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Lula
deve ser próximo alvo, dizem opositores
 Adriana
Vasconcelos, Maria Lima
e Bernardo de la Peña
BRASÍLIA. A oposição não
se surpreendeu com a demissão de Antonio Palocci. Antes mesmo da confissão do presidente da
Caixa, Jorge Mattoso, também demitido, o afastamento de ambos já vinha
sendo cobrado publicamente. Tucanos e pefelistas
deixaram claro que pretendem continuar no ataque
e que o próximo alvo deverá ser o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente do PSDB,
senador Tasso Jereissati (CE), que até bem pouco tempo era um dos
defensores de Palocci na oposição, defendeu a
prisão de Mattoso.
Palocci começou a cair quando o governo impediu o
depoimento do caseiro na CPI dos Bingos. Ali, o ministro perdeu as
condições de dialogar, mostrou que tinha algo a esconder. Depois veio a
quebra do sigilo de Francenildo, a violação de
um artigo da Constituição. Mattoso não pode ser apenas demitido, tem de
ser algemado, jogado num camburão e preso recomendou Tasso,
acrescentando que o substituto (Guido Mantega)
foi uma solução caseira, medíocre.
Para o líder da minoria,
deputado José
Carlos Aleluia (PFL-BA), o afastamento do ministro da
Fazenda não é suficiente para pôr fim à crise ética e moral do governo.
Na sua opinião, Lula prestaria um grande serviço
à nação se desistisse da eleição e nomeasse um Ministério de notáveis até
o final do mandato.
O problema é Lula.
Palocci é apenas a ponta do iceberg, mas o gelo
já está corroendo por baixo o governo. Lula assumiu com o apoio do tripé
Palocci, José Dirceu e Gushiken. Mas está conseguindo empurrar todos os
amigos para o buraco e continua se equilibrando com o discurso autista de
que nada sabia, de que estava nas nuvens. Deus queira que peça para sair e
desista da reeleição sugeriu.
Congressistas:
crise continua apontando para Lula
Para o deputado Antonio
Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), chegou a hora de a oposição repensar se deve continuar
preservando Lula de um possível processo de responsabilização pela crise
ética e moral que começou com o escândalo do mensalão. Sobre a demissão do ministro, parlamentares
de oposição foram unânimes em dizer que não estanca a crise, que continua
apontando para Lula.
Se a oposição tiver
juízo, agora é a hora de apurar tudo até o fim, chegue ou não ao
presidente Lula. Não podemos nos contentar, no
caso Francenildo, com a demissão de Palocci, de Matoso ou de quem vazou o sigilo quebrado.
Não há mais como esperar novos elementos para responsabilizar Lula. Ele
tem pecados que recaem sobre ele por várias gerações salientou Neto.
O líder PSDB no Senado,
Arthur Virgílio (AM), não escondia sua preocupação com o futuro do país,
diante da substituição de Palocci:
O ministro da Fazenda
foi destronado por um humilde caseiro. O governo Lula exorbitou
terrivelmente e chegou ao extremo de, pela via do crime, tentar salvar um
ministro. Espero que seu substituto seja firme para manter as metas de
inflação, o câmbio flutuante e o superávit primário.
Já o líder do PFL na
Câmara, Rodrigo Maia (RJ), disse que Palocci
lutou para ficar:
Ele só pediu demissão
depois que o outro (Mattoso) o entregou. O ministro ia tentar se
sustentar. Afinal, mesmo depois de tantas mentiras e de tantas provas ele
havia ficado.
O senador tucano Antero
Paes de Barros (MT), exaltado, na tribuna do Senado, Antero chegou a
defender a prisão dos dois:
Palocci e Mattoso são candidatos a presidiários, e não
a ex-ministro e ex-presidente da Caixa Econômica Federal.
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