Publicada em: 13/04/2006
A VARIG DEVE SER SALVA?
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Não sou adepto da tese de que a Varig deve ser salva por simbolizar o Brasil ou pelos serviços prestados a artistas e desportistas. Cresci tendo a Varig como referência de maior companhia aérea nacional e lembro com carinho dos comerciais da empresa, principalmente de uma série em que os vôos internacionais eram destacados através de pequenas histórias cantadas. Recordo-me bem de um que falava da chegada de Cabral ao Brasil e de sua saudade sem jeito de voltar pra Portugal pela Varig, Varig, Varig. Acredito, também, que todo brasileiro saiba de cor o jingle da empresa “estrela brasileira no céu azul, iluminando de norte a sul”...

Até tenho simpatia pela Varig, mas sob uma perspectiva histórica é bom lembrar que ela cresceu após o terrível golpe manu militare sobre a Panair, a maior empresa brasileira até 1964. Os militares simplesmente cassaram os direitos operacionais da Panair e transferiram as linhas internacionais para a Varig, que, imediatamente, passou a operá-las. O telegrama que decretava o fim da Panair chegou ao então presidente da companhia às 15 horas do dia 10 de fevereiro de 1965 e na noite daquele mesmo dia a Varig conseguiu a proeza de operar todos os vôos que pertenciam à Panair.

Mas acho que não cabe remoer o passado e sim vislumbrar o futuro. A Varig deve ser salva por dois motivos fundamentais: um social e outro geopolítico. O primeiro é que ela emprega onze mil pessoas que não podem ser jogadas na rua como se isso nada significasse. Isso é motivo de preocupação para qualquer governo e é preciso sensibilidade à questão. Não se trata de ser paternalista e se lançar a salvar uma empresa privada de forma irresponsável, com sérios prejuízos aos cofres públicos, mas se esforçar por uma solução responsável, que evite a tragédia social.

É evidente que a Varig sofre de problemas de má gestão, mas numa hora de crise o que caracteriza um governo socialmente responsável é analisar a questão além da ótica puramente negocial. O mercado certamente já está decretando a morte da Varig, mas o governo não pode compactuar com isso. É importante destacar que a Varig também é credora do governo. Decisão judicial lhe garantiu créditos, que se não chegam ao valor da dívida poderiam possibilitar um acordo para dar fôlego a uma possível recuperação.

A questão geopolítica está no aspecto de que a Varig é responsável pela ligação do Brasil com o mundo. E aí estão incluídas as rotas deficitárias. Pela ótica puramente de mercado não interessaria a ninguém voar para Angola ou La Paz. Mas a Varig voa para estes destinos e outros mais, possibilitando negócios do país com estas nações.

A política externa brasileira, que vem ampliando seu alcance para novas fronteiras, como os países árabes, a África e os nossos próprios vizinhos, exige uma empresa de porte, que arque com certos déficits. Por isso a quebra da Varig é um problema, sim. Sua sobrevivência torna-se estratégica para que não se entregue o mercado de vez para as empresas estrangeiras, sem nenhum compromisso com os interesses geopolíticos do Brasil.



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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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