estado - Quais foram as causas, diretas e indiretas, da Cabanagem?
Cleary - Diretas, uma briga política entre facções da elite regional e a decisão de uma facção de armar o povão. Indiretas, um contexto de tensão racial, exclusão econômica e ódio contra os portugueses, que sobreviveu, embora de forma mais branda, por décadas após a Cabanagem.
Estado - Os cabanos estabeleceram um governo popular em Belém 40 anos antes da Comuna de Paris. Isso faz da Cabanagem um movimento precursor?
Cleary - Acho difícil comparar a Cabanagem à Comuna. A Comuna teve a participação de muitos ideólogos alfabetizados, o que não foi o caso da Cabanagem. As raízes da Cabanagem estão na história social e econômica da Amazônia desde a época do marquês de Pombal, no século 18. E não sei até que ponto chamaria os governos cabanos de verdadeiramente populares. As lideranças - os Vinagre, Angelim - jamais foram populares, por exemplo.
Estado - O senhor pretende dedicar-se mais ao assunto?
Cleary - Trabalho numa entidade ambientalista que tem outras prioridades. Mas tudo o que faço é de certa forma vinculado ao meu conhecimento da história da Amazônia, e neste sentido nunca deixarei de trabalhar com a Cabanagem. Espero escrever mais artigos, ou talvez um livro. O melhor seria orientar um historiador brasileiro sobre o tema. Infelizmente, a bibliografia brasileira sobre o tema não só é escassa como muito provinciana, privilegiando a visão heróica do movimento.
Estado - Que projeto o senhor está desenvolvendo relacionado à Amazônia?
Cleary - Trabalho numa entidade ambientalista. Basicamente, procuro fortalecer a capacidade institucional dentro da Amazônia para lidar com vários aspectos de questões ambientais na região.

Fonte: O Estado de S.Paulo, São Paulo, 21/01/2001.


Em 27/03/06, Marco Antonio Figueiredo <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
Vilaça,

sua generosidade franciscana é comovente ( sério ) , há muito e muito tempo atrás a res publica não tem donos nem responsáveis, acho que o Regente Feijó foi o último, nosso Robespierre,  nossos dirigentes desde a famila real decadente passando ao golpe militar da Capital ,mesquinho, e embalado no positivismo psicótico de um Comte, que nos dá dístico a bandeira, nenhum homem sério, destemido , decidido a ser martir mesmo, existiu, destes outros nenhum soube o que significa governar sem fisiologismos, sem toma lá da cá, e o que mais se assemelhou a isto,ou prometeu que faria, na hora H amarelou e fugiu para cachaça, são todos uns covardes que merecem o país ( povo) que têm, só pensam no agora e na aposentadoria de seus empreguinhos, tenho ansias de de um Mishima, e me estriparia se minhas tripas tivessem mais utilidade que 3 min no Jornal Nacional, se tanto, como as dele não serviram nempara ração de cão, nossa esperança reside no crime "organizado", no horror, o que em si é um horror.

respeitosos abraços de seu amigo cordato e meditativo

marco a

Em 27/03/06, Vilaça <[EMAIL PROTECTED] > escreveu:

                     Concordo com Arnaldo Jabor quando ele diz que a
única grande conquista do governo foi o Palocci e sua política eco
nômica correta (mais ou menos isso, cito de memória - ouvi no rá
dio do carro).

                      Mas notem que Collor comprou um carro, teve um
tesoureiro desonesto e fez um  jardim.  Teve que sair pra não  ser
cassado, o que demonstra sua certeza de que o seria. Mas    nem
errou tanto assim. 

                       No governo atual, com exceção do próprio presi
dente e seu vice, não restou pedra sobre pedra do governo. E, é
claro, me refiro aos quadros petistas (ou os coligados) do primei
ro escalão.

                        A quantidade de pessoas envolvidas em  maracu
taias e expulsas do Partido ou do governo ou de ambos é     algo
jamais visto em qq governo de qq época. (nunca esse país pode
ver tanta roubalheira junta...) 

                         Respingos atingem até nos que, sendo PT,  não
estão diretamente na cúpula, como é o caso do gerente da Caixa
Econômica, que deve ser o próximo a cair. 

                          Nesse governo, tive esperança num homem ape
nas, e mesmo esse,  me decepcionou.  Achei que o Palocci  seria
aquilo que eu poderia apontar de bom no governo. E lamento ter
me enganado. Ele tb mente, ele tb está no caldeirão,  e por   isso,
vamos perder o melhor ministro que o país já teve, que eu  soma-
ria ao Helio Beltrão, Tancredo Neves e Roberto Campos,    cada
um em seu tempo.  

                           Não acredito honestamente que fosse  possível
Lula não saber. Todo mundo abaixo dele não apenas sabia, como
participava ativamente de operações nebulosas, desonestas, gros-
seiras, a maioria visando interesse próprio ou do Partido, ou seja,
do Presidente, principal beneficiado...  e ele não sabia de    nada?
Foi apunhalado?

                      Caso eu veja na TV o Lula cumprimentando o Dir
ceu, o Genoíno, o Delúbio, etc, etc, etc, isso  me dará  a   certeza
cristalina de que são todos farinha do mesmo saco, pois ninguém
fala com quem o apunhala, não cumprimenta quem o traiu, não di
vide o mesmo palanque com quem tentou enganá-lo.

                       Tenho dito.  

Vilaça

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