(eu fico com o caixa dois da campanha...)
-----Mensagem original-----
http://www.christiania.org/~skuld/pic/
CHRISTIANIA - UMA CIDADE SEM GOVERNO
Tesão # 3 - 1994
Christiania tem provado ao mundo que é possível viver numa
sociedade sem autoridade constituída, sem delegação de poder através de
mandatos e eleições. A cidade-livre da Dinamarca criou um experimento social
definitivo contra a idéia dominante de que a humanidade se auto-destruirá se
não existir um controle sobre a liberdade individual.
Os habitantes de Christiania decidiram correr o risco de andar
na contra-mão da história. Para eles, o governo, seja lá qual for, e seus
mecanismos de administração pública são sinônimos de burocracia, abuso de
poder e corrupção.
Vivendo sem a necessidade de leis que controlem a organização social,
cada morador da cidade livre tem que fazer sua parte enquanto cidadão e
confiar que todos farão o mesmo. É uma nova ética de convivência, baseada na
honestidade e na solidariedade.
Em 23 anos de existência, a cidade-livre sempre esteve associada a
rebelião contra a ordem estabelecida e experimentando novos meios de
democracia e formas de autogestão da administração pública. Christiania se
organiza em vários conselhos, onde todos os moradores têm direito a opinar e
discutir os problemas comunitários. As decisões não são feitas por votação,
mas sim através do consenso. Isso significa que não é a maioria que decide e
sim que todos tem que estar de acordo com as decisões tomadas nas reuniões.
Às vezes, contam-se os votos somente para se ter uma idéia mais clara das
opiniões, mas essas votações não tem nenhum significado deliberativo, não
contam como uma solução para os problemas da comunidade. Christiania é
dividida em 12 áreas, cada uma administrada pelos seus moradores, para
facilitar o funcionamento dos serviços básicos. As decisões tomadas sempre
por consenso podem parecer difíceis para nós, brasileiros acostumados ao
poder da maioria sobre a minoria (pelo menos, é assim que se justificam os
defensores das eleições). Mas para os habitantes da cidade-livre, o consenso
só é impossível quando existe autoritarismo, quando alguém tenta impor uma
opinião sem dar abertura para que outras idéias apareçam e até prevaleçam
como melhor solução.
A experiência tem ensinado aos moradores de Christiania que cada
reunião deve discutir só um assunto, principalmente na Reunião Comum, que
decide sobre os problemas mais importantes da comunidade. E, contrariando o
pessimismo dos que não conseguem imaginar uma vida sem governo
institucional, a utopia está dando certo: a vida comunitária de Christiania
preserva a liberdade individual e constrói uma eficiente dinâmica de
relacionamento social, livre do autoritarismo e da submissão. A cidade-livre
vive o anarquismo aqui e agora.
*AÇÃO DIRETA*
Os moradores da Christiania fazem questão de ser uma pedra no sapato do
capitalismo. Eles não se contentam apenas em incomodar os valores
tradicionais da sociedade européia com a vida alternativa que levam.
Christiania também desenvolve várias atividades com o objetivo de contestar
o sistema capitalista e divulgar as idéias anarquistas. Durante os primeiros
anos, a cidade-livre se tornou conhecida por suas ações no teatro e na
política. E quem conseguiu maior sucesso nessa área foi o grupo Solvognen.
Uma de suas ações diretas mais famosas foi em 1973, quando a OTAN
(Organização do Tratado do Atlântico Norte), uma espécie de braço armado dos
Estados Unidos na Europa, realizou um encontro de cúpula em Copenhagen.
Inspirados no programa de rádio "Guerra dos Mundos" de Orson Welles, que
simulou uma invasão de marcianos colocando em pânico a população
norte-americana na década de 40, centenas de pessoas, lideradas pelo grupo
de teatro de Christiania, fizeram parecer que um exército da OTAN tinha
ocupado a Rádio Dinamarca e outros pontos estratégicos da cidade. A
impressão que se tinha era que a Dinamarca estava ocupada por forças
estrangeiras.
Durante várias horas, o país inteiro ficou em dúvida se a invasão era teatro
ou realidade. A ação foi uma dura crítica a intervenção dos Estados Unidos
na vida dos países europeus.
O Solvognen também usou a critividade para contestar o comércio da maior
festa do cristianismo. Em 1974, o grupo organizou o primeiro Natal dos
Pobres da Dinamarca. Milhares de presentes foram distribuídos por um
batalhão de Papai Noéis. Detalhe: os presentes eram artigos roubados das
lojas de Copenhagen. Resultado: foram todos presos, mas o escândalo ganhou
as manchetes dos principais jornais da europa, com fotos de dezenas de
Papais Noéis sendo carregados pela polícia. Até hoje o Natal dos Pobres
continua sendo organizado como uma tradição e todo ano aproximadamente 2 mil
pessoas recebem uma grande ceia em Christiania. Vote Nulo.
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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.
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