Oi Carlos

Não acho que é de "certa forma", não...

Acho quesomos convientes e corruptos em maioria, sim.

E não é uma maioria de 51% só, não :(

Desde que me conheç por gente só vejo as pessoas respeitarem o "TER".

O "SER" não vale nada ou, até, é motivo de riso.

-- 
Beijins
Fa
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"Homem bonito só serve para duas coisas, ser boiola um dia ou
  dançar nos Leopardos. De qualquer forma acaba dando (epa!) na
  mesma." - Divino Leitão
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ccarloss wrote:
>  
> Fa,
>  
> De certa forma o eleitor brasileiro é conivente sim. Até pela 
> desinformação de grande parte do eleitorado.
> Basta que você veja quantos políticos vêem cometendo os mesmos atos de 
> corrupção, desvio de verbas e inúmeros ilícitos e são reeleitos. O 
> Roberto Jefferson mesmo estava no oitavo mandato. E ele, apesar de ter 
> prestado um favor ao país, é da mesma laia dos que denunciou.
> Eu vejo dois caminhos para isso começar a ser consertado. O voto nulo ou 
> a não reeleição de nenhum detentor de mandato seja ele qual for. Ambos 
> muito difíceis de se alcançar, mas não impossíveis ainda que demandem 
> tempo e dependam de inúmeros fatores para que se concretizem.
> A minha parte de anular o voto eu sempre fiz. Mas isso já é uma outra 
> questão.
>  
> Um beijão.
>  
> Carlos Antônio.
>  
>  
> ----- Original Message -----
> *From:* Fatima Conti <
> *Subject:* [gl-L] Somos cúmplices da corrupção
> 
> 
> Oi
> 
> 
> Somos uma nação sem princípios?
> 
> -- 
> Beijins
> Fa
> ----------------------------------------------------------------
> "Quem casa, quer casa longe da casa onde casa."
> ----------------------------------------------------------------
> 
> 
> Terça-feira, 28 de março de 2006
> 
> Reportagem
> 
> Somos cúmplices da corrupção
> 
> 
> Luiz Antonio Ryff
> 
> 
> Não é à toa que o escândalo do mensalão está acabando melancolicamente
> em pizza, ao som do samba atravessado da deputada petista Ângela
> Guadagnin, e sem provocar grandes comoções na sociedade. Uma pesquisa
> inédita revela que o eleitor brasileiro é conivente com a corrupção
> política e que a falta de ética não é um problema apenas da classe
> dirigente: 75% dos brasileiros acreditam que cometeriam um dos atos de
> corrupção listados na pesquisa se estivessem no lugar dos políticos
> denunciados. “Ao imaginar que poderia cometer um desses atos, o eleitor
> provavelmente é tolerante com o político que o fizer”, explica a
> cientista social Sílvia Cervellini, diretora de Atendimento do Ibope
> Opinião, responsável pelo trabalho.
> 
> Com o questionador título de “Corrupção na Política: Eleitor Vítima ou
> Cúmplice?”, o estudo foi apresentado no 2º Congresso Brasileiro de
> Pesquisa, realizado em São Paulo na semana passada. Os resultados da
> pesquisa realizada com 2.001 pessoas em janeiro respondem à pergunta.
> Fica claro que a maioria dos eleitores brasileiros tolera algum tipo de
> corrupção por parte de seus representantes ou governantes eleitos.
> 
> O estudo revela também que a transgressão de leis para obter benefícios
> materiais pessoais é praxe na sociedade. Essas infrações ocorrem na
> sociedade como um todo. “A pesquisa é provocativa”, admite Sílvia. “É
> importante deixar de demagogia e parar para pensar no que é preciso
> fazer para aumentar a ética no país”.
