Oi
Como precisamos!
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Beijins
Fa
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"Ninguém é constante, a não ser que esteja morto."
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Ponto de vista: Claudio de Moura Castro (economista)
Precisamos de uma crise
Em 2000, desabou na Alemanha uma notícia aterradora. O país estava em
25º lugar no Pisa, um teste que mede a capacidade de leitura e o
aprendizado de matemática e ciências, entre jovens de 15 anos, em cerca
de quarenta países. Educadores, pais e autoridades oscilaram entre
traumatizados e enfurecidos. Até hoje, o clima está tumultuado, com
comissões, seminários e uma enxurrada de novas leis.
Nesse mesmo exame, o Brasil obteve o último lugar, bem atrás do México.
Só que, no nosso caso, há outra notícia pior: o resultado não criou uma
crise. A imprensa não fez barulho. A esquerda e a direita ficaram mudas.
Pesquisas com pais mostram um resultado quase inacreditável: eles estão
satisfeitos com a educação oferecida aos filhos.
Segundo o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, 55% dos
alunos da 4ª série são praticamente analfabetos (em países sérios, é
residual seu número ao fim da 1ª). O Indicador Nacional de Analfabetismo
Funcional indica que 74% dos brasileiros adultos estão nessa condição.
Não há nenhuma discrepância, todos os resultados mostram que nossa
educação é péssima. Tampouco existem atenuantes. Mas há uma agravante: o
desempenho muito melhor de países com o mesmo nível de renda e que pagam
aproximadamente a mesma coisa aos professores.
Em outras palavras, estamos diante de dois grandes problemas. Precisamos
convencer os brasileiros de que nossa educação é péssima e, então,
entender como melhorá-la. Mas quer nos parecer que, sem vencer a
primeira barreira, não vamos mudar a qualidade da educação. A boa
notícia é que o setor produtivo e seus braços de responsabilidade social
começam a soar o alarme (por exemplo, a Fundação Victor Civita está
lançando seu programa Reescrevendo a Educação).
Tentemos entender o que está ocorrendo. Praticamente, terminamos o ciclo
de criar escolas, contratar professores e oferecer livros, merenda e uma
estrutura operacional mínima. Não resolveu. Então, alguma coisa deve
estar errada na sala de aula, pois é lá que acontece a educação.
Uma primeira pista discreta vem de uma pesquisa recente com professores
(T. Zagury). De tudo o que disseram e reclamaram, em hora nenhuma
mencionaram que os alunos não estão aprendendo – no fundo, o único
assunto importante. Ou seja, aqueles que pilotam as salas de aula não
reportam ser esse o problema.
Os teóricos e os ideólogos da moda circunavegam os espaços
intergalácticos com suas teorias impenetráveis e denúncias
conspiratórias. Inevitavelmente, as propostas são exaltadas, complicadas
e sem foco. Mas nenhum deles se lembra de pousar nas terras onde a
educação funciona e ver como se faz lá. Teriam surpresas.
O primeiro passo para pensar nas soluções é entender que há prioridades,
ou seja, algumas coisas se fazem antes, sacrificando as outras. A
primeira missão da escola é ensinar a ler, a entender o que foi lido, a
escrever e a usar números para lidar com problemas do mundo real (é o
que medem os bons testes!). E, obviamente, isso faz convergir todo o
foco do esforço para os primeiros anos (é lá que deveriam estar os
melhores professores). A emoção, o afeto, o amor e a auto-estima não são
objetivos em si, mas condições necessárias para acontecer o ensino
sério. Não há "consciência crítica" sem entender o texto escrito. O
resto do currículo é uma maneira engenhosa de aprender e praticar a arte
de ler e escrever.
Os professores têm de receber essa missão, de forma clara. E precisam
prestar conta dela. Os que tiverem êxito na missão devem ser festejados
e premiados. Para isso, os alunos têm de ser avaliados e testados com
freqüência. E bem sabemos que o sucesso depende de o professor haver
aprendido o assunto que vai ensinar e de incorporar as técnicas de sala
de aula que se revelaram mais produtivas. São necessários currículos
detalhados, bons livros e professores que saibam usá-los. A disciplina
"careta" tem de ser mantida, a jornada de trabalho é longa e há muito
"para casa". Se tal fórmula deu certo em todos os países avançados,
caberia aos gurus demonstrar por que o Brasil é "diferente" e que
precisamos de fogos de artifício, e não de foco obsessivo no essencial.
Mas essas são tecnicalidades. O que precisamos é de uma sociedade
indignada contra a educação que temos. Precisamos de uma crise grave.
Fonte: Revista Veja
Editora Abril – 26 de abril de 2006.
www.veja.abril.com.br
Recebi primeiramente na [ Clube do LuisNeiJr. © ]
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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.
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