Na verdade não, países ricos fazem muito mais negócios entre si do que
com os pobres, o japão e a coréia são muito melhores HOJE do que 100
anos atrás, quando não eram relevantes no cenário mundial.


On Sun, 07 May 2006 10:53:08 -0300
Fatima Conti <[EMAIL PROTECTED]> wrote:

FC>
FC> Oi
FC>
FC> Pra que 1/4 do mundo possa viver muito bem
FC> 3/4 precisa ser pobre ou miserável?
FC>
FC> E ideologias diferentes podem conviver e achar denominadores comuns?
FC>
FC> --
FC> Beijins
FC> Fa
FC> ----------------------------------------------------------------
FC> "O seu cansaço é sempre proporcional ao aborrecimento que um
FC>   chato pode lhe causar em uma festa."
FC> ----------------------------------------------------------------
FC>
FC>
FC> Domingo, 07 de maio de 2006
FC>
FC>
FC> Mario Sergio Conti - “Escondido”: passado e presente
FC>
FC>
FC> Um apresentador de um programa cultural na televisão, Georges Laurent
FC> (Daniel Auteuil), recebe vídeos mostrando a fachada de sua casa. Ele
FC> também recebe desenhos infantis com temática violenta. Não sabe quem os
FC> enviou, mas desconfia.
FC>
FC> Na noite de 17 de dezembro de 1961, um número nunca estabelecido de
FC> emigrantes argelinos, que se manifestavam em Paris pela independência de
FC> seu país, foi espancado e assasinado pela polícia.
FC>
FC> Esses dois fatos, um histórico e outro fictício, se entrelaçam no novo
FC> filme do cineasta austríaco Michael Hanecke, “Caché” (“Escondido”).
FC> Ambos os fatos escondem algo que está simultaneamente no passado e no
FC> presente.
FC>
FC> ***
FC>
FC> O massacre dos argelinos foi chefiado pela mais alta autoridade da
FC> polícia parisiense, Maurice Pappon. Nos anos seguintes, Papon foi
FC> prefeito, deputado e ministro. Ele tinha algo a esconder. Em 1998, foi
FC> condenado a dez anos de prisão por crimes contra a humanidade. Mas não
FC> devido aos assasinatos de manifestantes argelinos. Enquanto funcionário
FC> do regime colaboracionistra de Vichy, Papon organizou a deportação de
FC> 1.500 judeus franceses para o campo de concentração de Drancy. A maioria
FC> dos deportados foi assassinada.
FC>
FC> Entre os argelinos que foram assassinados na manifestação parisiense,
FC> estavam um casal de empregados dos pais de Georges Laurent.
FC>
FC> O fato histórico e o particular, os vídeos e desenhos que Georges recebe
FC> anonimamente talvez estejam ligados.
FC>
FC> ***
FC>
FC> Talvez sim, talvez não. Talvez se refiram ao passado, talvez ao
FC> presente. Talvez aos dois. Talvez só o narrador, seja ele Georges, seja
FC> ele o diretor Michael Hanecke, saibam. Mas quem narra “Escondido”? O
FC> filme se abre com um longo plano fixo de uma rua parisiense. Ele é tão
FC> longo que se torna enigmático, algo sinistro. Sabemos, em seguida, que
FC> se trata de um plano que está no primeiro dos vídeos anônimos recebidos
FC> por Georges. Quem o gravou? Não se sabe. Quem o gravou, e o transformou
FC> numa narração, está escondido.
FC>
FC> Por estar escondido, o narrador amedronta Georges. O apresentador de
FC> televisão sabe lidar com imagens. Ele edita o seu programa, cortando as
FC> imagens que não o satisfazem. Ele está à vontade na frente das câmeras
FC> de seu programa de sucesso. Mas ele é um mero passante, alguém pego em
FC> flagrante pela câmera do narrador oculto. As imagens dos vídeos e dos
FC> desenhos o amedrontam. Elas trazem à tona algo que estava escondido da
FC> mulher de Georges, Anne (Juliette Binoche), e de seu filho de doze anos,
FC> Pierrot.
FC>
FC> ***
FC>
FC> A vida organizada e tranqüila de Georges e sua família é abalada pelas
FC> imagens anônimas. Frente a elas, o marido, a mulher e o filho já não
FC> sabem direito quem são. Eles desconhecem o seu próprio passado. Georges
FC> procura sua mãe (interpretada por Annie Girardot) para investigar o que
FC> houve no passado. Não adianta.
FC>
FC> Os personagens desconhecem também o presente. Várias vezes, de passagem,
FC> “Escondido” mostra imagens de televisão de conflitos no Oriente Médio e
FC> da invasão do Iraque. Os personagens não prestam atenção a elas. Mas são
FC> elas que podem esclarecer o que se passa com eles: as levas de
FC> migrantes, o terrorismo, os guetos árabes e muçulmanos que crescem na
FC> Europa.
FC>
FC> ***
FC>
FC> “Escondido” é um filme sobre o mal-estar na Europa. Mais precisamente,
FC> para usar uma expressão freudiana, sobre o mal-estar na civilização. O
FC> filme se apóia abertamente em Freud. O “escondido” do título é o
FC> reprimido, o trauma infantil que deslizou para o inconsciente. E o que
FC> se esconde é a culpa.
FC>
FC> Culpa é conceito de origem religiosa que diz respeito à psicologia.
FC> Provocativamente, Hanecke o estende à política. Seu filme se não diz
FC> abertamente, insinua a culpa ocidental no terrorismo, na miséria do
FC> Oriente Médio e na segregação dos imigrantes na Europa.
FC>
FC> ***
FC>
FC> O filme foi premiado no Festival de Cannes, em maio, foi elogiado pela
FC> crítica americana. Em novembro, as periferias francesas se rebelaram.
FC> “Escondido” tematiza quase que diretamente a revolta dos jovens filhos
FC> de imigrantes. O filme esteve, literalmente, adiante do seu tempo.
FC>
FC> É um grande filme. Uma das poucas obras de arte cinematográficas dos
FC> últimos tempos. Talvez seja uma obra-prima. Por confrontar o espectador,
FC> o cinema, a política e a sociedade ocidental.
FC>
FC>
FC> Retirado de
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