> 
> Cada um se acha melhor do que todos
> 
> Há alguns componentes interessantes. Apesar de amplamente disseminada na
> sociedade, a tolerância à corrupção é menor entre as mulheres, os mais
> velhos e os de menor escolaridade. Pessoas da região Norte ou
> Centro-Oeste são mais rígidas (não cometeriam qualquer irregularidade)
> do que as do Sudeste (um pouco mais tolerantes que a média).
> 
> A pesquisa listou 13 atos de corrupção política:
> 
> 1) Escolher familiares ou pessoas conhecidas para cargos de confiança;
> 2) Mudar de partido em troca de dinheiro ou cargo/emprego para
> familiares/pessoas conhecidas;
> 3) Contratar, sem licitação, empresas de familiares para prestação de
> serviços públicos;
> 4) Pagar despesas pessoais não autorizadas (como compras no cartão de
> crédito ou combustível) com dinheiro público;
> 5) Aproveitar viagens oficiais para lazer próprio e de familiares;
> 6) Desviar recursos das áreas de saúde e educação para utilizar em
> outras áreas;
> 7) Aceitar gratificações ou comissões para escolher uma empresa que
> prestará serviços ou venderá produtos ao governo;
> 8) Usar “caixa 2” em campanhas eleitorais;
> 9) Superfaturar obras públicas e desviar o dinheiro para a campanha
> eleitoral do político;
> 10) Superfaturar obras públicas e desviar o dinheiro para o patrimônio
> pessoal/familiar do político;
> 11) Deputado ou Senador receber dinheiro de empresas privadas para fazer
> e/ou aprovar leis que as beneficiem;
> 12) O político contratar “funcionários fantasmas”, ou seja, pessoas que
> recebem salários do poder público sem trabalhar e ele ficar com esse
> dinheiro;
> 13) Trocar o voto a favor do governo por um cargo para familiar ou amigo;
> 
> Os entrevistados tinham de avaliar essas ilegalidades, indicando quais
> eram consideradas graves e inaceitáveis. Depois, tinham de analisar cada
> uma, revelando a percepção que têm da incidência da prática desses atos
> ilícitos por três categorias distintas: políticos ou governantes, pelos
> brasileiros e pelo próprio entrevistado.
> 
> Em cada caso, eram obrigados a classificar ainda o nível em que os atos
> seriam cometidos. As opções eram três:
> 
> 1) “Por todos ou pela maioria”, “Sempre ou algumas vezes”;
> 2) “Por uma minoria” e “Só se não tivesse outro jeito”;
> 3) “Por nenhum” ou “Não faria de jeito nenhum”.
> 
> Quanto mais longe do entrevistado, maior a incidência de percepção de um
> comportamento corrupto. Ou seja, os pesquisados têm uma auto-imagem
> melhor do que têm dos brasileiros em geral. E políticos são vistos de
> forma extremamente negativa. “Mas isso é um fenômeno mundial”, alerta
> Sílvia. “E ocorre em qualquer tema. As pessoas tendem a se ver de forma
> mais positiva. É uma espécie de defesa psicológica”.
> 
> Para os entrevistados, 100% dos políticos e governantes cometeriam ao
> menos um dos 13 atos de corrupção. É o mesmo percentual para
> brasileiros. Mas 75% dos entrevistados transgrediriam algum dos 13 itens
> listados como atos de corrupção. Isso significa que apenas um em cada
> quatro brasileiros afirma que não cometeria a ilegalidade.
> 
> Tais dados, segundo o estudo, ilustram numericamente a percepção de que
> “todos os políticos brasileiros são corruptos, mas infelizmente também
> parecem indicar que a falta de ética não atinge de forma grave somente a
> classe política brasileira”.
> 
> Os entrevistados têm uma reação dúbia à corrupção. Ao mesmo tempo em que
> condenam as irregularidades, reconhecem que cometeriam atos ilícitos se
> tivessem oportunidade. Um exemplo: 78% consideram inaceitável aproveitar
> viagens oficiais para lazer próprio e de familiares. Mas o percentual
> dos que afirmam que não fariam isso é bem menor: apenas 57%.
