Fa,
 
Há muita gente que não está apenas silenciosa. Está passiva demais.
Mas a Torloni, além de eu não achar isso tudo de atriz, não é mesmo a pessoa mais indicada pra falar sobre isso.
 
Beijão.
 
Carlos Antônio.
 
P.S. Embora tenha todo o direito. Eu não cerceio a liberdade de ninguém.
 
C.A.
 
 
----- Original Message -----
Sent: Wednesday, May 03, 2006 2:48 AM
Subject: [gl-L] Guilherme Fiuza - Por que choras, Torloni?


Oi

Que estranhoo...
Não é pedir muito para uma atriz?
Não há outros profissionais mais capacitados que estão silenciosos?


--
Beijins
Fa
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"Bolívia tranqüiliza brasileiros: abastecimento de cocaína está
  garantido. O fornecimento de gás é que não está cheirando muito
  bem." - Tutty Vasques
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Quarta-feira, 03 de maio de 2006


Guilherme Fiuza - Por que choras, Torloni?


Gilberto Braga pegou o clássico “Os carbonários”, de Alfredo Sirkis,
escreveu em cima dele outro clássico, “Anos rebeldes”, e lançou na TV a
semente do impeachment de Collor. John Lennon vestiu um pijama, foi para
a cama com Yoko Ono, chamou a imprensa e criou o hino decisivo contra a
guerra do Vietnã. Os sociólogos sempre procuram uma lógica coletiva
(sociológica!) para a marcha da história, mas a singela verdade é que
quem gira essa roda são os indivíduos. Christiane Torloni precisa saber
disso.

Torloni é um símbolo brasileiro, menos badalado do que deveria. Ótima
atriz de teatro, cinema e TV, tem uma bagagem na dramaturgia brasileira
impressionante para uma mulher ainda em pleno vigor de sua beleza e
sensualidade. Conhecida no Brasil inteiro, já participou da cena
política, já ultrapassou pesados dramas pessoais, já encantou o público
fora do palco e das telas com entrevistas impactantes, marcadas por uma
mistura de espontaneidade e profundidade. Enfim, uma personagem
importante da vida brasileira.

Christiane Torloni está indignada com a apatia da sociedade brasileira
diante do escândalo do mensalão. Acha que as pessoas estão anestesiadas,
ou algo assim. Disse isso um dia desses na TV à apresentadora Ana Maria
Braga. Mais uma vez, um bonito depoimento. Num cenário realmente apático
diante dos últimos acontecimentos políticos, foi bom ouvir de novo a voz
sincera, independente, destemida de uma brasileira sensível e, portanto,
indignada. O problema é que, de gritos indignados, a prateleira do
mercado anda cheia.

A indignação de Herbert de Souza, o Betinho, ficou famosa nos últimos
anos do regime militar. Tempo em que não se podia dizer tudo o que se
queria, e Betinho foi ajudando a abrir espaço, especialmente com seus
artigos no “Jornal do Brasil”, para a disseminação de uma voz ultrajada
pelos abusos da ditadura. A partir de um certo momento, porém, os
artigos do Betinho já não faziam mais efeito algum. A mensagem já estava
assimilada, e quando isso acontece, o que era indignação começa a virar
queixa. Foi aí que Betinho acordou, trocou a indignação pela ação e
criou a Ação da Cidadania contra a Miséria e Pela Vida, a famosa
Campanha da Fome, maior movimento de solidariedade do Brasil contemporâneo.

O protesto de Christiane Torloni na tela da Globo deve ter levado
conforto a muitos corações alvoroçados com os escândalos recentes. “Ela
disse tudo o que eu penso”, devem ter balbuciado milhares de almas
impotentes, tão ultrajadas quanto caladas diante dos acontecimentos em
Brasília. Uma voz pública e respeitável funciona sempre um pouco como
uma espécie de superego para as pessoas comuns. Em termos de mover a
roda da história, porém, essa equação é igual a zero.

Torloni está inconformada com o fato dessa indignação não formar uma
onda coletiva, sincronizada, que transborde para as ruas e inunde os
palácios, removendo-lhes o encardido moral. É preciso dizer a ela que,
apesar de suas declarações sensíveis e esforçadas, essa onda não vai
avançar um milímetro sobre o Planalto Central após sua entrevista a Ana
Maria Braga e ao Louro José.

O que Christiane Torloni fez foi dizer um “basta”. O problema é que, em
tempos de liberdade de expressão plenamente exercida, falada, escrita e
escarrada, a sociedade ouve um basta por minuto. A coisa lembra um pouco
a música de protesto que o jovem e talentoso José Luiz Segneri, mais
tarde saxofonista de Caetano, Cazuza e outros, inscreveu num daqueles
festivais de MPB e que repetia dezenas de vezes um só verso: “Eu não
agüento mais! Eu não agüento mais!” Etc etc.

Torloni não agüenta mais, muito gente que a assistiu também não agüenta
mais, a imprensa não agüenta mais estampar as manchetes com detalhes das
mamatas dos 40 ladrões, Arnaldo Jabor não agüenta mais dizer que a velha
esquerda seqüestrou o Estado, a oposição não agüenta mais se esgoelar
contra as já famosas tramóias do valerioduto. Ou seja: a indignação,
pura ou com batatas, está saindo mais barata que um cacho de banana prata.

O que falta é a centelha original, uma sacada de Lennon, Gilberto Braga
ou Betinho, uma forma criativa e eficaz de capturar no ar o basta etéreo
e solidificá-lo em ação. O que falta é alguém capaz de fazer história.
Deputados “mensaleiros” são absolvidos e, em reação, deputados bonzinhos
renunciam ao Conselho de Ética e reclamam da pizza. Nesse ritmo, de
fato, a história não sairá do lugar. Christiane Torloni tem capacidade
de mobilizar Deus e o mundo para uma boa causa. A atriz poderia fazer
por menos: deixar Deus e o resto do mundo fora dessa, e brindar os
brasileiros, apenas os brasileiros, com uma idéia original e um roteiro
de ação contra a crise.


Retirado de
http://nominimo.ibest.com.br/notitia/servlet/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1&pageCode=5&textCode=22150&date=currentDate


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