Saia JUstissima na daslu….
Assunto: [M-M] MV
BILL na DASLU ?
DIALÉTICA
DO ESCLARECIMENTO
Rapper lançou o livro
"Falcão - Meninos do Tráfico"; durante o
encontro, houve bate-boca
MV
Bill une manos e patricinhas na Daslu
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Marlene Bergamo/Folha
Imagem

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De costas, o rapper e co-diretor
do documentário "Falcão", MV Bill, é abraçado por Eliane Tranchesi,
dona da Daslu
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LAURA
CAPRIGLIONE
DA REPORTAGEM LOCAL
UIRÁ MACHADO
COORDENADOR DE
ARTIGOS E EVENTOS
Negros, pobres e favelados entraram, enfim,
pela porta da frente no paraíso do consumo. Foi no lançamento do livro
"Falcão - Meninos do Tráfico", do rapper global MV Bill, ontem, na
Villa Daslu, a loja multimarcas da chiqueria paulistana, quando cerca de 30
deles, na condição de convidados, subiram ao 4º andar do prédio. Nunca a Daslu
esteve tão colorida. "É engraçado ver os manos de boné andando ao lado das
patricinhas", disse a estudante Mariana Baccarin, 28, referindo-se à
presença de convidados negros em um evento no terraço da loja.
O motivo do encontro "dos manos com a loiras" foi o documentário
"Falcão", produzido por MV Bill e veiculado na TV Globo há três
semanas, mostrando a rotina de 17 meninos recrutados pelo tráfico de drogas.
Dos 17 garotos, 16 já tinham morrido quando o documentário foi ao ar.
"Não estamos aqui para encontrar culpados pela tragédia em que vivem essas
crianças", disse a empresária Eliana Tranchesi, uma das proprietárias da
Daslu, ao abrir o encontro, que reuniu, além de MV Bill, o rapper Aliado G,
recém-saído do gueto (foi a estrela da recente propaganda política gratuita do
PC do B). "Estamos aqui para juntar todo mundo, ricos e pobres, as forças
de todo mundo", disse Tranchesi.
Para a Daslu, acossada por acusações de sonegação fiscal, foi a oportunidade de
mostrar o trabalho que vem desenvolvendo em parceria com a Central
Única de Favelas, movimento organizado pelo próprio Bill. A Daslu
colabora desde setembro do ano passado com a Cufa, e já financiou a construção
de uma sede para a associação dos moradores da favela Coliseu, grudada no
terreno da loja. Também está ajudando a levantar dois galpões para a realização
de oficinas de hip hop, corte e costura e cabeleireiro.
Os 250 convidados ouviram Bill lançar a "culpa" pela miséria dos
meninos do tráfico no passado escravocrata do país: "Eu não quero
identificar culpados. Quando os negros vieram para cá, seqüestrados da África,
a sociedade se partiu. Criou-se o estigma, a raiva e o ódio que persistem até
hoje", disse. Aliado G defendeu a "união" de todos, ricos e
pobres, brancos e negros para resolver o drama.
Na platéia, havia quem chorasse. No final do encontro, veio a pergunta fatal:
"O consumismo é uma das causas dessa tragédia. Estamos no templo do
consumo. Isso aqui é responsável. Se eu lembrar do país e da desigualdade em
que vivemos, esse local é uma violência". Enquanto a pergunta era feita, o
público começou a se agitar. Um estalava o dedo, outro comentava com quem
estava ao lado, outra enrolava o cabelo.
MV Bill ouvia, impassível, sentado no trono branco em que foi instalado pela
organização do evento. Lucia Pinheiro, 52, líder do Projeto Travessia, ONG que
cuida de crianças de rua, prosseguiu: "Para
satisfazer o sonho de consumo de comprar um tênis, quem está na favela às vezes
tem de matar. Mas não para comprar um tênis da Daslu, porque aí ia ter de matar
muito mais." E então, um gigantesco "xiiiiiiii" levantou-se na
sala e a pancadaria começou. O empresário Francisco Ventura, proprietário das
Óticas Ventura, atacou: "Pergunta logo!". Alguém acrescentou:
"Cala a boca." Um garoto no fundão saiu em defesa de Lúcia:
"Deixa ela falar", ao que Ventura
respondeu: "Cala a boca você, seu tapado."
Desafiando o coro,
Lucia continuava: "Numa próxima vez, tem de mostrar o lado bom, o lado
bonito da favela". A audiência fazia mímica de tesoura com os dedos,
pedindo para a produção cortar o microfone. Outros faziam giravam os dedos em
volta da orelha, como
se dissessem "é doida".
De repente, levanta-se Rosana Maria dos Santos, 36, secretária, negra,
desempregada, líder comunitária da favela Coliseu, moradora de uma casa sem
acabamento de um cômodo, que divide com a mãe, os dois filhos e a irmã -ah,
Eliana Tranchesi diz que Rosana é sua "melhor amiga". "Bill e
Eliana foram os primeiros a entrar na favela. Ofereceram coisas que ninguém nos
ofereceu antes. Deram brincadeiras, cursos, ajudaram a concluir estudos. São os
primeiros a nos dar valor. Eles vieram para nos ajudar." Sob aplausos, ela
disse que Eliana entrou no seu barraco para ver a situação em que morava.
"Ela é rica porque trabalhou muito para ser rica. Não rouba, não
mata." Lavou a alma
da platéia que urrava e aplaudia, vingada.
Irmã de Rosana, Rosemarie Maria
dos Santos
emendou: "Se a Eliana deve ou não para a Receita, é problema dela com a
Receita. Dizem que ela está nos dando migalhas da Daslu, mas eu queria saber se
essa dona já deu pelo menos a sua migalha." Sobre o encontro, Bill
considerou ter cumprido uma missão: "Temos de levar a discussão para
todos, inclusive à Daslu." A paz está selada.
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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.
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