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Quinta-feira, 06 de abril de 2006

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Congresso tem chance pálida de se redimir

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06.04.2006 |  Com a autoridade que lhe confere a condição de decano do jornalismo político brasileiro, em que milita com brilho, elegância e competência há mais de meio século, sem contar seus mais de 80 anos muito bem vividos, o mestre Villas-Boas Corrêa escreveu, aqui mesmo em NoMínimo, que o atual Congresso – a 52ª legislatura desde que temos um Parlamento – é o pior de todos os tempos no país.

Tem razão o mestre – infelizmente.

Não é por outra razão que a última pesquisa de opinião pública do instituto Datafolha, divulgada no dia 19 de março, mostrou a precariedade do prestígio do Congresso: 41% dos eleitores avaliavam como “ruim ou péssimo” o desempenho de deputados e senadores, contra magros, miseráveis 14% de cidadãos de extraordinária boa vontade que enxergavam o trabalho de nossos parlamentares como sendo “ótimo ou bom”.

O termômetro de popularidade do Legislativo, naquele 19 de março, desabara oito pontos em relação ao levantamento do mês anterior, muito provavelmente em decorrência da absolvição, pelo plenário da Câmara, de três deputados acusados de envolvimento com o valerioduto: Roberto Brant (PFL-MG), Professor Luizinho (PT-SP) e Pedro Henry (PP-MT).

Não foram apenas essas absolvições – às quais, por sinal, se seguiram outras –, naturalmente, as causas do fundo de poço em que se encontra o Congresso. Se bem que as coisas pioram com a inacreditável e vergonhosa recusa, ontem à noite, em cassar o mandado do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Câmara, alvo de acusações irrespondíveis e comprovadas, inclusive a de ter beneficiado uma empresa do empresário Marcos Valério com um contrato com a Casa dias depois de haver embolsado dinheiro do valerioduto.

Sem a preocupação de esgotar a lista, que é longa, lembremos algumas das possíveis razões, começando pela principal:

Este é o Congresso que viu nascer em uma de suas Casas, a Câmara, um escândalo de proporções e características inéditas, em matéria de poder deletério contra as instituições: o mensalão, suborno mediante o qual um partido, o PT, usando dinheiro de origem escusa, passou a comprar o voto de deputados de outros partidos em apoio a iniciativas do governo.

Este é o Congresso que precisou de três comissões parlamentares de inquérito (CPIs) para investigar, sob pretextos diferentes, esse que provavelmente seja o maior escândalo de sua história – uma delas, justamente a denominada “CPI da compra de votos”, deu em nada, uma segunda, a CPI dos Bingos, investigou muita coisa mas não está indo para lugar nenhum, e a terceira e mais focada, a CPI dos Correios, correu na reta final o risco de terminar como um furo n’água pela resistência do PT e aliados em fazer constar, de seu relatório final, o que realmente aconteceu.

Este é um Congresso que brincou com o país ao eleger para presidir uma de suas casas, a Câmara dos Deputados (que, segundo a Constituição, representa o povo), a figura mais esdrúxula, despreparada e medíocre a ocupar o posto desde a instalação, em 1890, do Congresso Constituinte que viria a elaborar a primeira Constituição da República, a de 1891 – o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). Feliz da vida em ser chamado de “rei do baixo clero”, Severino terminou saindo pela porta dos fundos do Legislativo, ao renunciar para não ser cassado depois de apanhado em ato pedestre de corrupção por tomar dinheiro de um concessionário de restaurantes.

Este é um Congresso que, por pusilanimidade e conveniência, deixou de encarar a difícil e grave tarefa de discutir o impeachment do presidente Lula no auge das revelações, estarrecedoras, do esquema do mensalão, quando contra o presidente, até por seu comportamento – como o de considerar normal o caixa 2 naquela estranha entrevista de Paris –, se poderia argüir crime de responsabilidade.

Este é um Congresso que não teve peito nem responsabilidade de encarar pelo menos o começo da tarefa, irrecusável, de fazer a reforma política.

Este é um Congresso que, sem que isso correspondesse à mais remota e longínqua necessidade no trabalho, aumentou as verbas de gabinete dos parlamentares e o número de funcionários à disposição de cada um, inclusive nos Estados – estes, peculiaríssimos funcionários que nunca vão ao local de trabalho nem para bater ponto.

Este é um Congressso que aprovou uma convocação extraordinária para o final/começo do ano que só torrou dinheiro, não aprovou nada de relevante para o país e que não se esforçou nem para fingir que houve trabalho, com sucessivas sessões canceladas por falta de número mínimo de parlamentares presentes.

Este é um Congresso... Melhor parar por aqui.

É bastante duvidoso que esse Congresso será substituído nas urnas de 1º de outubro tenha ânimo e disposição para começar a reverter sua péssima imagem. Se já consumiu mais de três anos de mandato e está como está... Há, porém, uma chance pálida para o Congresso tentar se redimir.

Deputados e senadores poderiam fazer ao menos uma despedida gloriosa, antes de, a partir de meados do ano, esvaziarem os plenários da Câmara e do Senado em razão da campanha eleitoral: aprovar o projeto de emenda constitucional apresentado já em 2003 pelo deputado Zico Bronzeado (PT-AC), ao qual foi juntado outro, do início do ano, de iniciativa do deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), alterando o parágrafo 2º do artigo 55 da Constituição para que os processos de cassação de parlamentares deixem de ser por voto secreto e passem a se dar por voto aberto.

Que absolvam, no futuro, deputados ou senadores malandros, se quiserem. Mas que votem a descoberto, mostrem a cara para o eleitor, submetam-se à opinião pública.

Sei que é pedir muito – mas, quem sabe?





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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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