Oi

Que círculo vicioso...

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Beijins
Fa
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"Por que sempre se fala "os quatro cantos do mundo" se a Terra é
  redonda?"
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Quinta-feira, 13 de abril de 2006


José Paulo Kupfer- Robin Hood às avessas


Todo mundo está careca de saber que a carga tributária, no Brasil, é 
excessiva. Mesmo os carecas ficam com os cabelos em pé quando se lembram 
que o equivalente a quase 40% da produção total do país é desviado para 
os cofres públicos.

Há uma sensação generalizada de que o governo promove um ataque em pinça 
ao bolso do cidadão, sem uma contrapartida minimamente condizente com o 
que arrecada. Em resumo, é consenso que a carga tributária é alta, muito 
alta. Pelo menos uns 10 pontos percentuais acima da média das economias 
semelhantes à nossa.

Não existe vivente que discorde do fato de que os serviços de saúde, 
educação e segurança, entendidos como atribuições básicas do Estado e em 
nome dos quais, em teoria, se promove o botim tributário, são mais do 
que precários. Não é de hoje que se formou a convicção de que, no 
Brasil, tributa-se como na Suíça, mas o retorno sob a forma de bem-estar 
social propiciado por essa tributação se parece com o oferecido em Uganda.

Causa muito menos estridência, no entanto, o fato de que, além de ser 
alta, a carga tributária é muito, mas muito mal distribuída. A grita 
costuma aumentar quando o contribuinte se defronta, como agora, com a 
obrigação de fazer a declaração anual de imposto de renda. Alcançada 
pelas garras do leão fiscal essa parcela da população, que não chega a 
10% do total, se sente vítima impotente de uma expropriação.

Não se trata de um sentimento fora de propósito. Só que, quem quiser que 
não acredite, esse grupo de brasileiros com alguma renda para ser 
taxada, do ponto de vista tributário, é privilegiado. Qualquer sistema 
tributário que mereça o nome obedece ao princípio segundo o qual quem 
pode mais paga mais. Não no Brasil. Aqui paga mais impostos quem pode 
menos. Talvez porque a voz das maiores vítimas quase nunca seja ouvida, 
disso se fala quase nada.

Se a carga tributária média anda beirando sufocantes 40% da renda, o que 
dizer da constatação de que, para os que recebem até dois salários 
mínimos, a carga vai a 49% da renda, enquanto os que ganham acima de 30 
mínimos suportam uma carga de 26%? Com requintes de ineficiência: 
consideradas as diversas faixas de renda, a inversão obedece a uma 
escala perfeita, taxando mais forte na exata e inversa medida da renda. 
Dá a impressão de que, se algum gênio tributário fosse contratado para 
fazer esse serviço sujo, jamais alcançaria tal precisão.

O “milagre” acontece porque contribuições, taxas e, principalmente, 
impostos indiretos têm, no sistema tributário brasileiro, um peso muito 
maior do que os impostos diretos. Como mostra um estudo recentíssimo da 
Fipe/USP, realizado sob encomenda da Federação de Comércio paulista, os 
impostos indiretos, cobrados de forma uniforme de ricos e pobres, no 
consumo de produtos, respondem por 90% da carga tributária dos mais 
pobres e por menos de 60% do que é pago em impostos pelos mais ricos.

O santo que faz o milagre acontecer é a combinação perversa de pobreza 
com má distribuição de renda. Como a soma das rendas não é lá essas 
coisas, os governos descobrem que, para arrecadar mais, têm de cobrar 
impostos sobre o consumo, o faturamento, a folha de pagamento.

Isso também explica por que, no Brasil, entre outras distorções 
tributárias, os alimentos são tão duramente taxados, sobretudo nas 
regiões mais pobres, com a carga média sobre a comida chegando perto de 
25%. A lógica econômica informa que, quanto mais baixa a renda, maior 
tende a ser, proporcionalmente, o consumo de bens essenciais, princípio 
que vale tanto para as pessoas e famílias como para as sociedades.

Vai daí que, se não embutirem impostos nos alimentos e outros bens 
essenciais, do que viverão os estados? É o fim da picada, mas faz 
sentido. Assim, caímos num círculo vicioso e não mais sabemos se o 
sistema é distorcido porque a renda é concentrada ou se a renda 
concentrada leva à sua distorção.

Sistemas tributárias são como impressões digitais das sociedades. Robin 
Hood às avessas, o sistema tributário brasileiro faz parte da famigerada 
lista de peculiaridades tupiniquins que contribuem para manter 
concentrada, década após década, a renda pessoal e regional.



Retirado de
http://nominimo.ibest.com.br/notitia/servlet/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1&pageCode=44&textCode=21889&date=currentDate


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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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