> 
> Em geral, as transgressões ligadas a familiares e amigos são vistas com
> maior condescendência - 43% dos entrevistados não consideram grave
> escolher familiares para cargos de confiança. E quatro em cada dez
> entrevistados fariam isso se pudessem.
> 
> “Ao mesmo tempo em que dizem ter vergonha de seus representantes pela
> forma como tratam a coisa pública, alguns admitem que votariam em
> candidatos que lhe oferecessem vantagens pessoais”, diz o estudo. Como
> diria Rochefoucauld, a hipocrisia é uma homenagem que o vício paga à
> virtude.
> 
> Ilegalidades cotidianas
> 
> Antes de abordar a corrupção política, a pesquisa verificou a incidência
> de práticas de irregularidade no dia-a-dia da população. Era a maneira
> de ligar a ética cotidiana com a do ambiente político. Também foram
> usados 13 itens, e com recorte semelhante à outra parte do trabalho. O
> entrevistado dizia se já cometeu alguma das transgressões listadas, se
> “pessoas conhecidas” tinham praticado as mesmas ilicitudes e se achava
> que “os brasileiros em geral” praticam tais desvios.
> 
> As treze ilegalidades são as seguintes:
> 
> 1) Quando tem oportunidade, tenta dar uma “caixinha” ou “gorjeta” para
> se livrar de uma multa;
> 2) Sonega impostos;
> 3) Recebe benefícios do governo, sabendo que não tem direito a eles;
> 4) Adquire documentos falsos ou falsifica documentos para obter algum
> tipo de vantagem (exemplo: identidade, carteira de motorista,
> carteirinha de estudante, diploma etc);
> 5) Quando tem uma oportunidade, pede mais de um recibo por um mesmo
> procedimento médico para obter mais reembolso do plano de saúde;
> 6) Compra produtos que copiam os originais de marcas famosas sabendo que
> são piratas ou falsificados;
> 7) Quando tem uma oportunidade, faz ligação clandestina ou “gato” de TV
> a cabo, ou seja, aproveita a instalação do vizinho;
> 8) Quando tem uma oportunidade, faz ligação clandestina ou “gato” de
> água ou luz;
> 9) Se tem chance, pega ou consome produtos em padarias, supermercados ou
> outros estabelecimentos comerciais sem pagar;
> 10) Apresenta atestados médicos falsos no trabalho ou na escola;
> 11) Se tem seguro de carro ou de qualquer outro tipo, quando tem uma
> oportunidade, frauda o seguro;
> 12) Compra algo sabendo que é roubado;
> 13) Falsifica atestado de saúde ou apresenta atestado de saúde
> falsificado para conseguir aposentadoria precoce;
> 
> Mais uma vez, o entrevistado acha que comete menos irregularidades do
> que as pessoas que lhe são próximas. E tem a visão de que os brasileiros
> em geral (ou seja, o “outro”, que não lhe é tão próximo) são bem mais
> transgressores. Um exemplo: 40% dos entrevistados nunca compraram
> produtos que copiam os originais de marcas famosas, mesmo sabendo que
> são falsificações. Mas eles dizem que apenas 11% dos seus conhecidos
> tiveram o mesmo comportamento. E acreditam que míseros 2% dos
> brasileiros nunca fizeram algo parecido.
> 
> Antes de iniciar o trabalho, havia uma suposição entre os pesquisadores
> de que a maioria dos brasileiros tinha algum tipo de desvio ético e
> tolerava a corrupção. O estudo confirmou isso. Embora se considere
> razoavelmente honesto, o eleitor pratica ou aceita uma diversidade de
> transgressões à lei no seu cotidiano. E é claro que, quanto mais
> ilegalidades o eleitor cometer ou aceitar no seu dia-a-dia, mais
> tolerante ele tende a ser com os atos de corrupção no Congresso.
