São Paulo
Grupo skinhead neonazista apavora freqüentadores dos Jardins no feriado
Da Redação
23/4/2006
Um grupo de skinheads neonazistas com aproximadamente 20 integrantes, agrediu e esfaqueou freqüentadores dos Jardins, na região da rua Consolação, na madrugada de sexta-feira, 22/4, por volta das 2h30 da manhã. Quatro vítimas foram encaminhadas ao Hospital das Clínicas. Um deles, ferido a facadas, ainda está internado.

Dos quatro agredidos, dois garotos e duas garotas, três eram adolescentes. Os agressores estão foragidos. Eles foram classificados como 'skinheads' pois no grupo alguns rapazes usavam coturnos e cabelos raspados. O grupo, formado por mulheres e homens, também usava jaquetas pretas, segundo testemunhas. A polícia vai investigar a origem da agressão.

Antes do ataque da última sexta-feira, o mesmo grupo já estava circulando na região. Eles mantinham-se em frente a um supermercado e agrediam verbalmente góticos, gays e punks que passavam pelo local. Essa região dos Jardins possui diversos bares e clubes, alguns freqüentados por jovens heterossexuais amantes do rock. Outros bares da mesma região são clássicos endereços de gays jovens.
Punks, roqueiros e clubbers, héteros ou gays, costumam ser alvo para gangues de skinheads neonazistas. A presença do tal grupo em torno dessa região dos Jardins já tinha sido principal assunto de reunião na Câmara dos Vereadores de São Paulo, na última quarta-feira, 19/4, dois dias antes dos ataques. O Conselho Consultivo formado pela vereadora Soninha planejava ações para conter o grupo, denunciando-o às autoridades (leia aqui). No sábado, dia seguinte à agressão, as ruas em torno da Consolação estavam apinhadas de policiais e nenhum vestígio do grupo foi noticiado. Contudo, a quantidade de freqüentadores caiu sensivelmente no sábado.
Outros ataques
Em setembro de 2005 um jovem de 19 anos foi gravemente ferido em Curitiba por cinco rapazes, dois deles eram carecas e usavam coturnos (leia aqui). Nos dias seguintes à agressão, foram colados adesivos pela cidade assinados por um grupo skinhead, que pregava morte aos gays e punks, entre outros absurdos. Em outubro, o grupo Dignidade fez protesto nas ruas centrais da capital paranaense pedindo que autoridades investigassem o caso (aqui).

Em fevereiro de 2000, o adestrador de cães Edson Néris, foi assassinado na Praça da República em São Paulo por um grupo de skinhead. O caso causou comoção entre a comunidade gay da cidade e vários protestos foram realizados.

Liberdade

A região dos Jardins, em especial o quadrilátero entre as alamedas Santos e Franca, é, há anos, território democrático de diversão jovem de São Paulo. Por lá trafegam, sem problemas, gays, travestis, lésbicas, heterossexuais, góticos e roqueiros, principalmente. É um lugar bastante tolerante às diferenças e isso é um exemplo para o resto de São Paulo e para outras cidades. A freqüência misturada e saudável deve continuar, para o bem da democracia e da liberdade. A ação intolerante desse grupo, como a de qualquer outro, precisa, portanto, ser punida.
   


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