> 
> Mídia paternaliza eleitores
> 
> Por isso, episódios como a dancinha da deputada petista Ângela
> Guadaligni no plenário da Câmara, comemorando a absolvição de um colega
> envolvido no esquema do mensalão, não devem chocar tanto o eleitor comum
> quanto chocou a imprensa.
> 
> Aliás, é curioso que a mídia, que cumpre um papel de mediador entre a
> classe dirigente e a sociedade, demonstre tanta indignação com casos de
> corrupção se, como mostra a pesquisa, os dois extremos dessa relação não
> lhe dão tanta importância.
> 
> Sílvia diz que a opinião pública aceita, e até espera, esse discurso por
> parte da mídia. Mas o comportamento é bem diferente. Ela acha que,
> embora a ética seja um valor absoluto, a maioria não vê dessa forma. As
> pessoas enxergam com gradações, em que é possível ser mais ou menos ético.
> 
> “Há uma tendência da mídia em paternalizar o eleitor”, diz Sílvia. Como
> se o cidadão fosse uma vítima da falta de ética de suas elites. Mas o
> estudo rejeita completamente essa vitimização do eleitor. Ele é cúmplice
> e se identifica com boa parte das transgressões cometidas.
> 
> Mesmo que a pesquisa trace um retrato bastante duro da classe política
> na ótica do eleitor. Entre os entrevistados (uma amostra nacional
> representativa do eleitorado):
> 
> 82% acreditam que a classe política é desonesta;
> 73% acham que é preguiçosa;
> 87% acreditam que agem pensando somente em benefício próprio;
> 28% crêem que, após as CPIs, o Brasil será um país mais honesto (56%
> acham que continuará a mesma coisa).
> 
> Mas isso não deve fazer muita diferença na próxima eleição. Após a
> pesquisa, e com a experiência acumulada como diretora de um dos maiores
> institutos de opinião do país, Sílvia acredita que o escândalo do
> mensalão não afetará a forma de a população votar. A tendência é de que
> não ocorra uma grande renovação política. E a questão ética não será,
> naturalmente, o tema principal da campanha. “Pode até ser, mas será
> preciso um esforço muito grande de quem quiser usar isso.” No rescaldo
> do escândalo, ela avalia que o “timing” para fazer alguma mudança já
> passou. “A impressão é de que ficou o dito pelo não dito.”
> 
> Entre os motivos para isso, ela lista alguns. Acha que as
> responsabilidades ficaram difusas. Quem tinha uma prática diferente não
> mostrou isso. E, desta vez, a figura do presidente não ficou no centro
> da polêmica, como ocorreu com Fernando Collor. Além disso, ainda há uma
> identificação muito grande do eleitorado com Lula. “Certamente, seria
> mais difícil de perdoar outro político”, acredita Silvia.
> 
> Infelizmente, entre os mandatos dos dois presidentes, aumentou a
> desilusão com os rumos políticos. A esperança de que o Brasil se torne
> um país mais honesto diminuiu. Em 1992, no auge do processo contra
> Collor, 44% achavam que sairíamos melhor. Hoje, a despeito das inúmeras
> CPIs, esse índice é de 28%.
> 
> Até por isso, Silvia admite que é possível haver um aumento do voto nulo
> entre os eleitores de escolaridade mais alta e os formadores de opinião,
> até mesmo nas camadas mais populares. Seria um voto de protesto com a
> desilusão causada pelo comportamento do PT, que era visto por muitos
> como o último bastião de honestidade. “Afinal, se todos são iguais
> mesmo, o que fazer?”, questiona-se o eleitor.
> 
> Mas ela acha que o eleitor será pragmático. As razões do voto serão
> ditadas pelos benefícios que cada um poderá receber. E a visão do que é
> melhor para o país dependerá da ótica que cada um tem do Brasil e será
> filtrada pelos próprios interesses. “Seria utópico achar que as pessoas
> votam pensando no interesse coletivo.”
> 
> 
> 
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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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